quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Livro do Hygge. O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz, de Meik Wiking

"O Livro do Hygge. O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz" de Meik Wiking 
Edições Zero a Oito, 2017
285 Páginas

Dos países estrangeiros que já tive oportunidade de visitar, a Dinamarca é um daqueles com que mais me identifico no que respeita à sua cultura e ao modo como encaram a vida. Foi uma espécie de amor à primeira vista quando visitei Copenhaga. Chorei (e eu não sou lá muito chorona) no último dia e pensei: tenho de cá voltar. E voltarei. Não sei quando, mas voltarei. Para ver o que não vi, o que ficou por ver. 

Daí que quando há alguns meses atrás começaram a ser publicados vários livros sobre o "Hygge" em Portugal, correspondendo este ao "segredo dinamarquês para ser feliz", fiquei curiosa e depois de ler um comentário feito ao presente livro decidi-me por este. 

Porquê? Não é um livro teórico, nem demasiado abstracto sobre esta "filosofia de vida". Está cheio de imagens do "Hyyge", bem como receitas e muitas, muitas ideias para o colocar em prática no dia-a-dia. Porque o "Hygge" consiste em tirar partido das pequenas coisas do e no dia-a-dia, e não ocasionalmente (nas férias ou nas alturas festivas, por exemplo); é algo de sempre e que se supõe ser mantido sempre. E, segundo o autor, Meik Wiking, é isso que explica o facto da Dinamarca ser um dos países mais felizes do mundo. Isso e um Estado-providência digno desse nome, como Wiking, que é Presidente do Happiness Research Institute, reconhece. Porque quer se queira, quer não, a instabilidade financeira compromete em muito a felicidade. Sem estabilidade e sem forma de sobreviver/subsistir não é fácil ser-se "hygge" também e, por inevitabilidade, começam a surgir as doenças físicas... Mentais... Mentais e físicas!

No essencial, este livro parece-me um bom ponto de partida não só para se ser mais feliz, como também para compreender melhor a cultura dinamarquesa. E pronto, admito, fiquei de "alma lavada"!

*
https://www.goodreads.com/review/show/2005146732

terça-feira, 23 de maio de 2017

Equador, de Miguel Sousa Tavares

"Equador" de Miguel Sousa Tavares
Clube do Autor, 2016
510 Páginas



Gosto de Miguel Sousa Tavares, o escritor. Gosto mesmo. E gosto ainda mais quando escreve livros de crónicas (o que não é o caso)...!

Li um quase romance,"No teu Deserto", e este "Equador", romance, ficar-me-á na memória sobretudo e acima de tudo pelas características da sua personagem principal, Luís Bernardo. 

Identifiquei-me com o seu sentido de justiça (aqui relativamente à questão da escravatura), sendo que em algumas circunstâncias identifiquei-me também  muito com o tipo de sentimentos e emoções experimentados por ele durante a sua vivência em São Tomé e Principe, embora nunca lá tenha estado e tenha muita curiosidade em conhecer este país. É verdade que a paisagem nos desperta para determinados estados de espírito, mas é igualmente verdade que estes só se manifestam de determinada forma porque já cá estão connosco (têm em nós a sua semente)...! 

Talvez tenha sido isso mesmo o explica a trajectória de vida desta personagem e o seu desfecho. Essa fuga desenfreada da paixão cega e louca porque, na verdade, estamos apenas diante de um boémio, mulherengo, que escapa de algo que sabe poder fazê-lo perder o tino e o norte.

E concordo com Eduardo Lourenço e com o comentário crítico que faz em relação à obra e que acompanha a mesma... "Equador" tem qualquer coisa de queirosiano. Sendo obras e escritores de épocas diferentes, lembrei-me muito de "Os Maias"no decorrer da leitura de "O Equador". E não foi só por causa da forma como o adultério se proporciona... É a descrição da própria sociedade, todo o cinismo e intriga social, muito bem retratados na minha perspectiva.

https://www.goodreads.com/review/show/1994203415

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Pinturas da Natureza. Uma Antologia, de Alexander von Humboldt

"Pinturas da Natureza. Uma Antologia" de Alexander von Humboldt
Assírio & Alvim, 2007
206 Páginas


Quanto mais leio sobre e de Alexander von Humboldt mais fã me torno...

Humboldt foi um homem muito à frente do seu tempo. Um cientista cujas teorias elaborou depois de muito conhecimento prático. Viajou pela Europa, foi no continente americano que fez a viagem da sua vida (usando a herança deixada pela morte da mãe) e esteve também na imensa Rússia. Era no contacto directo com a natureza que sentia feliz e realizado!

Pode dizer-se que foi um dos fundadores da moderna Geografia, falou das mudanças climáticas quando ninguém pensava sequer nisso (viveu entre o século XVIII-XIX) porque depressa percebeu o poder transformador, e em alguns casos destruidor, que o homem poderia ter em contacto com a natureza. 

Embora sendo prussiano, adorava Paris, onde, sempre que possível procurou viver. Sempre quis conhecer a Índia, mas não conseguiu: nem financiamento, nem autorização. Vivia, por causa desta sua paixão, sempre no limite das suas finanças e o pouco que tinha usava-o para financiar outros jovens cientistas. 

E poderia continuar... Não o vou fazer, porém. A ideia é dar-vos a conhecer o suficiente para perceberem o porquê de eu me dizer "fã" ou fascinada pela vida e obra deste senhor. Vamos agora ao livro "Pinturas da Natureza", uma antologia, reunindo excertos de várias das suas obras, entre as quais aquela que é considerada a sua principal obra, "Kosmos". 

O livro é constituido por quatro partes: uma primeira designada de "Perspectivas da Natureza", uma segunda de "Viagem às regiões equinociais do novo continente nos anos de 1799, 1800, 1801, 1802, 1803 e 1804", uma terceira onde podemos encontrar os "Diários de Viagem" e uma quarta e última "Cosmos. Esboço de uma Descrição Física do Universo". 

Vale a pena lê-lo. Dá para ficar com uma visão abrangente da sua obra, ao mesmo tempo que nos permite conhecê-la de perto, o que é um achado, sobretudo porque não tenho conhecimento da existência de outras traduções de alemão para português do seu trabalho.  Em alguns casos, sentimo-nos em lugares longínquos a "experimentar a vida junto da natureza" com Humboldt. É muito interessante, acreditem...!

https://www.goodreads.com/review/show/1912491298

As Mais Belas Histórias, de Hermann Hesse



"As mais belas histórias" de Hermann Hesse
Casa das Letras, 2003
289 Páginas



Gosto de ler Hermann Hesse. É um dos meus escritores alemães preferidos e acredito que Hess tenha escrito um bom livro, mas a verdade é que, apesar de bem escrito, "As mais belas histórias" não me transmitiram grande coisa, não me fizeram vibrar, não me agarraram quase nunca, com excepção de um conto, "O Mendigo". 

Vi-me grega para chegar ao fim (que parecia nunca mais chegar) e tive pressa de o terminar. Senti-me, muitas vezes, alienada do que estava a ler, superficial, desconcertada. E estas não são sensações que costume ter com Hesse. Não sei o que se passou. Terá resultado do meu exagerado e já incontrolável cansaço? Do stress em que tenho andado nos últimos dias? Não sei. 

Sei, todavia, que nunca fui, desde que entrei na adolescência e agora em adulta, grande adepta de livros de contos. Sabem-me sempre a pouco. Acho-os pouco intensos, demasiado rápidos e pouco imprevistos. Será mania minha? Talvez. Espero um dia perceber...!


https://www.goodreads.com/review/show/1994203846

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Miniaturista, de Jessie Burton



"O Miniaturista" de Jessie Burton
Editorial Presença, 2015
404 Páginas

A história de "O Miniaturista" passa-se na cidade de Amesterdão do século XVII e concentra-se essencialmente na familia de um abastado mercador que decide oferecer à esposa (recém-casada) uma casa em miniatura, réplica daquela em que vivem. As miniaturas que vão chegando, sobretudo das figuras directa ou indirectamente relacionadas com a casa daquela familia são prenúncios do que virá a acontecer futuramente... Mas ninguém perceberá isso até os acontecimentos começarem a ocorrer sucessivamente e a coincidir com o aspecto discreto das figuras. 

No entanto, o centro da história parece encontrar-se numa característica, na altura muito escondida por quem a possuia (refiro-me à homossexualidade), da vida do mercador e é a descoberta dessa mesma característica que alterará substancialmente o rumo da história, tornando-a, a meu ver, muito mais interessante, como se uma tempestade irrompe-se naquela casa e naquela familia. 

"O Miniaturista" tem uma história bonita que demora, todavia, a cativar (foi esta a minha experiência), algumas passagens, dirigidas principalmente às mulheres,  curiosas e cheias de força e permite-nos ficar com uma melhor ideia do que era a Holanda do século XVII, sobretudo no que dizia respeito ao papel do comércio, da mulher (que apesar de tudo até me parece poder ser "mais livre" do que era comum nesta altura) e da própria homossexualidade. E deixa-nos a pensar... Gostei.

https://www.goodreads.com/review/show/1982149917

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Empurrado para o Pecado, de Monica James


"Empurrado para o Pecado" de Monica James
Planeta, 2017
389 Páginas

Comparativamente ao primeiro volume "Viciado no Pecado", este livro é menos psicológico, o que me deixou alguma pena porque essa característica agradou-me bastante no outro livro. A história torna-se, em contraste, mais romântica, sem ser melosa e pirosa, sem roçar sequer o estilo da escrita de Nicholas Sparks (desculpem-me os fãs de Nicholas Sparks, mas não é de todo o meu género), por exemplo. 

Encontrei alguns traços em comum com outras obras deste género e isso aborreceu-me um pouco. Por que é que o casal destas histórias tem sempre de ir parar a Itália num clima de tórrido romance e o homem tem de levar o portátil para consultar o estado do seu trabalho? 

À parte disso, gostei do livro e fiquei, com alguma curiosidade, de ler outros livros desta autora. Parece-me que esta história termina aqui (e não será uma trilogia), embora não haja qualquer sinal que confirme ou desminta isto. Se a história fica por aqui, devo dizer que fica muito bem...! 


https://www.goodreads.com/review/show/1982150664

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mademoiselle Chanel, de C.W. Gortner

"Mademoiselle Chanel" de C.W. Gortner
Topseller, 2016 
478 Páginas


Fãs de Chanel-mulher, fãs de Chanel-marca, fãs de moda, curiosos apenas:

Aqui está um livro, ainda que romanceado, sobre a vida e obra de Gabrielle Chanel que vale mesmo a pena ler. O autor, C.W.Gortner, é um fascinado assumido de Chanel e isso nota-se perfeitamente na qualidade do romance que nos apresenta, indo para além da vida da original e irreverente Gabrielle e apresentando-nos, nos momentos certos, as inovações trazidas para o mundo da moda: roupa elegante e confortável, o preto como soma de todas as cores, o perfume Chanel n.º 5, entre outros, só para dar alguns exemplos.  

Esta é, de facto, uma leitura que nos enriquece. Aprende-se muito sobre Chanel, a mulher e a obra porque, na verdade, são apenas uma só. Chegamos ao fim e ficamos com Chanel entranhada em nós. Independente, corajosa, criativa. Audaz, forte, inovadora. Uma mulher à frente do seu tempo. 

Finalmente, cumpre-me acrescentar que é o segundo romance que leio sobre Gabrielle Chanel (o primeiro foi "Coco" de Cristina Sánchez-Andrade) e, apesar de ter adorado o outro, acho que este consegue ser muito mais completo...! 

https://www.goodreads.com/review/show/1973253517