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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

"A Escola de Espelhos" de Eva Stachniak



"A Escola de Espelhos" de Eva Stachniak
Casa das Letras, 2022,
512 Páginas

As histórias de Eva Stachniak são cativantes, mas, a dada altura, tornam-se densas e algo paradas demasiado tempo no tempo... "A Escola de Espelhos" é um desses casos, sem deixar de ser um bom livro, cuja história se passa no tempo do rei Luís XV e de Madame de Pompadour, a amante preferida do rei. 

A"Escola de Espelhos" é uma escola de potenciais futuras amantes do rei, jovens que desconhecendo a identidade do amante, devem comparecer nos encontros com o suposto conde polaco sem fazer perguntas. Aqui a história centra-se em Verónique e, depois, na filha que esta terá, Marie-Louise, com o rei... e que lhe é retirada assim que nasce. É uma história bonita e é dificil ao leitor não simpatizar com a ânsia de Marie-Louise para saber quem é a mãe, o pai e... escolher o seu caminho, fugindo dos vários espinhos que vão aparecendo. 

Gostei e gostei sobretudo a partir do momento em que o foco da história recai sobre Marie-Louise.


https://www.goodreads.com/review/show/6895155762

segunda-feira, 6 de março de 2023

"A Imperatriz da Rússia" de Eva Stachniak


"A Imperatriz da Rússia" de Eva Stachniak
Casa das Letras, 2015
485 Páginas


Catarina, a grande, está entre as minhas figuras históricas preferidas e já são vários os livros romanceados que leio em que ela é a personagem principal. De Eva Stachniak é o segundo, tendo "O Palácio de Inverno" sido o primeiro. 

A escrita de Stachniak é soberba e já não lia algo com um vocabulário tão rico e elaborado há algum tempo (as descrições são maravilhosas), mas em termos de estrutura senti que a história se tornou a dada altura confusa. Temos Catarina jovem acabada de chegar à Rússia com a sua mãe (adúltera e promiscua com outros homens, tendo deixado o marido na "Alemanha"), Catarina sob o olhar de Pedro (que nunca teve grande simpatia para com ela, preferindo os soldadinhos de chumbo), Catarina e os seus amantes, Catarina e os seus netos, Catarina idosa e a morrer. E foi a partir de Catarina e os seus amantes que a história se tornou algo caótica... Perde-se a conta (e o norte) aos amantes e saltamos desse tempo para o tempo em que Catarina está a morrer e daí para Catarina mais jovem... Para voltar a Catarina e os seus amantes e depois Catarina e os seus netos. Um pouco confuso mesmo para quem não é novo a ler a história da Imperatriz.

Paralelamente, reconheço que quando a autora começou a focar-se demasiado no período da queda de Catarina comecei a não gostar tanto e a desmotivar, de algum modo. A minha velocidade de leitura abrandou consideravelmente... 

Portanto, adorei ler mais de metade do livro, mas após isso... gostei apenas sem adorar.


https://www.goodreads.com/review/show/5328214612



sexta-feira, 24 de maio de 2019

Rumo à Liberdade, de Slavomir Rawicz



"Rumo à Liberdade" de Slavomir Rawicz
Editorial Presença, 2012
283 Páginas

Que grande história! Que grande aventura! Que grande coragem!

Gostei muito deste "Rumo à Liberdade" e, uma vez iniciada a fuga, dei comigo a "vivê-la" intensamente e a torcer para que a mesma terminasse bem. 

Há quem duvide da veracidade desta história, mas a verdade é que só quem a escreveu é que sabe efectivamente se algo se passou de facto, o que se passou e como se passou. Algum fundo de verdade haverá sempre. Por outro lado, em ficção (e esteve livro não se encontra catalogado como tal), muito do que se conta e inventa tem como base algo que se conhece ou que se viveu directa ou indirectamente na realidade. 

O homem só sabe verdadeiramente aquilo de que é capaz quando posto à prova e quando sabe que desistir, ao invés de persistir e lutar, significa colocar em causa a sua sobrevivência e... pode significar morrer. É perante o desconhecido da vida que brota, no meu entender, a verdadeira coragem. Neste caso, arriscar uma fuga para a liberdade poderia também ser sinónimo de uma ameaça à sobrevivência não só fruto da potencial ameaça humana (ser outra vez "apanhado" pelos russos), como também da ameaça natural decorrente de condições geográficas especialmente exigentes neste espaço da Terra (da Sibéria à Mongólia terminando nos Himalaias). E, assim sendo, entre poder morrer preso e poder morrer em fuga pela liberdade, Rawicz optou pela última possibilidade e tentou a sua sorte...

Gosto de livros que me inquietam e que me deixam a pensar... Este foi um deles. Desde há uma semana (quando terminei de o ler) que ando a interrogar-me até que ponto a ideia de liberdade não poderá ser em si mesma uma prisão? Até que ponto não se é mais livre preso do que nessa busca, por vezes sedenta e faminta, pela liberdade? Essa perseguição pela liberdade é um esforço de sobrevivência (a vida em "prisão" acaba também por sê-lo, mas sob outras condições)... E a sobrevivência, quando em condições adversas (humanas e geográficas), pode chegar mesmo a ser uma pesada prisão de risco mortal (?!). Tudo se pode perder ali... Numa má escolha, na falta de sorte... Ao mesmo tempo, não será a liberdade uma espécie de ave em relação à qual corremos, corremos e corremos atrás sem nunca a conseguir "agarrar", conquistar? Não será o desejo de liberdade uma insatisfação permanente?! 

Volto ao principio: Que grande história! Que grande aventura! Que grande coragem! E acrescento: que grande livro!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Aus dem Leben eines Taugenichts, de Joseph von Eichendorff

"Aus dem Leben eines Taugenichts" de Joseph von Eichendorff
Reclam, 2018
156 Páginas


Eichendorff conta em "Aus dem Leben eines Taugenichts" a vida de um jovem (o "Taugenichts", isto é, um "zero à esquerda") que acaba expulso de casa do pai, um moleiro, por este considerar que o filho  além de fracassado, não tem quaisquer outros objectivos na vida para além de tocar violino (e cantar). E é então que se inicia o percurso de busca pela sorte/felicidade deste jovem que chegado a Viena depressa se apaixona por uma jovem, mas sem sucesso. Decide, então, tentar a sua sorte em Itália, a terra das laranjas (e ao que parece também dos limões) e depressa se torna novamente a desiludir, regressando a Viena, sempre na companhia do seu violino. No fim tudo termina bem e ainda bem porque eu gosto de finais felizes. 

Escrito em prosa poética, o livro está salpicado de poemas. Eichendorff faz descrições belissimas dos espaços, sobretudo da paisagem natural, adoptando um estilo lírico e romântico (de Romantismo enquanto movimento artístico, entenda-se) que muito me agradou, apesar de nem sempre ser fácil compreender à primeira. 

Interessante é também a tensão que aqui está presente entre os filisteus e os artistas, sendo que os primeiros têm uma atitude que despreza o que é belo, o que é arte, o que é espiritual e intelectual. E isso verifica-se desde o início da história, quando o Taugenichts é expulso pelo pai de casa... O Taugenichts fica fascinado com a beleza, gosta de flores, por exemplo, e aproveita todos os momentos (independentemente de estar feliz ou infeliz) para tocar violino e cantar poesia. É, de facto, muito bonito. E é sobretudo porque no fim, apesar de todos os azares que ele conheceu até aí chegar, ele alcança a sua sorte/felicidade, sem deixar a sua arte de lado!