sábado, 31 de março de 2018

Xeque ao Rei, de Joanne Harris


"Xeque ao Rei" de Joanne Harris
Editorial Presença, 2005
425 Páginas

"Xeque ao Rei" foi um dos livros de Joanne Harris, cujo tema nunca me atraiu particularmente (apesar de eu em pequena adorar a escola e em adulta dizer repetidas vezes que já devia ter nascido na Faculdade), e que acabei por deixar para ler por último. Li até à data praticamente tudo o que ela escreveu, embora não me tenha sentido atraída (ainda; o que não quer que um dia não mude) a ler os livros das runas que publicou. E agora peguei neste. 

Bem, que posso dizer? Quando um livro não me atrai à primeira vista só duas coisas costumam a acontecer: ou estou redondamente enganada e começo a lê-lo e adoro e lamento por não "ter privado" antes com ele a sério; ou estou redondamente certa e mesmo depois de o ler, continuo a achar que o livro não me conseguiu levar e fico uns dias a pensar numa relação tinha quase tudo para funcionar a 100% e nem lá perto chegou. Na maioria das vezes, é a segunda que mais acontece. Isto é, leio o livro e chego à conclusão que aquele livro não é para mim. Foi o que senti aqui.

O livro está bem escrito, é inteligente, é misterioso e a autora continua com o mesmo talento para me fazer pensar "gosto mesmo de ler o que esta senhora escreve", porque tem um estilo muito próprio, mas depois... Fico com vontade de chegar depressa ao fim e ler outro livro. E sinto-me ausente. Incompleta. E perdida. Não me consegui encontrar em "Xeque ao Rei". 

Confusos? Pois, eu também. É um bom livro. Porém...  Ou não é para mim de todo ou talvez seja melhor dar-lhe outra oportunidade daqui a algum tempo e lê-lo noutro momento da minha vida... !

https://www.goodreads.com/review/show/2312077711

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Henry & June. Do Diário Íntimo de Anaïs Nin, de Anaïs Nin


"Henry & June. Do Diário Íntimo de Anaïs Nin" de Anaïs Nin
Editorial Presença, 2002
224 Páginas


Anaïs Nin era o que se pode chamar de uma mulher emocionalmente instável, inconstante e demasiado intensa, carente e insegura, mas ao mesmo tempo um espírito livre e curioso que, ao longo deste diário íntimo, se descobre e redescobre sob o ponto de vista sexual (e erótico), através das relações que mantém com vários homens (para além do marido) e também com uma mulher. 

Henry & June são Henry Miller e a respectiva mulher June. Anaïs relacionar-se-à com ambos, sendo que estes têm, digamos assim, um papel central na obra, o que justifica o título. A relação com o escritor Henry Miller parece-me ser a mais marcante de todas, na verdade.

Se estão neste momento a pensar que este livro se trata de um diário marcadamente sexual desenganem-se porque também nos é dado a conhecer todo o enquadramento emocional de Anaïs, sobretudo em virtude das visitas que ela faz ao psicanalista e que são abordadas a partir de determinada altura na obra. 

O diário mantém um fio condutor interessante e, a meu ver, constante (sem ser monótono), já que se foca marcadamente na intimidade de Anaïs e no turbilhão de emoções que a acompanham. E talvez por isso o estilo de escrita esteja longe de ser superficial...!

E sim gostei do que li. Tendo em atenção o tema, achei o livro bonito. Bem escrito. E em momento algum tive vontade de o deixar a meio...! Talvez também porque, de alguma forma, me revi na intensidade emocional (por vezes em demasia) com que Anaïs Nin vive tudo.  
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https://www.goodreads.com/review/show/2280261866

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Diários. Diários de Viagem, de Franz Kafka


"Diários. Diários de Viagem" de Franz Kafka
Relógio D'Água, 2014
690 Páginas



São, muitas vezes, páginas soltas. Às vezes, quando Kafka tece as suas observações sobre esta e aquela pessoa, sobre esta e aquela vida, parece que se constrói uma história. Outras vezes, ele fala dele, do que sente e do que deixa de sentir, desse veneno que é a necessidade de se isolar, alhear de tudo e escrever. E eu gosto particularmente desses momentos de introspecção, em que o estado de alma sai a correr a gritar sem que ninguém o consiga agarrar... Esse estado meio bêbado, meio louco, meio febril, em que a máscara cai e a sinceridade vem à tona. 

Penso que é essa crueza, essa frieza quente, essa brutalidade apaixonada que Kafka tem na escrita que me fazem continuar com vontade de ler mais obras suas e lamentar o facto dele não ter vivido mais para escrever também mais. 

Este livro não é o meu preferido dos três que li de Kafka ("A Metamorfose" e "O Processo" foram os outros dois), lugar ocupado pelo "O Processo", mas eu gostei. Apesar de ao início me ter sentido, de algum modo, perdida pelo facto de estar a ler um diário, páginas soltas, em que o elemento de ligação são as observações do autor relativamente a si próprio e ao que está à sua volta. Mas um diário é isso mesmo...! 

https://www.goodreads.com/review/show/2230977635

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O Livreiro de Paris, de Nina George






"O Livreiro de Paris" de Nina George 
Editorial Presença, 2017
325 Páginas


O problema de criar grandes expectativas é exactamente o facto de que estas podem também criar grandes frustrações... Acredito que "O Livreiro de Paris" seja um bom (eventualmente muito bom)livro para muitas pessoas, mas não o foi para mim. Sinto que só tivemos uma vez em sintonia um com o outro. O resto do tempo passámos ao lado um do outro e foi cada qual à sua vida.

Estava à espera de uma farmácia literária, sendo que isso a partir de certa altura deixou de fazer sentido na história porque a mesma passou a concentrar-se quase na totalidade no amor e na desilusão amorosa do livreiro, Jean Perdu. Toda ela a tender para o demasiado trágico (desculpem a sinceridade; foi o que senti) e eu quando leio ficção gosto de sonhar; não me apetece levar mais murros no estômago... Também cheguei a pensar que teriamos aqui algo na linha do "Cemitério dos Livros Esquecidos", aqueles maravilhosos quatro livros do Zafón (os melhores que li este ano), ainda que ligeiramente diferente e nada... Que decepção! Nem lá próximo. Biblioterapia aqui? Nem por isso. 

Por outro lado, tive uma grande dificuldade em compreender as relações entre as personagens e quem era quem. Cheguei ao fim da história sem perceber! E isso deixou-me com a sensação de ter deixado passar o autocarro que precisava para chegar o meu destino (julgava eu), sem nunca ter dado conta de que ele já tinha passado por mim, continuando na paragem a aguardar pela sua passagem... Frustrante!

Finalmente, e porque não foi tudo mau e já "reclamei" o suficiente, gostava de me referir à existência de algumas frases bastante acertadas e dignas de nota acerca do modo de amar da mulher, do medo e do tempo. Estas, sim, valeram muito a pena!

https://www.goodreads.com/review/show/2196993839

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich

"Vozes de Chernobyl" de Svetlana Alexievich
Elsinore, 2016
328 Páginas


Não consegui ler este livro rápido e acho que também não dá para o ler rápido... 

O cansaço tantas vezes em demasia tomou conta de mim com frequência neste cerca de mês e meio, sendo que ler por ler é coisa que não me apraz de todo. Para isso é preferível ficar quieta! O tempo fugiu como areia entre os dedos e tive que fazer as minhas opções em função daquilo a que estava obrigada e o livro ficava para os dias menos agitados e com maior possibilidade de concentração. 

Imagino que estejam a pensar que "Vozes de Chernobyl" seja uma seca, um tédio daqueles dificeis de aguentar e que eu estou para aqui a inventar desculpas para dizer a verdade. Desenganem-se! 

Eu gostei muito do livro. De verdade. E comparando com tudo o que li desde Abril este foi um livro que me encheu as medidas, mas que não dá para ler de ânimo leve. 

O assunto é sério. Muito sério. Neste momento, diz-me muito por razões pessoais. Não pude deixar de chorar sufocada quando comecei a lê-lo e a pensar que ir para Chernobyl ou viver em Chernobyl é um atestado de morte certa e para breve; é a promessa de sofrimento garantido mesmo passados trinta e um anos do acidente nuclear. Posso dizer-vos que passei de não ter opinião formada sobre a energia nuclear a ser totalmente contra. O dinheiro pode justificar quase tudo, mas não pode ser tudo, sobretudo quando o que está em causa é a destruição, o sofrimento e a morte. 

"Vozes de Chernobyl" devia ser (e penso que já é) um livro de leitura obrigatória assim que se começa a saber pensar. Para que se possa compreender o poder destrutivo e descontrolado que a acção humana pode ter na sua capacidade para criar e transformar o meio envolvente de acordo com as suas necessidades. 

E tem de se ler devagar, mesmo que se tenha tempo e cabeça para o fazer mais rápido. Não é fácil digerir alguns dos testemunhos aqui presentes, nem tão pouco saber que já houve e há tanta gente a sofrer (e a morrer mesmo) por causa daquele maldito acidente nuclear! Até crianças nascidas muito depois de tudo... 


https://www.goodreads.com/review/show/2152780140

sábado, 14 de outubro de 2017

Domina, de L.S.Hilton


"Domina" de L.S. Hilton
Editorial Presença, 2017
334 Páginas

Gostei, mas não adorei.... 

Para mim, "Maestra", primeiro volume desta trilogia, foi sobejamente melhor, apesar das críticas desfavoráveis à frieza da personagem principal, a meu ver sem qualquer fundamento. Não é suposto um thriller ter personagens que são dignas de exemplo a seguir. Infelizmente, há no mundo gente com condutas menos próprias ou com patologias mentais passiveis de não sentir qualquer tipo de remorso ou compaixão quando praticam o mal. E convivem connosco na Terra, sendo que não podemos agarrar nessas pessoas e enviá-las para fora do planeta. Tão pouco podemos fechar os olhos à sua existência.

Neste sentido, eu gostei de ler a história de Judith no primeiro livro. Fria, impassível, cruel. E gostei e admirei a personagem porque nada tem a ver comigo. Há certamente uma Judith (ou mais) aí perdida pelo mundo e eu gosto de ler, pensar e "estudar" a dita personagem e o seu comportamento, tal como faço com as outras, para quando me cruzar com alguém que possa ter alguma semelhança não ser surpresa. Acho fascinante conhecer personagens diferentes de mim. Aprende-se muito assim. Acreditem!

Neste livro, assistimos a uma tentativa de humanização de Judith, que surge insegura, medrosa... E da maneira que isso foi feito... Não fiquei particularmente fã. É a minha perspectiva. 

Contudo, quando for publicado o terceiro volume, sou bem capaz de voltar a esta história. Gosto do argumento. E acho que merece outra oportunidade. Além do que a leitura deste segundo volume apanhou-me numa fase de cansaço em demasia, desinteresse, desmotivação,  própria do trabalho que estou a desenvolver e admito que isso possa, num certo sentido, ter condicionado a minha apreciação da obra...

https://www.goodreads.com/review/show/2114964087

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Nos Passos de Santo António, de Gonçalo Cadilhe


"Nos Passos de Santo António. Uma Viagem Medieval" de Gonçalo Cadilhe
Clube do Autor, 2016
188 Páginas 




É o segundo livro que leio escrito por Gonçalo Cadilhe (o primeiro foi "No Principio estava o Mar") e voltei a gostar do estilo do autor. Cadilhe tem feito da arte de viajar e da escrita de viagens a sua vida, sendo que, em "Nos Passos de Santo António", o centro da história é a vida de Santo António, um santo da idade média, desde o seu nascimento em Lisboa, passando por Coimbra, onde estudou, abordando a sua viagem pelo norte de África e a sua chegada a Pádua, onde morreria entre os trinta e muitos e os quarenta anos. 

Cadilhe percorre o caminho de Santo António, omitindo algumas cidades por questões de economia temporal, até à sua chegada a Pádua, uma cidade rica. E durante o trajecto vamos aprendendo aspectos muito interessantes acerca deste santo, de Portugal Medieval, das gentes e dos costumes locais, investigados previamente por Cadilhe e, em alguns casos, conhecidos no contacto deste com as gentes locais no decorrer da viagem.  

No meu caso em particular aquilo que fez querer este livro não foi propriamente uma motivação de origem religiosa, mas sim uma razão de origem cultural. O dia 13 de Junho, feriado em Lisboa, uma festa popular dedicada a Santo António, enche as ruas dos bairros históricos da cidade de gente que come sardinhas e dança nas ruas numa imensa alegria. Come e bebe, note-se. Há música (popular) até às tantas. E ele até tem aqui a fama de santo casamenteiro, aspecto que, por exemplo, não encontrei sequer referido no livro, mas cuja razão/origem gostava de conhecer... Adoro a véspera desse dia, apesar de toda a confusão (que quando excessiva, como tem sido nos últimos anos, lhe retira muito da magia). Lisboa pára para essa festa, Lisboa sai à rua e dança e pula... E isso é muito bonito de se ver. 

Regressando uma vez mais ao livro, gostei do que li. Demorei a ler porque tenho andado mais cansada do que o costume e, talvez, porque esteja a precisar de leituras que me entusiasmem mais. Isto não é uma crítica desfavorável a este livro. Há livros cuja leitura se faz melhor numa altura do que noutra, sendo que tal não lhes tira o valor. Muito provavelmente estou a precisar, neste momento, de algo diferente. No entanto, isto foi só um à parte! 

De assinalar de forma muito positiva é o facto do livro dispôr de mapas, antes dos capítulos, o que facilita a leitura, ainda para mais, tratando-se de um livro de viagens a lugares onde muitos de nós ainda nem sequer estiveram. E têm dois conjuntos de páginas cheias de fotografias dos locais por onde o autor passou, seguindo os passos de Santo António, bem como uma cronologia que coloca, lado a lado, em comparação a evolução da história da vida de Santo António com a história da Europa. O livro é interessante, especialmente para os curiosos/admiradores deste Santo de Lisboa (e não de Pádua, como se diz, por ele aí ter morrido). 

https://www.goodreads.com/review/show/2089702410