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quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Mártir" de Kaveh Akbar



"Mártir" de Kaveh Akbar
Relógio D' Água, 2024
360 Páginas

"Mártir" é um romance sobre a procura de sentido na morte e a ideia de mártir/martírio, algo que, na minha perspectiva, está intimamente relacionado com a cultura iraniana pós revolução islâmica dos anos 70.

 A história está muito bem construída em torno da dependência relativamente ao álcool (e drogas) de Cyrus, da morte da mãe num voo quando o avião comercial em que seguia foi abatido por engano pelos EUA e deixou o marido (e pai de Cyrus) viúvo e Cyrus órfão (de mãe), da incompreensão de Cyrus relativamente à morte da mãe e do consequente desgosto irremediável do pai de Cyrus face ao sucedido à esposa. 

E a verdade é que "Mártir" está igualmente muito bem escrito, sendo que, no final, a história acaba por nos conseguir surpreender: há algo que parece ser, sem o ser! Excelente.


https://www.goodreads.com/review/show/8583603499

terça-feira, 5 de maio de 2026

"Persépolis" de Marjane Satrapi



"Persépolis" de Marjane Satrapi
Bertrand Editora, 2015
352 Páginas

"Persépolis" de Marjane Satrapi é uma banda-desenhada autobiográfica e Marjane Satrapi é iraniana. Ora, sempre fugi de banda-desenhada porque quero mesmo é ler e ter a liberdade total para imaginar sem o suporte do desenho, mas esta é de uma autora iraniana e é autobiográfica. Será que não deveria dar-lhe uma oportunidade? Sobretudo depois de ter lido aquele outro livro, também ele, cheio de fotos e desenhos, de Nora Krug?!

Foi, então, que diante de todos estes argumentos, decidi prosseguir e avançar com a leitura, até porque a obra é sempre muito bem avaliada por quem a lê. E percebe-se bem porquê. 

O livro é excelente e a história que Satrapi conta da sua vida é, uma vez, a prova de que as nossas vidas individuais são forçosamente influenciadas e impactadas pelo meio (aqui, entenda-se, país) em que nascemos e crescemos. E diante disso, quando pensamos e queremos diferente: ou partimos para outro lugar, deixando para trás, na maioria das vezes, quem amamos, ou resignamo-nos e permanecemos vendo a nossa liberdade cada vez mais encaixotada e amarrada. 

Marjani partiu uma vez com destino à Europa (Áustria). Regressou ao Irão. Tentou integrar-se, mas percebeu que o caminho seria partir novamente... e partiu uma vez mais para a Europa (França). Na semana passada, já eu tinha lido o seu livro há algumas semanas, Marjani partiu pela terceira vez... de tristeza (cerca de um ano depois de ter perdido o marido) e, desta vez, não regressará mais... fica "Persépolis", um testemunho vivo, na primeira pessoa, da realidade iraniana após a revolução islâmica de 1979... de valor inestimável. 

Adorei! Um excelente livro!


https://www.goodreads.com/review/show/8575125855