sábado, 16 de maio de 2026

"O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero



"O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero
Marcador Editora, 2025
160 Páginas

Romance de transformação pessoal e, sobretudo, espiritual, "O Homem que Tinha Medo de Viver" de Miguel Montero é um livro que nos leva a reflectir sobre o arrependimento, o impacto das escolhas (passadas e presentes) e a coragem para recomeçar. 

A história acompanha Marcos, personagem principal, no caminho de Santiago de Compostela, durante o qual este realiza uma peregrinação física e espiritual e se vai cruzando com diversas pessoas com percursos muito diferentes de vida... percursos que o levam a olhar também para si, bem como a questionar, a pensar/repensar as suas escolhas. 

Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para mudar de rumo. 

O livro deixa-nos com uma incrível sensação de paz e uma mensagem de esperança (no futuro que há de vir). É uma agradável leitura!


https://www.goodreads.com/review/show/8606008800

sexta-feira, 15 de maio de 2026

"A Hora da Estrela" de Clarice Lispector



"A Hora da Estrela" de Clarice Lispector
Companhia das Letras, 2026
128 Páginas

"A Hora da Estrela" é o primeiro livro que leio de Clarice Lispector e, embora acredite que não seja o único nem o último, não me encheu as medidas. 

Tem passagens muito bonitas, com profundidade... filosófica. Todavia, parece-me um caos de descontrolo controlado. Confusos? Pois, eu também fiquei... 

Li-o do início ao fim a sentir que faltava qualquer coisa. Percebi onde a história começou e onde terminou. Mas... no fim fiquei a pensar: e...então?!


*

"(...) Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. (...)"


https://www.goodreads.com/review/show/8603777019 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Mártir" de Kaveh Akbar



"Mártir" de Kaveh Akbar
Relógio D' Água, 2024
360 Páginas

"Mártir" é um romance sobre a procura de sentido na morte e a ideia de mártir/martírio, algo que, na minha perspectiva, está intimamente relacionado com a cultura iraniana pós revolução islâmica dos anos 70.

 A história está muito bem construída em torno da dependência relativamente ao álcool (e drogas) de Cyrus, da morte da mãe num voo quando o avião comercial em que seguia foi abatido por engano pelos EUA e deixou o marido (e pai de Cyrus) viúvo e Cyrus órfão (de mãe), da incompreensão de Cyrus relativamente à morte da mãe e do consequente desgosto irremediável do pai de Cyrus face ao sucedido à esposa. 

E a verdade é que "Mártir" está igualmente muito bem escrito, sendo que, no final, a história acaba por nos conseguir surpreender: há algo que parece ser, sem o ser! Excelente.


https://www.goodreads.com/review/show/8583603499

terça-feira, 5 de maio de 2026

"Persépolis" de Marjane Satrapi



"Persépolis" de Marjane Satrapi
Bertrand Editora, 2015
352 Páginas

"Persépolis" de Marjane Satrapi é uma banda-desenhada autobiográfica e Marjane Satrapi é iraniana. Ora, sempre fugi de banda-desenhada porque quero mesmo é ler e ter a liberdade total para imaginar sem o suporte do desenho, mas esta é de uma autora iraniana e é autobiográfica. Será que não deveria dar-lhe uma oportunidade? Sobretudo depois de ter lido aquele outro livro, também ele, cheio de fotos e desenhos, de Nora Krug?!

Foi, então, que diante de todos estes argumentos, decidi prosseguir e avançar com a leitura, até porque a obra é sempre muito bem avaliada por quem a lê. E percebe-se bem porquê. 

O livro é excelente e a história que Satrapi conta da sua vida é, uma vez, a prova de que as nossas vidas individuais são forçosamente influenciadas e impactadas pelo meio (aqui, entenda-se, país) em que nascemos e crescemos. E diante disso, quando pensamos e queremos diferente: ou partimos para outro lugar, deixando para trás, na maioria das vezes, quem amamos, ou resignamo-nos e permanecemos vendo a nossa liberdade cada vez mais encaixotada e amarrada. 

Marjani partiu uma vez com destino à Europa (Áustria). Regressou ao Irão. Tentou integrar-se, mas percebeu que o caminho seria partir novamente... e partiu uma vez mais para a Europa (França). Na semana passada, já eu tinha lido o seu livro há algumas semanas, Marjani partiu pela terceira vez... de tristeza (cerca de um ano depois de ter perdido o marido) e, desta vez, não regressará mais... fica "Persépolis", um testemunho vivo, na primeira pessoa, da realidade iraniana após a revolução islâmica de 1979... de valor inestimável. 

Adorei! Um excelente livro!


https://www.goodreads.com/review/show/8575125855

domingo, 3 de maio de 2026

"Tudo sobre o Irão" de Ricardo Alexandre



"Tudo sobre o Irão" de Ricardo Alexandre
Ideias de Ler, 2026
444 Páginas

Se procuram um livro para compreender o Irão, este é o livro... independentemente do intuito ser ficar por aqui (ler um e basta) e/ou usar este como ponto de partida para continuar a explorar o tema.

Ricardo Alexandre começa pelo básico, passando pela "História", seguindo para a "Política, guerra e nuclear", continuando com "As mulheres e a liberdade" e depois "Os homens e o país", abordando igualmente "Futebol e cultura", "Portugal-Irão" e, terminando, com "Mais do que Teerão". 

Escrito de forma clara e objectiva, o autor recorre a vários testemunhos de iranianos e portugueses  (sejam eles do mundo do jornalismo - como Tiago Carrasco - ou de outras áreas como o futebol - caso de Ricardo Sá Pinto -, brindando o leitor com diversas referências culturais iranianas provenientes da literatura - como Rumi, Azar Nafisi, ... -, e até da gastronomia).

É um livro excelente!


https://www.goodreads.com/review/show/8548255643

sábado, 25 de abril de 2026

"O Livro que Me Escreveu" de Mário Lúcio Sousa



"O Livro Que Me Escreveu" de Mário Lúcio Sousa
Publicações Dom Quixote, 2024
184 Páginas


"O Livro que Me Escreveu" do escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa é um romance que se constitui como uma autêntica ode à literatura e ao acto de ler. No centro de toda a narrativa encontra-se o livro e a leitura como algo fundamental à existência humana.

A personagem principal dedica a sua vida a um manuscrito que desaparece. E a busca por esse manuscrito torna-se num objectivo colectivo. 

Mário Lúcio Sousa tem uma escrita muito bonita. Há passagens belíssimas relacionadas com o prazer da leitura dignas de parar e voltar a parar para saborear o sentido e a musicalidade de cada palavra. 

Gostei muito! E é leve.


https://www.goodreads.com/review/show/8550426565

segunda-feira, 20 de abril de 2026

"Heimat: Ein deutsches Familienalbum" de Nora Krug


"Heimat: Ein deutsches Familienalbum" de Nora Krug
Penguin, 2018
288 Páginas

"Heimat: Ein deutsches Familienalbum"é a versão alemã de "Heimat: A German Family Album", um autêntico álbum de recortes e memórias da autora (alemã) e da sua familia, misturando igualmente desenhos feitos à mão pela autora e documentos relacionados com o processo de desnazificação da Alemanha de alguns dos seus familiares. 

Ao mesmo tempo, a autora escolhe alguns objectos alemães e vai-nos dando conta da importância que o seu surgimento teve na vida alemã e na sua em particular, como seja, por exemplo, o caso do tubo de cola UHU, dos pensos Hansaplast e/ou dos arquivadores Leitz.

Um dos temas centrais de toda a obra é, sem dúvida, a questão da culpa alemã (sempre envolta em grande ambiguidade) face ao Holocausto. Algo que é igualmente central à própria história recente alemã e ao modo como o país se posiciona ainda nos dias de hoje nas relações internacionais. 

Adorei! Um livro diferente, original e de valor inestimável sobre um tema que me é muito especial!


https://www.goodreads.com/review/show/8429366515