domingo, 30 de agosto de 2026

"Fazer de Estátua" de Günter Grass



"Fazer de Estátua" de Günter Grass
Publicações Dom Quixote, 2026
96 Páginas


Li-o em viagem e gostei muito. 

No passado os livros de Günter Grass pesavam-me sempre, mas este não pesou nada e quando terminou fiquei a querer que tivesse mais páginas.

Foi muito agradável e interessante ler sobre Uta de Naumburg que terá servido de inspiração à figura da rainha na versão da Disney da Branca de Neve e que o Nacional-Socialismo adoptou como paradigma da mulher ariana. 

Toda a história de Grass em torno da mulher que fazia de estátua é igualmente curiosa.  


https://www.goodreads.com/review/show/8904873263

terça-feira, 25 de agosto de 2026

"Contos de Fadas Turcos"



"Contos de Fadas Turcos" 
Guerra e Paz, 2026
176 Páginas

Este belíssimo livro reúne oito contos de fadas turcos. Todos eles encantadores e mágicos e também com uma lição/um ensinamento sempre pronto a ser apresentado. 

Como é notado logo no início, o conto de fadas turco conserva uma justiça extrema, com castigos violentos e em que quem triunfa, triunfa pela via da virtude, da astúcia, da coragem e da resistência. Senti a presença de tudo isso ao longo da obra e adorei! Ler contos de fadas turcos é, de igual modo, sinónimo de conhecer uma outra cultura, o que é bastante enriquecedor. 

Dos oitos contos, os meus preferidos foram: As Crianças de Cabelos Dourados, O Jovem Cinza e, Sahmeran, a Rainha das Serpentes. 


https://www.goodreads.com/review/show/8889224368

domingo, 23 de agosto de 2026

"Sympathy Tower Tokyo" de Rie Qudan



"Sympathy Tower Tokyo" de Rie Qudan
Casa das Letras, 2026
192 Páginas

Cinco por cento deste livro foi escrito com recurso ao uso de inteligência artificial (ChatGPT), o que desde logo me chamou à atenção para a necessidade de o ler. 

A autora apresenta, em "Sympathy Tower Tokyo", uma sociedade distópica que considera os criminosos como vítimas da sociedade merecendo compaixão ao invés de castigo. 

Há aqui interessantes reflexões sobre a arquitectura e, em particular, Zara Hadid, verificando-se o mesmo quanto ao papel da linguagem e da inteligência artificial. 

Não foi dos livros que mais gostei, mas ainda assim gostei porque faz o leitor olhar para alguns problemas actuais, em que a sociedade caiu e está a cair, um dos quais que me incomoda bastante: ter um texto alterado porque foi usada uma palavra que poderia não ser a mais politicamente correcta para os dias que correm, quando a palavra sempre foi usada em língua portuguesa e naquele contexto percebia-se nitidamente o seu uso de forma neutra. É triste quando temos de amordaçar a nossa própria língua porque a palavra x ou y passou a ser passível de ser conotada/associada a determinado preconceito/ideologia que, entretanto, surgiu... e está em quem lê, não em quem escreve.


https://www.goodreads.com/review/show/8881709604

"A Casa das Malvas" de Valentina Silva Ferreira


"A Casa das Malvas" de Valentina Ferreira Silva
Oficina do Livro, 2026
232 Páginas

Adorei. 

História intensa, escrita belíssima e dotada de uma imensa, profunda e (quase) inacreditável sensibilidade. 

Já não vou olhar para as malvas da mesma forma... despercebida... e distraída. As malvas são mesmo especiais! E vou lembrar-me sempre daquelas irmãs, das suas curas e magias, dos seus segreos e do elo de liagação entre as personagens mais jovens desta história passada na Madeira. 

Que livro! É o primeiro que leio desta autora, mas não será de certeza o último. 

Maravilhoso!


https://www.goodreads.com/review/show/8884542255

sábado, 22 de agosto de 2026

"Paixão de Lisboa" de Rebecca Scott Cabral



"Paixão de Lisboa" de Rebecca Scott Cabral
Oficina do Livro, 2020
304 Páginas

Não foi pela temática que quis ler este livro, foi por Lisboa... e pela curiosidade de perceber e sentir a cidade onde nasci pelos olhos de autora inglesa a viver aqui. 

Foi algo decepcionante. 

A narrativa está cheia de estereótipos. Um dos que mais me incomodou foi ler que, em Portugal, além de nunca ninguém ser pontual a chegar ao trabalho, podemos chegar às horas que entendermos porque está tudo bem e nada acontece. Não sei onde é que a autora foi buscar esta ideia, mas não poderia estar mais desfazada da realidade. É que aqui também temos horários e regras para cumprir. 

Apreciei apenas uma conversa entre a protagonista inglesa e um americano, durante a qual esta se queixa da dificuldade em arranjar casa na cidade - devido aos custos exagerados - e ele responde que, foram aqueles que vieram para cá, querendo transformar isto naquilo que tinham deixado para trás, os contribuintes para isto: preços para "alguém com salários escandinavos". 

Finalmente, e sobre a história: não apreciei particularmente e a personagem principal não me causou grande simpatia. 


https://www.goodreads.com/review/show/8884547597

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

"No Tempo das Cerejas" de Célia Loureiro


"No Tempo das Cerejas" de Célia Loureiro
Aurora, 2024
384 Páginas


Este é o primeiro livro que li de Célia Loureiro e foi uma leitura muito bonita. 

Além da história assentar numa notória investigação da autora, o passado da protagonista é particularmente interessante e ainda o é mais quanto às suas origens familiares e a todas as peripécias que lhe estão associadas. 

Uma das coisas que mais bonito - e triste (por razões familiares que conheço)- achei é o preconceito existente entre alguém de uma familia abastada se interessar amorosamente - e até desejar construir um futuro - com alguém de origens modestas/pobres, sobretudo nesta época (meados do século XX)... E, claro, as consequências disso: ser deserdado e rejeitado pela própria família, tendo de abraçar a miséria e o começo da estaca zero porque se quis "ficar" com alguém de quem se gosta mesmo. 

Por isso, é muito bom e importante quando a ficção revisita a realidade, por vezes esquecida. 

Por fim, gostaria também de elogiar a forma como a autora escreve: escreve muitissimo bem!

Recomendo.


https://www.goodreads.com/review/show/8821698527


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"O Livro do Ano" de Afonso Cruz



"O Livro do Ano" de Afonso Cruz
Alfaguara, 2015
144 Páginas

Gosto muito... vá, adoro... ler Afonso Cruz. 

A sua escrita é belíssima, parece sempre meio encantada e, mesmo que as histórias sejam, por vezes, dificeis de qualificar e de compreender, o que nos fazem sentir através das palavras escolhidas e do modo sempre original com que constrói a narrativa... torna-as muito mais do que memoráveis. 

Este é pequeno, e simples, tal como a menina desta história que acompanhamos pelos vários meses do ano. 

"O Livro do Ano" é um livro bonito, assim como esta menina que nos chama à atenção para a beleza das coisas simples!


https://www.goodreads.com/review/show/8851390918

sábado, 8 de agosto de 2026

"Schwarzlicht" de Horst Heckert


"Schwarzlicht" de Horst Heckert
Rowohlt Wunderlicht, 2013
384 Páginas

Thriller político, de uma trilogia passada na cidade alemã de Düsseldorf, "Schwarzlicht" (primeiro volume) acompanha a investigação do inspector-chefe Vicent Veih aquando do aparecimento de um político morto, afogado numa piscina. 

O mais interessante aqui é o passado familiar de Veih, pois a mãe é uma antiga terrorista da RAF. Gostei.


https://www.goodreads.com/review/show/8701715885

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"Ela, Metafisicamente doutro Mundo" de Poeta da Cidade



"Ela, Metafisicamente doutro Mundo" de Poeta da Cidade
Cultura Editora, 2026
184 Páginas

Primeiro ouvi alguém dizer em voz alta um poema deste livro e fiquei maravilhada. 

Depois descobri o seu autor, mais conhecido como "O Poeta da Cidade", a declamar poesia e pensei: tenho de ler o seu mais recente livro. 

E li. Facilmente se compreende que o autor é dotado de uma enorme e profunda sensibilidade, sendo dificil ficar indiferente. 

Mas... o amor que aqui é descrito é bonito e, ao mesmo tempo, profundamente triste. É aquele amor-paixão e... talvez seja um primeiro amor feito de muito sonho, idealismo e ilusão que, porventura também por isso, traz consigo muito sofrimento, dor e desilusão. 

Este livro de poemas acompanha essa evolução. É bonito, sim. Porém, não apreciei a "queda" e aquele confronto de realidade que quem idealiza o ser amado um dia acaba por ter. 


https://www.goodreads.com/review/show/8827736683

sexta-feira, 31 de julho de 2026

"As Meninas do Laranjal" de Gabriela Cabezón Cámara


"As Meninas do Laranjal" de Gabriela Cabezón Cámara
Elsinore, 2026
216 Páginas


Romanceando de forma lírica a história de Catalina de Erauso (1592-1650), conhecida como a "freira de alferes" (uma freira que assumiu a identidade de um homem, fugiu de Espanha e foi combater na conquista das Américas), Gabriela Cabezón Cámara apresenta-nos um livro cuja leitura se torna simultaneamente agradável e enriquecedora. 

A vida e as proezas pelas quais Catalina passa assumem, assim, um interesse renovado e, de igual modo, acrescido valor pela forma como Cámara escreve. A narrativa é muito rica, até porque a autora alterna entre, pelo menos, duas formas de escrita diferentes: uma sob a forma de cartas dirigidas à tia, outra talvez... mais descritiva sem ser puramente descritiva. É uma escrita maravilhosa, daquelas que dá gosto ler, ainda para mais para quem aprecia prosa poética.

Também o ambiente envolvente da selva está tão bem retratado que não é dificil para o leitor sentir-se parte dele e parte da própria história.

Adorei e percebe-se perfeitamente o porquê deste livro ter feito parte da "longlist" do International Booker Prize de 2026. 

https://www.goodreads.com/review/show/8798720423

sexta-feira, 24 de julho de 2026

"O Último Espião do Reich" de Francisco Ramalheira



"O Último Espião do Reich" de Francisco Ramalheira
Gradiva, 2026
296 Páginas

Francisco Ramalheira consegue neste extraordinário volume reunir o mistério/enigma da Atlântida (espaço que se defende localizar na zona dos Açores), Robert Oppenheimer (pai da bomba atómica), Max Planck (reconhecido físico alemão e pai da física quântica), Salazar, Hitler, um carteirista de Alfama, bibliotecas e o gosto pela leitura (e pelos livros, claro), e ainda locais emblemáticos da cidade de Lisboa como o Mosteiro dos Jerónimos. 

O resultado é uma história extremamente original, cheia de acção e sem grandes momentos parados, daquelas que nos prendem (viciam também) e não nos deixam pousar o livro até perceber o que irá acontecer a seguir. 

É uma leitura que vale muito a pena e, sob o ponto de vista cultural, muitissimo enriquecedora! Gostei bastante e recomendo. Senti-me totalmente em casa e no meu mundo, misturando elementos culturais portugueses e alemães numa simbiose perfeita.

https://www.goodreads.com/review/show/8767403915

domingo, 12 de julho de 2026

"22 Voltas" de Caroline Wahl


"22 Voltas" de Caroline Wahl
Editorial Presença, 2026
224 Páginas

"22 Voltas" de Caroline Wahl, sucesso literário na Alemanha, foi uma agradável surpresa e é acima de tudo uma história de resiliência, amor (destaque para o fraternal) e esperança perante o caos e a dor de viver com um familiar alcoólico. 

As 22 voltas dadas a nadar numa piscina municipal são para Tilda o escape para melhor gerir tudo isto e aliviar o fardo de responsabilidade que carrega sobre os ombros. É também na água da piscina que a Tilda encontrará um bálsamo para as suas emoções e, num certo sentido, um nova e potencial direcção de vida... e o começo de um caminho para a liberdade. 

Além de ter apreciado a história, a escrita crua, directa, natural/humana e não menos bela, de Caroline Wahl também me conseguiu cativar. Gostei muito.

"O outono é um mago que enfeitiça tudo à sua volta. Envolve o mundo em vento, nevoeiro e chuva, e cheira a vida. O verde transforma-se em fogo. Às vezes, num dia chuvoso, o fogo parece pardo e cinzento. Mas então, num desses dias pardos e cinzentos, eis que o sol surge ao final do dia, e tudo reluz, cintilando em tons dourados. E estes aromas. Magia." 

 https://www.goodreads.com/review/show/8743781829

sábado, 4 de julho de 2026

"Mil Tons de Azul" de Cheon Seon-Ran



"Mil Tons de Azul" de Cheon Seon-Ran
Casa das Letras, 2026
256 Páginas

"Mil Tons de Azul" acabou por ser uma espécie de desilusão... Não foi mau, não foi bom. Foi antes um "não aquece nem arrefece" e passaria bem sem o ter lido porque honestamente não me conseguiu levar a nenhum lado nem me trouxe nada de novo, diferente e muito menos especial. 

Depois de ter lido há poucos anos "Klara and the Sun" de Kazuo Ishiguro, que simplesmente adorei, pensei que este "Mil Tons de Azul"- tendo também no centro da sua história robots e a sua relação "humana" com pessoas e animais - poderia ser uma boa aposta, mas não... achei a história confusa, estranha e algo sem sabor. 

A premissa da história é interessante, e cativa, mas a concretização ficou aquém. Isso... ou o facto de estarmos diante de uma tradução feita a partir de outra tradução, ao invés de termos uma única tradução a aproximar-nos (ou será a afastar-nos?!) do texto original. Digo isto porque não deixa de ser estranho ser um romance premiado e ter um valor que eu não consegui identificar claramente. Ou será apenas algo mais cultural e caracteristico da cultura coreana? É que este é o segundo livro de  um autor coreano que leio este ano e não me consegue convencer...


https://www.goodreads.com/review/show/8716560840

sábado, 20 de junho de 2026

"O Estrangeiro" de Alberto Camus



"O Estrangeiro" de Alberto Camus
Livros do Brasil, 2015
96 Páginas

"O Estrangeiro" de Alberto Camus faz parte daquele grupo de livros "estranhos" (e estou a pensar também, por exemplo, em "A Metamorfose" de Kafka) que têm qualquer coisa de genial e, ao mesmo tempo, de bizarro porque uma vez lidos nunca mais saem de nós... e deixam inclusivamente em nós uma certa incredulidade aquando e após a leitura. Dá a sensação de que nos dão até um murro no estômago com aquilo que nos apresentam... Parece que nos oferecem uma espécie de absurdo que, muito embora, pareça à primeira vista algo despropositado, acaba por não o ser. 

Aqui o foco é a indiferença da personagem principal Meursault perante a morte, um crime que é cometido só porque sim, e a aceitação inquestionável do seu destino porque nada sente. Ou será que sente? Ou será que essa indiferença é apenas a manifestação de uma terrível solidão num mundo que se apresenta tantas vezes frio e caótico e indiferente ao que se sente?

O que eu mais apreciei neste livro foi deixar-me a pensar em tudo isto... em vários momentos... vários dias depois da leitura. E isso, para mim, é sinónimo de um grande livro... Não em tamanho, porque falamos de um livro de poucas páginas, mas todo ele carregado de significado muito para lá do aparente e da superficialidade. Daí ser um clássico, sem qualquer sombra para dúvidas. Um "incómodo" clássico. 

Para terminar, e sem me querer alongar mais, deixo-vos com um excerto final da obra: 
"(...)Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido liberta e pronta para tudo reviver. (...) diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me, pela primeira vez, à terna indiferença do mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução, e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio. (...)"

https://www.goodreads.com/review/show/8699795390 



quinta-feira, 18 de junho de 2026

"O Segredo da Villa Carlotta" de Silvia Montemurro


"O Segredo da Villa Carlotta" de Silvia Montemurro
Bertrand Editora, 2026
304 Páginas

"O Segredo da Villa Carlotta" de Silvia Montemurro decorre no Lago de Como, em Itália, em 1848, centrando-se na princesa Carlotta da Prússia que, juntamente com a irmã e a avó, acompanharam a mãe, Marianne de Nassau quando esta decidiu abandonar o marido em Potsdam após a ocorrência de um escândalo e ali se fixou. 

Este é um romance histórico pleno de idílicas descrições do Lago de Como e da Villa Carlotta (que existe efectivamente) e o primeiro de uma Saga de vários volumes, enquadrados naquela região, que agora começa. A autora consegue mesmo transportar-nos para o local enquanto lemos a obra. Por outro lado, e a par de um dilema romântico, o encontro de um diário escondendo um mistério relacionado com o passado daquela Villa e com alguém cujo paradeiro/destino se desconhece tornam a obra muitissimo interessante e fazem deste livro uma grande leitura!

Recomendo. 


https://www.goodreads.com/review/show/8682310382

quarta-feira, 17 de junho de 2026

"Thomas Mann macht Ferien: Ein Sommer am See" de Kerstin Holzer




"Thomas Mann macht Ferien: Ein Sommer am See" de Kerstin Holzer
Kiwi, 2026
208 Páginas

"Thomas Mann macht Ferien: Ein Sommer am See" de Kerstin Holzer passa-se nos meses de Verão (Julho, Agosto e Setembro), em 1918 (ainda antes da Primeira Grande Guerra terminar), aquando das férias da familia Mann em Tegernsee, na Baviera. 

Talvez por isso seja um bom e interessante livro para ler no Verão!

A autora recorre as aspectos muito particulares de cada um dos elementos da família de Thomas Mann (traços de personalidade e padrões de comportamento), bem como a referências das suas obras já publicadas e/ou em preparação. É, portanto, um livro muitissimo indicado para todos aqueles que admirem e/ou sejam conhecedores da vida e obra de Thomas Mann.


https://www.goodreads.com/review/show/8668901750


segunda-feira, 8 de junho de 2026

"Da Minha Janela" de Luísa Sobral



"Da Minha Janela" de Luísa Sobral
Publicações Dom Quixote, 2026
200 Páginas


"Da Minha Janela" é o segundo livro que leio de Luísa Sobral e gostei bastante, embora continue a preferir o seu primeiro livro, um romance, "Nem todas as árvores morrem de pé". Creio que a minha preferência não está relacionada com a qualidade da escrita da autora e as temáticas escolhidas; está, isso sim, relacionada com o género literário: gosto muito mais de romances do que de crónicas! 

Todavia, além de recomendar a sua leitura (porque é agradável, level e familiar - porque em algum momento alguns de nós já sentiram coisas semelhantes em várias das situações descritas pela autora no livro, caso do episódio do Uber, por exemplo, ou da ida a uma discoteca nos tempos actuais -), dei comigo a soltar várias gargalhadas com este livro. Vale muito a pena e venha de lá o próximo de Luísa!

https://www.goodreads.com/review/show/8668902208

sábado, 6 de junho de 2026

"Soraya: Prinzessin auf dem Pfauenthron" de Brigitte Janson



"Soraya: Prinzessin auf dem Pfauenthron" de Brigitte Janson
Ullstein, 2023
368 Páginas

"Soraya: Prinzessin auf dem Pfauenthron" [Soraia: Princesa do Trono do Pavão] de Brigitte Janson é um romance histórico sobre Soraya Esfandiary-Bakhtiari, segunda esposa do Xá Mohammad Reza Pahlavi e rainha consorte da Pérsia (hoje Irão). 

Filha de mãe alemã e de pai iraniano, Soraya divorciou-se do então Xá por não conseguir engravidar (provavelmente como consequência da febre tifóide que teve e que quase a levou à morte pouco antes do seu casamento) e não aceitar que o Xá tivesse relações em paralelo com outra mulher para assim garantir o nascimento de um herdeiro. 

Também conhecida como "a princesa dos olhos tristes", Soraya tentou uma carreira como actriz e dedicou-se a causas sociais. 

Tudo isto está presente neste bonito romance histórico e Brigitte Janson apresenta Soraya de uma forma que me fez admirá-la e, ao mesmo tempo, respeitá-la. 

Gostei bastante!


https://www.goodreads.com/review/show/8627722664

quinta-feira, 4 de junho de 2026

"A Corrente" de Filipa Amorim



"A Corrente" de Filipa Amorim
Suma de Letras, 2024
528 Páginas

Mais um grande livro de Filipa Amorim cuja história se passa no Oeste, em Santa Cruz!

Em "A Corrente" um grupo de amigos perde um dos seus elementos, vários anos antes, sem perceber o que sucedeu e o que foi feito do corpo, o que os marca de forma profunda até hoje e acaba, em certa medida, por transformar a amizade que os unia. 

Bullying, abuso de poder e até culpa surgidos num lugar (a escola) que deveria servir para nos dar asas para voar, em vez de nos acorrentar, são temáticas de base centrais à história, conferindo-lhe força, solidez e relacionando-se de forma perfeita. Também o trauma está presente, bem como a inveja e o ciúme e, como não poderia deixar de ser, a própria justiça e o seu alcance no tempo. 

O único reparo que faço é que a mesma história poderia ter sido escrita com um número bastante inferior de páginas (até porque demora até a acção começar efectivamente a decorrer), mas trata-se do seu primeiro livro e comecei por ler esta autora pelo seu segundo livro (em vez de pelo primeiro). 

De qualquer das formas, e como refiro no início, é um grande livro e a autora tem mesmo mão para policiais. Muito bom!

https://www.goodreads.com/review/show/8627720398

sábado, 16 de maio de 2026

"O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero



"O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero
Marcador Editora, 2025
160 Páginas

Romance de transformação pessoal e, sobretudo, espiritual, "O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero é um livro que nos leva a reflectir sobre o arrependimento, o impacto das escolhas (passadas e presentes) e a coragem para recomeçar. 

A história acompanha Marcos, personagem principal, no caminho de Santiago de Compostela, durante o qual este realiza uma peregrinação física e espiritual e se vai cruzando com diversas pessoas com percursos muito diferentes de vida... percursos que o levam a olhar também para si, bem como a questionar, a pensar/repensar as suas escolhas. 

Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para mudar de rumo. 

O livro deixa-nos com uma incrível sensação de paz e uma mensagem de esperança (no futuro que há de vir). É uma agradável leitura!


https://www.goodreads.com/review/show/8606008800

sexta-feira, 15 de maio de 2026

"A Hora da Estrela" de Clarice Lispector



"A Hora da Estrela" de Clarice Lispector
Companhia das Letras, 2026
128 Páginas

"A Hora da Estrela" é o primeiro livro que leio de Clarice Lispector e, embora acredite que não seja o único nem o último, não me encheu as medidas. 

Tem passagens muito bonitas, com profundidade... filosófica. Todavia, parece-me um caos de descontrolo controlado. Confusos? Pois, eu também fiquei... 

Li-o do início ao fim a sentir que faltava qualquer coisa. Percebi onde a história começou e onde terminou. Mas... no fim fiquei a pensar: e...então?!


*

"(...) Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. (...)"


https://www.goodreads.com/review/show/8603777019 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Mártir" de Kaveh Akbar



"Mártir" de Kaveh Akbar
Relógio D' Água, 2024
360 Páginas

"Mártir" é um romance sobre a procura de sentido na morte e a ideia de mártir/martírio, algo que, na minha perspectiva, está intimamente relacionado com a cultura iraniana pós revolução islâmica dos anos 70.

 A história está muito bem construída em torno da dependência relativamente ao álcool (e drogas) de Cyrus, da morte da mãe num voo quando o avião comercial em que seguia foi abatido por engano pelos EUA e deixou o marido (e pai de Cyrus) viúvo e Cyrus órfão (de mãe), da incompreensão de Cyrus relativamente à morte da mãe e do consequente desgosto irremediável do pai de Cyrus face ao sucedido à esposa. 

E a verdade é que "Mártir" está igualmente muito bem escrito, sendo que, no final, a história acaba por nos conseguir surpreender: há algo que parece ser, sem o ser! Excelente.


https://www.goodreads.com/review/show/8583603499

terça-feira, 5 de maio de 2026

"Persépolis" de Marjane Satrapi



"Persépolis" de Marjane Satrapi
Bertrand Editora, 2015
352 Páginas

"Persépolis" de Marjane Satrapi é uma banda-desenhada autobiográfica e Marjane Satrapi é iraniana. Ora, sempre fugi de banda-desenhada porque quero mesmo é ler e ter a liberdade total para imaginar sem o suporte do desenho, mas esta é de uma autora iraniana e é autobiográfica. Será que não deveria dar-lhe uma oportunidade? Sobretudo depois de ter lido aquele outro livro, também ele, cheio de fotos e desenhos, de Nora Krug?!

Foi, então, que diante de todos estes argumentos, decidi prosseguir e avançar com a leitura, até porque a obra é sempre muito bem avaliada por quem a lê. E percebe-se bem porquê. 

O livro é excelente e a história que Satrapi conta da sua vida é, uma vez, a prova de que as nossas vidas individuais são forçosamente influenciadas e impactadas pelo meio (aqui, entenda-se, país) em que nascemos e crescemos. E diante disso, quando pensamos e queremos diferente: ou partimos para outro lugar, deixando para trás, na maioria das vezes, quem amamos, ou resignamo-nos e permanecemos vendo a nossa liberdade cada vez mais encaixotada e amarrada. 

Marjani partiu uma vez com destino à Europa (Áustria). Regressou ao Irão. Tentou integrar-se, mas percebeu que o caminho seria partir novamente... e partiu uma vez mais para a Europa (França). Na semana passada, já eu tinha lido o seu livro há algumas semanas, Marjani partiu pela terceira vez... de tristeza (cerca de um ano depois de ter perdido o marido) e, desta vez, não regressará mais... fica "Persépolis", um testemunho vivo, na primeira pessoa, da realidade iraniana após a revolução islâmica de 1979... de valor inestimável. 

Adorei! Um excelente livro!


https://www.goodreads.com/review/show/8575125855

domingo, 3 de maio de 2026

"Tudo sobre o Irão" de Ricardo Alexandre



"Tudo sobre o Irão" de Ricardo Alexandre
Ideias de Ler, 2026
444 Páginas

Se procuram um livro para compreender o Irão, este é o livro... independentemente do intuito ser ficar por aqui (ler um e basta) e/ou usar este como ponto de partida para continuar a explorar o tema.

Ricardo Alexandre começa pelo básico, passando pela "História", seguindo para a "Política, guerra e nuclear", continuando com "As mulheres e a liberdade" e depois "Os homens e o país", abordando igualmente "Futebol e cultura", "Portugal-Irão" e, terminando, com "Mais do que Teerão". 

Escrito de forma clara e objectiva, o autor recorre a vários testemunhos de iranianos e portugueses  (sejam eles do mundo do jornalismo - como Tiago Carrasco - ou de outras áreas como o futebol - caso de Ricardo Sá Pinto -, brindando o leitor com diversas referências culturais iranianas provenientes da literatura - como Rumi, Azar Nafisi, ... -, e até da gastronomia).

É um livro excelente!


https://www.goodreads.com/review/show/8548255643

sábado, 25 de abril de 2026

"O Livro que Me Escreveu" de Mário Lúcio Sousa



"O Livro Que Me Escreveu" de Mário Lúcio Sousa
Publicações Dom Quixote, 2024
184 Páginas


"O Livro que Me Escreveu" do escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa é um romance que se constitui como uma autêntica ode à literatura e ao acto de ler. No centro de toda a narrativa encontra-se o livro e a leitura como algo fundamental à existência humana.

A personagem principal dedica a sua vida a um manuscrito que desaparece. E a busca por esse manuscrito torna-se num objectivo colectivo. 

Mário Lúcio Sousa tem uma escrita muito bonita. Há passagens belíssimas relacionadas com o prazer da leitura dignas de parar e voltar a parar para saborear o sentido e a musicalidade de cada palavra. 

Gostei muito! E é leve.


https://www.goodreads.com/review/show/8550426565

segunda-feira, 20 de abril de 2026

"Heimat: Ein deutsches Familienalbum" de Nora Krug


"Heimat: Ein deutsches Familienalbum" de Nora Krug
Penguin, 2018
288 Páginas

"Heimat: Ein deutsches Familienalbum"é a versão alemã de "Heimat: A German Family Album", um autêntico álbum de recortes e memórias da autora (alemã) e da sua familia, misturando igualmente desenhos feitos à mão pela autora e documentos relacionados com o processo de desnazificação da Alemanha de alguns dos seus familiares. 

Ao mesmo tempo, a autora escolhe alguns objectos alemães e vai-nos dando conta da importância que o seu surgimento teve na vida alemã e na sua em particular, como seja, por exemplo, o caso do tubo de cola UHU, dos pensos Hansaplast e/ou dos arquivadores Leitz.

Um dos temas centrais de toda a obra é, sem dúvida, a questão da culpa alemã (sempre envolta em grande ambiguidade) face ao Holocausto. Algo que é igualmente central à própria história recente alemã e ao modo como o país se posiciona ainda nos dias de hoje nas relações internacionais. 

Adorei! Um livro diferente, original e de valor inestimável sobre um tema que me é muito especial!


https://www.goodreads.com/review/show/8429366515

sábado, 18 de abril de 2026

"Circe" de Madeline Miller


"Circe" de Madeline Miller
Minotauro, 2020
422 Páginas

"Circe" conta na primeira pessoa a história da mais famosa feiticeira da mitologia grega, conhecida por transformar os homens em animais, por vingança, quando a tentam dominar.

A história começa na sua criação, passando pelo seu período de exílio - durante o qual conhece Ulisses - e termina vários anos depois ter sido mãe de Telégono. 

Sem entrar em mais pormenores e detalhes sobre a obra de Madeline Miller, devo dizer que gostei muito do que li e de conhecer esta versão de Circe. Porém, para mim, a história ganhou um reavivado fôlego aquando da entrada em cena de Ulisses. Deu para reviver e recordar algumas partes da Odisseia, bem como perceber quem é, como aparece Telégono e como se relacionará com Ulisses, Telémaco e Penélope. 

Comparativamente a Telémaco, Telégono é uma figura muito pouco falada/conhecida. E a obra "Circe" levou-me a tomar efectivo conhecimento da sua existência e importância, tendo-me feito pesquisar posteriormente um pouco mais sobre o mesmo.


https://www.goodreads.com/review/show/8507967045

domingo, 5 de abril de 2026

"A Loja Coreana das Segundas Oportunidades" de Kim Ho-Yeon



"A Loja Coreana das Segundas Oportunidades" de Kim Ho-Yeon
Editorial Presença, 2024
240 Páginas


"A Loja Coreana das Segundas Oportunidades" é, como o nome deixa antever, um livro que se enquadra na chamada "healing fiction" (ficção de cura), género literário muito popular na Ásia, em especial na Coreia do Sul e no Japão. 

Aqui o ponto de encontro de várias personagens com "desafios" de vida por resolver é uma loja de conveniência e, uma das personagens principais-motivadoras para a mudança é um mendigo álcoólico que entra, logo no início da história, a "resgatar" a mala da dona da loja de conveniência. 

O ponto de partida da história é interessante, mas a falta de clareza em torno do passado do mendigo não me satisfez. Talvez na segunda parte desta história (tenho-a já na estante à espera que chegue a sua vez) tudo fique mais preto no branco. Porque, para já, achei que estava muito "mal explicado". 

E, apesar de ter gostado da leitura (a escrita satisfaz, sem nada de muito extraordinário ou particularmente digno de nota), creio que as ligações entre as diferentes personagens que vão aparecendo e o encaixe das mesmas na história nem sempre é feita da melhor forma. Senti, por vezes, algum esforço... para justificar o aparecimento de mais esta ou aquela personagem e não apreciei isso.


https://www.goodreads.com/review/show/8497578474 

sábado, 28 de março de 2026

"As Naus" de António Lobo Antunes



"As Naus" de António Lobo Antunes
Publicações Dom Quixote, 2018
192 Páginas


"As Naus" é o primeiro livro que leio de António Lobo Antunes e fiquei positivamente surpreendida com o estilo de escrita irónico e sarcástico, a abundância de referências à cultura portuguesa e a originalidade da história. 

Lobo Antunes traz para o presente várias figuras dos Descobrimentos Portugueses, como Vasco da Gama e Luís de Camões, simulando o seu regresso do Ultramar nos dias que correm. Daí que temos, por exemplo, o rei D. Manuel I (ao volante do seu Ford) a passear Vasco da Gama pelo Guincho todos os domingos à tarde...algo que me provocou algumas gargalhadas entusiásticas. E mais outras ocorrências com Camões e demais figuras dos Descobrimentos por vários pontos da cidade de Lisboa, recordando-nos uma Lisboa muito diferente do que é agora... a Lisboa da minha infância e adolescência de que tenho muitas saudades!

Este talvez não seja um livro para todos os tipos de leitores, pela forma de escrita (nem sempre simples) e pelo conhecimento cultural que implica para conseguir tirar total prazer da sua leitura e ir mais além do que ali está escrito. Mas... a sua leitura vale mesmo a pena! Gostei muito!


https://www.goodreads.com/review/show/8464455455


segunda-feira, 23 de março de 2026

"Walking: One Step at Time" de Erling Kagge

"Walking: One Step at Time" de Erling Kagge
Penguin, 2020
192 Páginas

Explorador norueguês, Erling Kagge foi o primeiro a conseguir atingir o Pólo Norte, o Pólo Sul e ainda o Evereste, sendo que, em "Walking: One Step at a Time", o autor escreve sobre a importância da caminhada na nossa vida... Não só em termos físicos, como também mentais. 

É claro que ao reflectir sobre a caminhada, e como já é seu hábito, recorre a vários outros autores para ilustrar e reforçar aqui e ali as suas ideias. 

Apesar deste não ser dos meus livros preferidos do autor (e este é o terceiro que leio seu), aprecio muito o estilo natural, simples e, por vezes, até poético com que escreve. 

E voltarei a ler Kagge, claro!


https://www.goodreads.com/review/show/8461563758