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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

"O Café da Lua Cheia" de Mai Mochizuki



"O Café da Lua Cheia " de Mai Mochizuki
Singular, 2024
184 Páginas

Gostei muito deste "O Café da Lua Cheia", onde os empregados são gatos que falam e apenas nos servem o que lhes apetece acampanhado de conselhos astrológicos e de vida, dando-nos exactamente aquilo que precisamos naquele momento. 

Li-o mesmo com prazer, quase por completo numa tarde de domingo... em boa companhia e junto à lareira!

Se gostam de histórias com gatos (bem ao estilo japonês) e astrologia, este livro é, sem dúvida, uma excelente escolha.


https://www.goodreads.com/review/show/8227749287

sábado, 19 de julho de 2025

"O Pequeno Restaurante da Felicidade " de Ito Ogawa


"O Pequeno Restaurante da Felicidade" de Ito Ogawa
Editorial Presença, 2023
208 Páginas


"O Pequeno Restaurante da Felicidade" podia ter sido um livro excelente, mas é só razoável, a meu ver. 

O argumento é interessante, ainda que recorrente: alguém que através da cozinha muda a vida dos outros, inclusivamente a sua. Alguém que, perante a adversidade, muda completamente de vida (por causa de um desgosto ou trauma) e vê na cozinha uma forma de começar de novo. 

Todavia, Ito Ogawa parece ter alergia à utilização de capítulos para organizar a narrativa, o que me aborreceu de alguma forma, já que tinha de a escolher onde iria pausar a leitura e, ao mesmo tempo deixou-me com a sensação de confusão/caos. E, pese embora, a origininalidade que reconheço em várias partes da obra, incomodou-me o desfecho e o destino que foi atribuído à personagem Hermes. Sem entrar em pormenores, por muito mágica e lavoisiriana que a autora quisesse ser... não consegui gostar dessa parte. Senti que o sucedido foi uma traição a Hermes, acima de tudo. E foi penoso!

Será que Ito Ogawa segue este estilo sempre nos seus livros?! Refiro-me sobretudo à ausência de capítulos...


https://www.goodreads.com/review/show/7738814285

sexta-feira, 18 de abril de 2025

"A Floresta de Lã e Aço" de Natsu Miyashita



"A Floresta de Lã e de Aço" de Natsu Miyashita
Editorial Presença, 2025
200 Páginas


Parti para a leitura de "A Floresta de Lã e Aço" com expectativas elevadas que acabaram por não se concretizar. 

Gostei de o ler, mas, considerando que ler um livro nos leva a passar por algumas transformações internas, senti que não aconteceu absolutamente nada durante a leitura deste livro de Natsu Miyashita. Entrei e saí igual. 

A história foca-se na afinação de pianos e há muitos aspectos curiosos a respeito desse oficio que aqui são transmitidos. Aliás, talvez seja essa a parte mais interessante de todo o livro... Pelo menos, foi o que eu achei!


https://www.goodreads.com/review/show/7478230619

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

"Terra de Neve" de Yasunari Kawabata



"Terra de Neve" de Yasunari Kawabata
Publicações Dom Quixote, 2003
176 Páginas

"Terra de Neve" tem, na minha perspectiva, argumento para ser um livro belíssimo, mas não é, não foi bem isso que sucedeu aqui. 

Não sei se foi da tradução, se foi de Yasunari Kawabata... Pareceu-me um livro muito desarticulado, confuso e disperso. Há partes com potencial para serem de qualidade... só que ficam aquém. Tive inclusive alguma dificuldade em reconhecer a bonita e lírica escrita de Kawabata nesta obra.


https://www.goodreads.com/review/show/7339494279

domingo, 12 de janeiro de 2025

"Uma Noite na Livraria Morisaki" de Satoshi Yagisawa



"Uma Noite na Livraria Morisaki" de Satoshi Yagisawa
Editorial Presença, 2024
160 Páginas


Li "Uma Noite na Livraria Morisaki" logo a seguir a "Os Meus Dias na Livraria Morisaki". Não é habitual ler as continuações de imediato, mas queria muito saber o que aconteceria a Takako, a Momoko e a Satoru. E a leitura fluia... demasiado bem. 

O autor manteve o estilo e não desiludiu. E mais uma vez a Livraria Morisaki volta a ser um lugar "salvador" de vidas perdidas ou que se estão a perder. Tal como o são os livros... Os livros salvam-nos!

Gostei muito e acho que ficarei com a personagem da tia Momoko na mente por algum tempo! 


https://www.goodreads.com/review/show/7187140870

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

"Os Meus Dias na Livraria Morisaki" de Satoshi Yagisawa



"Os Meus Dias na Livraria Morisaki" de Satoshi Yagisawa
Editorial Presença, 2023
144 Páginas

Gosto de ler autores japoneses e ainda que "Os Meus Dias na Livraria Morisaki" não apresente propriamente um rasgo de genialidade na história e na forma como está escrito, é um livro que consegue trazer consigo uma bonita e especial mensagem: o poder dos livros enquanto forma de aproximação entre as pessoas, contribuindo para potenciar e melhorar a expressão de sentimentos e emoções. 

É na livraria Morisaki, pertencente ao seu tio, que a jovem Takako dá a volta à sua vida e descobre o gosto pela leitura. Mas é também aqui que redescobre o seu tio Satoru e a tia Momoko (uma personagem cujo aparecimento e desaparecimento está envolto em algum mistério). Aliás, para mim, a história ganha e muito com a tia Momoko e a bonita relação de aproximação que acaba por se desenvolver entre ela e Takako, mas também entre Takako e o tio Satoru. Takako será um importante elo de ligação entre os dois e a responsável pela descoberta da história da tia.


https://www.goodreads.com/review/show/7171652413


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

"Memórias de um Gato Viajante" de Hiro Arikawa



"Memórias de um Gato Viajante" de Hiro Arikawa
Editorial Presença, 2019,
232 Páginas


Tal como o título deixa antever "Memórias de um Gato Viajante" de Hiro Arikawa é narrado por um gato. Um gato de rua que um dia é salvo por um humano, acabando por se tornar no melhor amigo deste. O gato é leal ao humano e aprende a gostar dele, o humano fala e lida com o gato como se de outro humano se tratasse, mas uma desafiante circunstância da vida fará com que o humano queira confiar o gato a alguém que possa tratar dele... como ele merece. 

Só numa fase bastante avançada da leitura ficamos a perceber o real motivo do humano querer encontrar um novo dono para o seu amigo gato. E o motivo é bonito e triste ao mesmo tempo, acabando, todavia, por reforçar a envolvência da história e a sua beleza.

"Memórias de um Gato Viajante" podia ser um livro triste. Podia, pois. Mas... Está longe de o ser e tive momentos em que soltei sonoras gargalhadas com as observações do gato... como, por exemplo, quando diz que as baratas "têm um sabor encorpado". 

Diria que é acima de tudo um livro sobre amizade e lealdade... até ao fim. E gostei mesmo muito de o ler. 


https://www.goodreads.com/review/show/6984545251

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

"O Que Procuras Está na Biblioteca" de Michiko Aoyama



"O Que Procuras Está na Biblioteca" de Michiko Aoyama
Lua de Papel, 2022,
272 Páginas


Gostava de conhecer uma senhora como Sayuri Komachi... que tecla no computador daquela forma, oferece listas de livros entre os quais figura sempre um com um título ou temática peculiar e ainda os faz acompanhar de um simpático e simbólico brinde em feltro. E, para além de tudo isso, ouve quem vai à procura de determinado livro - como se procurasse uma remédio para algo - e tece comentários que mais tarde ou mais cedo acabam por ajudar o leitor em causa a reorientar-se na sua vida. Muito interessante!

"O que Procura está na Biblioteca" é uma leitura leve, mas muitissimo agradável. Dá para descansar nas suas páginas e recuperar leveza nas ideias. Foi uma excelente recomendação... que eu também recomendo. 

https://www.goodreads.com/review/show/6824892764

quinta-feira, 6 de junho de 2024

"Kyoto" de Yasunary Kawabata



"Kyoto" de Yasunary Kawabata
Publicações Dom Quixote, 2017
150 Páginas


"Kyoto" de Yasunari Kawabata é um livro belo. Kawabata tem, para mim, uma escrita muito bonita e é sobretudo isso (mas não apenas, claro) que me fascina nos seus livros. 

Nesta história, entre duas irmãs que são separadas à nascença e criadas em meios completamente distintos, aprende-se muito sobre Quioto (que foi a capital japonesa antes de Tóquio) e a sua cultura. 

As descrições das cerejeiras em flor e da floresta dos cedros são momentos verdadeiramente mágicos neste livro, bem como a forma como as duas irmãs - sendo de mundos tão diferentes - se aproximam e se afastam.

https://www.goodreads.com/review/show/6560025436


domingo, 30 de julho de 2023

"A Casa das Belas Adormecidas" de Yasunari Kawabata




"A Casa das Belas Adormecidas" de Yasunari Kawabata
Publicações Dom Quixote, 2017
158 Páginas

"A Casa das Belas Adormecidas" do japonês Yasunari Kawabata é, segundo consta, a obra que terá inspirado Gabriel García Márquez a escrever "Memória das Minhas Putas Tristes", outro livro que li há vários anos atrás e gostei muito. 

As belas adormecidas mais não são do que jovens virgens que se encontram a dormir numa casa, sob o efeito de sedativos, onde idosos não sexualmente activos resolvem ir passar a noite... também eles sedados depois de contemplarem o corpo nu das mesmas. "Só isso", leva Eguchi, a nossa personagem principal numa viagem pela sua memória, recordando algumas das relações que teve e manteve com mulheres na sua vida há anos atrás. 

Para mim, o mais belo em "A Casa das Belas Adormecidas" é a reflexão que o autor nos leva a fazer sobre a vida e a morte, a humanidade e a desumanidade, o estar a dormir e o estar acordado, a velhice e a juventude, a impureza e a pureza. A isto acresce, como não poderia deixar de ser, a qualidade da sua escrita e das imagens que evoca... Sublime! 

https://www.goodreads.com/review/show/5727286689


quarta-feira, 19 de junho de 2019

Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami


"Homens sem Mulheres" de Haruki Murakami
Casa das Letras, 2018
250 Páginas

"Homens sem Mulheres" é essencialmente um livro sobre solidão. Murakami traz-nos sete histórias de sete homens, sem outra ligação entre si para além de serem sete homens que terminam sem mulheres... 

Envolvente, por vezes estranho, o autor tem o dom de nos deixar vários dias (os da leitura e os pós leitura) a pensar no que acabámos de ler... Inquieta. Volve e revolve o que temos cá dentro... E por muito "bizarras" (?!) que sejam as histórias, acabamos por estabelecer um qualquer paralelismo com a nossa própria vida. Portanto, sendo o meu terceiro livro de Murakami, aviso já que não será o último...

Comparativamente às mulheres, parece-me que os homens levam muito mais tempo a se apaixonar. E quando falo em apaixonar, falo em algo que ultrapassa aquele fogo, aquele impulso, quase que cegueira inicial que tão depressa como chega, ainda mais depressa se vai. Isto não é uma crítica; é o que é. Homens e mulheres "funcionam" de forma diferente. Porém, quando se apaixonam, é mesmo a sério... E parece-me também que muitos depois de atingirem esse estado e apanharem uma tremenda desilusão (não tiveram sorte, tal como também tantas vezes as mulheres não têm), ficam como que... uma dificuldade adicional (porque desacreditam e constroem muros) em se voltarem a apaixonar... Como escreve a dada altura Murakami, perdem aquela mulher e perdem, consequentemente, todas as mulheres. 

Não estamos, todavia, diante de um livro melodramático ou romântico a roçar o piroso. Nada disso. Murakami dá-nos a conhecer a perspectiva dos homens sobre a ausência/a perda das mulheres. E isso é, para mim, extremamente interessante. Porque ao contrário do que se pensa, os homens também sentem e sofrem por amor... simplesmente, não falam acerca disso na maior parte das vezes. 

...

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Um Artista do Mundo Flutuante, de Kazuo Ishiguro

"Um Artista do Mundo Flutuante" de Kazuo Ishiguro
Gradiva, 2018
248 Páginas

Este é o segundo livro que leio de Kazuo Ishiguro (o primeiro, recordo, foi "The Remains of the  Day", lido no original em língua inglesa) e creio já ter uma ideia daquele que é o estilo característico do autor...

A julgar pelas duas personagens principais (uma por livro, entenda-se), Ishiguro parece gostar de remexer no passado, nem sempre bem resolvido, procurando com as suas histórias desfazer os "nós" existentes, dar um rumo novo e, em certa medida, uma lição de esperança (?). 

As últimas páginas de "Um Artista do Mundo Flutuante" são mais optimistas do que as de "The Remains of The Day", mas curiosamente a personagem principal do primeiro não me conseguiu dizer tanto como o mordomo Stevens. 

A história passa-se no Japão pós Segunda Guerra Mundial, numa sociedade cheia de traumas mal resolvidos (o militarismo que se deve esconder/desaparecer e a influência americana que alguns entendem servir para esbater o que "é e significa" ser japonês, ...). E é neste contexto que a personagem principal, um pintor reformado, Masuji Ono, surge. 

Uma das coisas que mais apreciei neste livro foi o sentido da expressão "mundo flutuante"... Diria que foi mesmo uma das partes mais interessantes para mim neste livro, uma vez que remonta para a magia que a noite tem. Uma magia que se esvai quando amanhece e tudo volta à normalidade...!


terça-feira, 4 de junho de 2019

Chá e Amor, de Yasunari Kawabata



"Chá e Amor" de Yasunari Kawabata. 
Nova Vega, 2017
142 Páginas

Bonito, mas melancólico. Num certo sentido, frustrante e não falo na forma como está escrito, falo mesmo na história e no modo como as personagens se posicionam em relação ao amor. Creio ter sido esta a grande ideia que me ficou de "Chá e amor", já lido há uns dias. 

A solidão. É isso, a solidão. O deitar tudo a perder (se é que havia algo a perder) e ficar agarrado a uma ideia de perfeição inexistente ou a um amor passado tentado projectar noutra pessoa, procurando repeti-lo/encontrá-lo exactamente como era ou se achava que era sem sucesso... O amor que se tem nas mãos, sem se valorizar, e se perde para sempre, passando depois de perdido a fazer sentido e a fazer falta... 

Foi isto que eu não gostei, embora tenha gostado do livro, por exemplo, da forma sugestiva, mas delicada e elegante, como o autor aborda a atracção e a relação carnal e o chá como uma "importante cerimónia" na cultura japonesa.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

The Remains of the Day, de Kazuo Ishiguro

"The Remains of the Day" de Kazuo Ishiguro
Faber and Faber, 2010
258 Páginas


Quando estava a ler "The Remains of the Day" (na edição portuguesa: "Os Despojos do Dia"), não consegui perceber o real e verdadeiro significado que esta história do mordomo Stevens estava a adquirir para mim... Aliás, só quando terminei o livro e pensei: e agora? E agora não há mais sr. Stevens? 

Normalmente, fico "presa" a histórias, não tanto a personagens. Há excepções, contudo. E estou até a lembrar-me de umas quantas, mas concentremo-nos neste mordomo sem mais demoras. Aquilo que me "prendeu" ao sr. Stevens não foram propriamente as suas qualidades humanas, em relação às quais tive momentos em que o que me apeteceu foi chamá-lo à atenção, mas a sua total e irrepreensível dedicação ao trabalho. E, por consequência, essa total e irrepreensível dedicação ao trabalho significou sacrificar a sua vida pessoal... na sua essência de forma incontornável e irreparável (?). Isso deixou-me cativa. Até porque não é assim tão dificil nos dias que correm cair nessa armadilha e assistir à vida a passar-nos ao lado... E será que vale a pena? Será que aquilo que perdemos compensa aquilo que ganhamos? Creio que esta é a grande mensagem que me vai ficar deste mordomo, que acaba por ser também um exemplo de como os ingleses são extremamente rigorosos com o trabalho (algo de que já me tinham falado). 

Para além da personagem gostei da escrita e do estilo de Ishiguro. Voltarei com todo o gosto a ler mais livros escritos por este autor. Valeu a pena e o meu receio inicial de sofrer interferências entre a leitura em língua inglesa deste livro e a leitura em língua alemã de outros mantida em simultâneo, que foi o que me levou a deixar este livro tantos meses parado (e a ter de recomeçar), revelou-se infundada. Consegui ler nos dois idiomas ao mesmo tempo sem qualquer problema. Desafio superado!