sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sissi, a atormentada vida da Imperatriz Isabel, de Catalina de Habsburgo-Lorena


"Sissi, a atormentada vida da Imperatriz Isabel" de Catalina de Habsburgo
Esfera dos Livros, 2010
302 Páginas

Comecei a ler este livro em 2010/2011, mas a minha vida entrou num turbilhão e eu fui obrigada a arrumá-lo na estante sem o terminar... 
Agora, decidi pegar nele a sério e lê-lo do inicio ao fim. E posso dizer que gostei. Ainda que me tenha sentido muitas vezes perdida. Muitas mesmo. 

Tive com frequência dificuldade em compreender quando é Sissi, a Imperatriz Isabel, que escreve, sendo que não percebi e continuo a não perceber bem o porquê da autora ir buscar as vidas de outros elementos da sua familia. Ou, por outra, a autora podia fazê-lo, desde que articulasse isso com a perspectiva de Sissi e eu quase não senti isso. Dá quase para pensar, sem querer ferir susceptibilidades, que se pretende fazer uma sopa, atirando os legumes todos lá para dentro, sem serem lavados, cortados, ... E isso não funciona. 

Assim sendo, acho que a história de Sissi se perde muito nisso. Às vezes, senti que me tinham apagado as luzes e andava às apalpadelas num túnel escuro, sem perceber bem no que estava a tentar a agarrar ou com o quê me tinha cruzado. Isso quebra o ritmo da leitura, desinteressando, com frequência o leitor. É preciso disciplina para persistir numa leitura que nos impede de sentir um definido fio condutor...!

Gostei, mas está longe de ser um livro que adorei ou que gostei muito. É um livro confuso. E se eu fosse uma leitora de ocasião, acho que tinha deixado o livro a meio e dito: não sou lá grande fã de romances históricos e, muito menos, gosto de ler... Não sinto nada. [E eu não sou assim, repito!!]

Por último, gostava de acrescentar que, ainda que meio fora de contexto, achei o capítulo sobre o rei Luís da Baviera, que mandou construir o Castelo de Neuschwanstein e era amigo de Richard Wagner, extremamente interessante.

*
https://www.goodreads.com/review/show/2073805637

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os Filhos da Droga, de Christiane F.

"Os Filhos da Droga" de Christiane F. 
Bizâncio, 2016
299 Páginas

Quis muito ler este livro enquanto adolescente (na altura, o livro tinha uma capa preta e vermelha e não tinha a imagem de uma jovem), mas não consegui. Durante muito tempo encontrei-o esgotado e pensei: não tem de ser. Não tinha, não. Naquela altura não tinha de ser e li-o agora, porventura, num momento mais oportuno... Quando estava a terminar o livro, vi na televisão, no programa Alta Definição, o testemunho do cantor Nuno Norte e constatei que muito do que estava a ler se encaixava na experiência que ele relatou. Arrepiante! Arrepiante! 

A droga aqui referida é não só a heroina e o haxixe, só para dar alguns exemplos, como também o medicamento Valium e outros do género. Nuns momentos pretende-se excitação, noutros tranquilidade. E esses estados são conseguidos recorrendo à droga, da qual se ganha dependência porque o prazer inicial se esvai e dá origem à necessidade destas substâncias para superar a crise de abstinência, bem como a dor e o sofrimento por esta gerados. 

Infelizmente, este foi o padrão dos anos setenta. Muitos foram os jovens que se perderam por causa da droga, pois a sociedade não estava preparada para lidar com esta situação. A droga leva(va) à prostituição e ao roubo, à venda de bens da familia e próprios sem qualquer controlo... Porque se precisa(va) de dinheiro. (E escrevo no presente e no imperfeito porque o drama que é a droga não desapareceu... Vai-se reinventando. Vai-se recriando. Muita gente ainda vai perecer por causa dela...)

E a história de Christiane F., uma jovem alemã nascida nos anos sessenta, constitui-se como um testemunho verídico fundamental para compreender este "outro mundo", sendo que a obra dispõe igualmente do contributo da sua mãe, assim como de alguns especialistas nesta área. O livro continua actual e a sua leitura é, sem dúvida, muito enriquecedora. 


https://www.goodreads.com/review/show/2051173788

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O Homem em Busca de um Sentido, de Viktor E. Frankl



"O Homem em Busca de um Sentido" de Viktor E. Frankl
Lua de Papel, 2017
159 Páginas 

Este livro serve para fazermos uma auto-análise psicológica e, por essa mesma razão, não se trata de uma leitura simples ou fácil. Pelo menos, para mim. 

Por outro lado, pode também não ser uma leitura fácil porque uma boa parte do livro trata da experiência do próprio autor, Viktor E. Frankl, um médico psiquiatra, no campo de concentração de Auschwitz, onde este viria a perder a mulher - que estava grávida e ele não sabia - e os pais. 

Escrever sobre Auschwitz também não é fácil, embora eu acredite que seja uma forma de "exorcizar" uma parte do sofrimento sentido, de "lavrar" a memória. Desenganem-se, todavia, se estiverem a achar que este é mais um livro sobre Auschwitz... Não é. E todos os livros que já li sobre este campo de concentração são diferentes. As pessoas também são todas diferentes e, por inevitabilidade, as experiências também o são.

Frankl foi o fundador da Logoterapia, uma psicoterapia que consiste na procura de sentido para a vida. E foi esse sentido encontrado por muitos dos prisioneiros deste campos, mas também fora destes campos, que garantiu a sobrevivência de muitos. 

Feliz ou infelizmente, em algumas fases da minha vida já adoptei (e adopto) "esta visão", sem saber e desconhecendo a existência da Logoterapia. E é muito eficaz. É muito eficaz para todos os tipos de prisioneiros (e não me refiro necessariamente a alguém que esteja preso numa cela a cumprir uma pena por ter cometido um crime), mas sobretudo para aqueles que se encontram cativos do sofrimento, do isolamento e da solidão como resultado da passagem por algumas fases da vida (umas vezes evitáveis, outras nem por isso; umas necessárias, outras nem por isso; e todas elas inaceitáveis, dificeis de engolir, em algum momento, para nós)...!

https://www.goodreads.com/review/show/2041185253


sexta-feira, 30 de junho de 2017

A Morte em Veneza, de Thomas Mann


"A Morte em Veneza" de Thomas Mann
Relógio D'Água, 2004
114 Páginas




Terceiro livro que leio de Thomas Mann, o segundo de ficção. Que dizer?
Acho que posso colocá-lo na lista dos meus escritores preferidos e não é por ter sido Nobel em 1929. É mesmo porque admiro a sua escrita. Não é um escritor fácil de compreender nem de leituras rápidas e superficiais. É profundo, superior, pensado, estruturado. E eu gosto disso.

Aqui é o fascinio pela beleza que dá o tema à história, ou seu centro se preferirem. Aschenbach, o escritor, está deslumbrado pela beleza do adolescente Tadzio, sendo que esse deslumbramento é tal que se reflecte na própria escrita de Thomas Mann. Forte, arrebatadora, de cortar a respiração (no bom sentido, no muito bom sentido, entenda-se). É dificil não se ficar apaixonado pela paixão de Aschenbach por Tadzio...! E eu só os conheço pelas palavras de Mann. 

"A Morte em Veneza" não é a história de um crime (como eu, erradamente, pensava; apesar do título poder sugeri-lo), mas sim um livro cuja escrita nos transporta muito para o plano espiritual e superior. Num certo sentido é filosófico. Aliás, nesta sua novela, Thomas Mann oferece-nos muito de Platão, sobretudo na sua relação com a beleza e com as emoções. E eu adoro Platão! É preciso dizer mais alguma coisa?! 

Posto isto, estou a pensar seriamente se não começo a ler "A Montanha Mágica" muito em breve... Será loucura?! Não sei, o que sei é que Thomas Mann está a "infiltrar-se em mim", definitivamente.

https://www.goodreads.com/review/show/2035729708

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Descascando a Cebola, de Günter Grass


"Descascando a cebola" de Günter Grass
Casadas Letras, 2007
378 Páginas


Não dou cinco estrelas, mas são quatro estrelas e qualquer coisa. E não dou* apesar de considerar que, de todos os livros lidos de Günter Grass até à data (contei seis com este incluido), este é, sem sombra para dúvidas, o melhor. É declaradamente auto-biográfico. 

Neste livro Grass confessa-se. Confessa aquilo que muitos alemães, que viveram a Guerra, procuraram ocultar dos outros e de si próprios no pós Segunda Guerra Mundial por vergonha: pertenceu às SS. O seu papel não foi relevante nas SS, mas ainda assim integrou-as e isso foi o bastante para se sentir culpado, envergonhado com isso, sentimentos que o acompanharam toda a vida. Até ao último dia. 

Neste "Descascando a Cebola" ficamos também a compreender a relação existente entre as obras de Grass e a sua vida. Cada uma delas quase que tem, ou tem mesmo, algo de auto-biográfico. É uma leitura interessante, sobretudo para aqueles que pretendam conhecer um pouco da "psique" alemã mais recente. 

* - Porque tive momentos em que achei que o autor se esgotou em alguns temas, como a imperiosa necessidade de satisfação de desejo sexual do autor, uma vez terminada a Guerra. O tema podia ser abordado, sim -somos humanos de carne e osso - , mas creio que o foi de forma excessiva e isso tornou-se, para mim, aborrecido... E essa foi uma das críticas feitas aquando da publicação na Alemanha e é, no meu entender, justificada. 

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Passo de Caranguejo, de Günter Grass


"A Passo de Caranguejo" de Günter Grass
Casa das Letras, 2003
221 Páginas

Já li alguns livros de Günter Grass (talvez quase, senão mesmo, metade daqueles que publicou) e confesso que nunca fui muito sua fã. Parece-me que tem muito ódio, raiva e outros sentimentos mal resolvidos. E sempre fiquei com a sensação de que a sua relação com a Alemanha está envolta em grande ressentimento. Mas que a Alemanha? Pois, a actual. 

Então e que problema tem isso? O problema é que Grass tem um passado nas SS, ou seja, participou na Alemanha de Hitler, essa Alemanha do passado, de que ainda há culpa e medo. Daí que eu sinta uma certa contrariedade em Günter Grass. Aliás, isso encontra-se igualmente presente em "A Passo de Caranguejo", obra que ultrapassou as minhas expectativas de forma positiva.

A história concentra-se no afundamento do navio, "Wilhelm Gustloff", por um submarino russo em 1945, ainda na Segunda Guerra Mundial, e na vida de Paul (um jornalista e o narrador da história que nasce no mesmo dia em que Adolf Hitler subiu ao poder, em 1933, sentindo-se muito mal com isso), cuja mãe viajava neste navio e que, segundo percebi, nasceu aquando deste naufrágio, que terá levado à morte cerca de 10.000 passageiros. Melhor dizendo: concentra-se em Paul, na sua mãe e no filho de Paul. 
A obra leva-nos a pensar também na questão judaica, na culpa por inevitabilidade, na situação da Polónia "ensanduichada" entre a Alemanha e a Rússia, entre o Nacional-Socialismo e o Comunismo, ... 

É uma leitura interessante. Deixa-nos a pensar no passado recente da História europeia. E ajudou-me, de algum modo, a reconciliar-me, por um lado, com Günter Grass (estou a ler a sua auto-biografia, "Descascando a cebola" e ainda estou a gostar mais) e a sua obra e, pelo outro, com o próprio acto de ler como um acto de gostar, que com o cansaço, saturação e alguma desmotivação, me visitou umas quantas vezes no passado mês de Maio...! Por isso, valeu a pena a sua espera prolongada, desde 2013, na minha estante. Chegou a altura certa. Chegou a altura dele (para mim).

https://www.goodreads.com/review/show/2009782977

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Livro do Hygge. O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz, de Meik Wiking

"O Livro do Hygge. O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz" de Meik Wiking 
Edições Zero a Oito, 2017
285 Páginas

Dos países estrangeiros que já tive oportunidade de visitar, a Dinamarca é um daqueles com que mais me identifico no que respeita à sua cultura e ao modo como encaram a vida. Foi uma espécie de amor à primeira vista quando visitei Copenhaga. Chorei (e eu não sou lá muito chorona) no último dia e pensei: tenho de cá voltar. E voltarei. Não sei quando, mas voltarei. Para ver o que não vi, o que ficou por ver. 

Daí que quando há alguns meses atrás começaram a ser publicados vários livros sobre o "Hygge" em Portugal, correspondendo este ao "segredo dinamarquês para ser feliz", fiquei curiosa e depois de ler um comentário feito ao presente livro decidi-me por este. 

Porquê? Não é um livro teórico, nem demasiado abstracto sobre esta "filosofia de vida". Está cheio de imagens do "Hyyge", bem como receitas e muitas, muitas ideias para o colocar em prática no dia-a-dia. Porque o "Hygge" consiste em tirar partido das pequenas coisas do e no dia-a-dia, e não ocasionalmente (nas férias ou nas alturas festivas, por exemplo); é algo de sempre e que se supõe ser mantido sempre. E, segundo o autor, Meik Wiking, é isso que explica o facto da Dinamarca ser um dos países mais felizes do mundo. Isso e um Estado-providência digno desse nome, como Wiking, que é Presidente do Happiness Research Institute, reconhece. Porque quer se queira, quer não, a instabilidade financeira compromete em muito a felicidade. Sem estabilidade e sem forma de sobreviver/subsistir não é fácil ser-se "hygge" também e, por inevitabilidade, começam a surgir as doenças físicas... Mentais... Mentais e físicas!

No essencial, este livro parece-me um bom ponto de partida não só para se ser mais feliz, como também para compreender melhor a cultura dinamarquesa. E pronto, admito, fiquei de "alma lavada"!

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https://www.goodreads.com/review/show/2005146732