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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

"Catherine: The Princess of Wales: The Biography" de Robert Jobson


"Catherine: The Princess of Wales. The Biography" de Robert Jobson
John Blake Publishing Ltd, 2024
320 Páginas

Creio que não é uma tarefa simples escrever uma biografia sobre alguém que ainda se encontra vivo e muito menos quando esse alguém integra a esfera do poder. 

Sendo esta a futura rainha de Inglaterra, esperava que Robert Jobson fosse isento, objectivo e melhor contador de histórias, procurando redigir um livro alicerçado em investigação documental e, eventualmente, entrevistando figuras próximas da Princesa de Gales. Não foi, todavia, o que se verificou e salvo um ou outro pormenor, senti que, na generalidade, estava a ler uma série de revistas cor-de-rosa focadas nas fofocas da família real britânica. Algo aborrecido. 

Gostei de algumas partes, mas na generalidade não senti grande entusiasmo nesta leitura nem fiquei curiosa para ler outros livros de Jobson, para ser sincera. 


https://www.goodreads.com/review/show/7953747556

quinta-feira, 22 de junho de 2023

"A Literary Tour of Italy" de Tim Parks



"A Literary Tour of Italy" de Tim Parks
Alma Books, 2016
288 Páginas


Tim Parks é um inglês casado com uma italiana (com filhos dessa união) e residente desde há vários anos em Itália. Daí boa parte dos seus livros versarem sobre a história e cultura italiana, de uma forma algo original. 

Sendo este o primeiro livro que leio dele, devo dizer que não será o último. Embora, "A Literary Tour of Italy" tenha ficado um pouco aquém das minhas expectativas... Porquê?

Boa parte do livro parece escrito com a convicção de que o leitor conhece todos os autores e obras aqui referidos... o que pode não corresponder à verdade!

Conheço muitos deles, mas não todos. Sobre os que conheço adorei o que li, sobre os que não conheço admito que me senti algo perdida e tive alguma dificuldade em me manter interessada. Portanto, a meu ver, é aqui que Parks poderia ter conseguido ir mais longe e não foi... pelo menos para mim!

Tirando isso, gostei do que li e os meus capítulos preferidos foram: os de Niccolò Machiavelli, Cesare Pavese e Antonio Tabucchi. 


https://www.goodreads.com/review/show/5559281253

sábado, 19 de fevereiro de 2022

"Runemarks" de Joanne Harris


"Runemarks" de Joanne M. Harris
Orion Books, 2016
513 páginas

Joanne Harris encontra-se desde há vários anos entre os meus escritores preferidos. Gosto do tom da sua escrita, do apelo que faz aos sentidos, às cores, aos aromas e aos sabores. E foi isso e o facto de não ler nada dela há algum tempo que me fez olhar para este "Runemarks". 

"Runemarks" talvez não seja o tipo de livro para todo o tipo de leitor, até porque se insere no género literatura fantástica puro e duro. E... como se isso não bastasse é uma história de deuses nórdicos (AESIR e VANIR) com runas e muito mistério à mistura. Há também não deuses presentes na história, mas com poderes especiais... ou melhor, mágicos e com curiosas histórias de vida desconhecidas dos próprios quase até mais de metade do livro. Falo, por exemplo, da personagem principal: a jovem Maddie Smith.

O livro está estruturado em 9 "livros", estando em concordância com os também nove mundos contidos em Yggdrasil (árvore da vida), da qual temos um mapa logo no início, seguido de uma lista de personagens e de quais as relações entre si. Tudo parece pensado ao pormenor.

Quem não tiver grande conhecimento de mitologia nórdica, prepare-se para ir investigando aqui e ali de forma a melhor perceber a relação entre os deuses com que nos vamos cruzando ao longo da história e o porquê de serem conhecidos de determinada maneira (Loki é conhecido como o trapaceiro apenas para que fiquem com uma ideia)... Para quem já souber um pouco ou souber bastante de mitologia nórdica, a leitura ainda se torna mais viva, plena de acção e cheia de graça, digamos assim. 

Gostei bastante e siga para o segundo volume "Runelight"!


https://www.goodreads.com/review/show/4292714619

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A Menina Que Roubava Morangos, de Joanne Harris

"A Menina Que Roubava Morangos" de Joanne Harris
Edições Asa, 2019
374 Páginas

Joanne Harris está entre aqueles autores que guardamos no coração...

Penso que isso se deve, no meu caso, a duas razões: a primeira relaciona-se com o momento em que li um livro seu pela primeira vez (próximo do fim da adolescência e do início da idade adulta - foi a minha primeira "escritora adulta"- em tempos algo conturbados...) e a segunda relaciona-se mesmo com a sua forma especial/mágica/mística de contar histórias, toda a evocação de cheiros e sabores que nos fazem acreditar que estamos efectivamente diante de algo que, na verdade, resulta da imaginação. 
É claro que já li um ou outro livro de Harris de que gostei menos (e não li nada sobre aqueles seus livros cujas histórias nos levam ao mundo das runas), mas, regra geral, sei que é uma escolha segura.

"A Menina que roubava Morangos" faz parte da "saga" Chocolate de que eu tanto gosto e é sempre agradável voltarmos aos "lugares" onde já fomos felizes. E foi muito bom privar novamente com Vianne Rocher, Anouk, Rosette, Roux, ... Reflectir uma vez mais sobre a mudança e o medo dela, sobre a necessidade de deixarmos livres aqueles que amamos porque hão de voltar...! 
Amar é soltar, é deixar ir e compreender que tudo tem o seu momento certo. Julgo que esta foi a grande mensagem (como que uma ideia de esperança certa) que Harris nos quis deixar neste seu livro. 

Mais uma vez, leio um livro desta autora "no momento"; como que cumprindo uma espécie de chamamento. Deixando-me levar também com o vento (outra das presenças obrigatórias no mundo de "Chocolate"), parto agora diferente do que estava quando aqui cheguei e valeu a pena... Cada página, cada capítulo, cada parte; cada dia, cada hora, cada minuto. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

No Limiar da Eternidade, de Ken Follett


"No Limiar da Eternidade" de Ken Follett
Editorial Presença, 2014
1022 Páginas



E eis que termino de ler a trilogia "O Século"...!

Dos três volumes este foi, sem dúvida, aquele que gostei menos. As suas 1022 páginas pareceram-me excessivas, embora não entendiantes. Longe disso. A leitura faz-se sem esforço e é agradável. A verdade é que com menos 200 páginas teria-se certamente resolvido a história...

Este volume centra-se na divisão da Alemanha em duas Alemanhas, no muro de Berlim e no papel que este teve não só para a Alemanha propriamente dita como no contexto da própria Guerra Fria, na luta pelos direitos dos negros nos EUA e dos homossexuais no Reino Unido, acompanhando a evolução da URSS até à chegada de Gorbachov. A liberdade e a transformação de valores é também abordada sobretudo sob o signo "sexo, drogas e rock'n'roll".

Gostei no geral do livro, mas tive dificuldade em "entrar" numa história onde as primeiras personagens que surgem são filhos e filhas de relações iniciadas no fim do segundo volume. Ou seja, só já várias páginas depois do inicio é que nos é explicado quem é quem, sendo que há personagens do segundo volume que quase não aparecem neste volume e quando surgem, surgem com um papel marginal. Uma das realidades familiares que mais tive dificuldade em compreender foi a russa porque há personagens anteriores cuja existência se esfumou neste livro sem que eu tivesse percebido o que lhes tinha acontecido. Há mais duas situações destas... Uma na realidade familiar americana e outra na inglesa. Tratando-se de uma trilogia acompanhando a evolução das familias inglesa, galesa, americana, russa e alemã seria desejável perceber a evolução das mesmas segundo uma transição um pouco mais lenta... Este volume começa, nesse sentido, um "bocado a seco". De igual modo, senti muita superficialidade na forma como as personagens se relacionam entre si, mesmo em contexto amoroso, o que não senti verificar-se anteriormente.

A realidade que mais me agradou ler porque me pareceu escrita de uma forma não tão apressada foi a alemã e a relação desta com as demais... O impacto que o muro teve na vida de tantas familias que acabaram separadas, algumas até irremediavelmente "destruídas"... Isto não é novo para mim; porém uma coisa é ler documentação histórica, política disto e outra bem distinta é imaginar e "viver" a vida de pessoas comuns (vá, eu sei que são personagens e isto é ficção) que experimentaram na pele tudo isto tendo as suas vidas privadas afectadas...

No geral, adorei esta trilogia. Este volume está interessante... Todavia, acho que "O Século" passava bem apenas com dois volumes, até pela forma como termina o segundo volume. "No Limiar da Eternidade" parece-me aquele livro que, apesar de bem feito e sem dar azo a tédios, nasce da "cegueira" que um grande sucesso, por vezes, traz. Follett poderá ter pensado apenas em dois volumes, mas por ter sido tão bem sucedido e ter tido tão boa aceitação por parte do público pensou, então, num terceiro volume... que teria de ser indubitavelmente um sucesso também. Talvez. Talvez teria e talvez seja... Só que eu continuo a achar os outros dois livros melhores!



quarta-feira, 31 de julho de 2019

O Inverno do Mundo, de Ken Follett

"O Inverno do Mundo" de Ken Follett
Editorial Presença, 2012
832 Páginas


Comparativamente ao primeiro livro "A Queda dos Gigantes", "O Inverno do Mundo" continua a ser um vício viciante desde o início... Ken Follett "prendeu-me" tanto a atenção que tive de ler este segundo volume da trilogia de forma ainda mais rápida!

Neste livro, o autor concentra-se na Segunda Guerra Mundial e no aparecimento do fascismo no mundo inglês e alemão, abordando igualmente toda a transformação sofrida pela URSS. Extremamente interessante é também o papel que a espionagem assume na narrativa. Está novamente um trabalho de mestre. 

Relativamente à realidade alemã, considero que Follett aborda a mesma na medida certa, sem exagerar nada, sem ser tendencioso (devo dizer que admiro muito esta sua capacidade). Não acho que devesse ter insistido mais na questão do Holocausto até porque o faz de forma suficiente e além disso esta não é uma história situada apenas na Alemanha nazi. E a provar isto mesmo, Follett refere "de forma separada da questão do Holocausto" um programa de "eutanásia" destinado a matar pessoas com doenças mentais e físicas, o Aktion T4. 

As famílias inglesa (e galesa), alemã, norte-americana e russa continuam a evoluir neste volume, agora mais centrado nos filhos das personagens criadas no anterior volume. Muitas mudam de país e associam-se a outras realidades, outras cruzam países por razões privadas ou profissionais e regressam à base. E vale a pena acompanhar esta evolução porque dá para reflectir bastante acerca dos relacionamentos e da própria natureza humana sem floreados, sem melodramas. 

"O Inverno do Mundo" é, tal como o primeiro livro, um romance histórico indicado sobretudo para quem gosta de História, destacando-se aqui a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial (as partes relativas a Pearl Harbor e à invasão alemã da URSS são de salientar, bem como o papel fundamental assumido pela Guerra Aérea). 

terça-feira, 23 de julho de 2019

A Queda dos Gigantes, de Ken Follett

"A Queda dos Gigantes" de Ken Follett
Editorial Presença, 2013
917 Páginas


Perfeito. 

Tem tudo nas doses certas, o que faz com que as suas novecentas e tal páginas estejam longe de ser um fardo. Admito que a primeira impressão quando se olha para a dimensão do calhamaço seja algo assustador, mas a partir do momento em que nos deixamos cativar por tudo o que seu interior nos oferece... Torna-se um vicio (viciante) daqueles bem dificeis de largar!

Tenho lido bons livros nos últimos tempos, sim. Porém, talvez nenhum que me tenham absorvido tão totalmente como este ao ponto de me libertar por inteiro (com excepção da minha presença física, naturalmente) da minha própria realidade... e me fazer prender por cada uma das diferentes vidas com que aqui me fui cruzando. 

Estudar o período histórico da Primeira Guerra Mundial tem sido uma das minhas tarefas desde há cerca de dez anos atrás e, por isso mesmo, não me cruzei do ponto de vista histórico com nada de novo. Revi e quase que "vivi" em tudo o que se passou na época uma vez mais. Follett fez, de facto, desse ponto de vista um trabalho exímio. Até porque sendo inglês narra com isenção e ao sabor da mentalidade da época os acontecimentos e as quezílias que se desenvolvem entre as "nações". Está de mestre! 

Por outro lado, achei profundamente fascinante as relações entre as personagens inglesas e alemãs, por exemplo, e o impacto que a entrada na Primeira Grande Guerra tem na vida individual e pessoal de um casal anglo-germânico. Porque isto aconteceu efectivamente, embora aqui estejamos diante de um livro-romance. 

É também interessante o modo como as famílias inglesa (e galesa), alemã, norte-americana e russa vão evoluindo antes, durante e imediatamente após o conflito quanto a amizades, casamentos, relações extraconjugais, filhos legítimos e ilegítimos, ... É fácil compreender o impacto que aquilo que se verifica na relações internacionais e aquilo que sucede com a realidade interna dos próprios países (económica, política e culturalmente) tem na vida individual e privada dos seus cidadãos. Considero, assim, que este é outra qualidade digna de nota presente neste romance e que me parece passar com frequência ao lado do comum dos mortais... 

Por fim, e isto não me saiu da cabeça durante alguns dias, talvez este romance ganhasse mais ainda se tivesse uma familia italiana implicada... No volume que se segue a "A Queda dos Gigantes", relativo à Segunda Guerra Mundial e intitulado "O Inverno do Mundo" acredito que isso teria um forte impacto na narrativa. 

"A Queda dos Gigantes" é um romance histórico indicado sobretudo para quem gosta de História e, em particular, para aqueles que se interessam pela temática da Primeira Guerra Mundial sem se importarem que a história resvale para o campo de batalha... Para quem "gosta" do que acabei de referir, é perfeito (mesmo sabendo que a perfeição é algo inexistente)!!!



sexta-feira, 12 de julho de 2019

O Sabor do Perigo, de Peter Elbling

"O Sabor do Perigo" de Peter Elbling
Editorial Presença, 2010
284 Páginas

Simpatizei com este livro desde o primeiro instante, mas durante vários anos deixei-o ficar na estante à espera de sentir que tinha chegado o momento de o ler, então. 

E chegou. Chegou quando a ler "O Segredo de Copérnico" recentemente me deparei com a morte de alguém por veneno e com a figura do provador de comida, bem como todo o ambiente de intriga vivido no espaço italiano do século XVI. Pensei: Tenho de ler já de seguida aquele romance do provador. Assim foi. 

Creio que a história tem um bom argumento. É particularmente interessante o modo como a figura do provador de comida se reveste de tanta importância na vida do duque e requer ao mesmo tempo tanta inteligência e astúcia para sobreviver ao "maravilhoso mundo" do veneno, da inveja e das rivalidades. A par disso, o amor de um pai (presente como pai e como mãe) pela filha, sempre preocupado com a segurança e o bem-estar da mesma, sendo mesmo capaz de sacrificar, se necessário, a sua vida revelou-se outro "ingrediente" digno de nota em "O Sabor do Perigo". 

Uma chamada de atenção apenas para o facto deste livro ter muito pouco ou mesmo nada a ver com "O Perfume" de Patrick Süskind, ao contrário do que uma das frases da contra-capa poderá sugerir. São livros muito diferentes. Para além do papel principal caber aqui ao sabor (e não o cheiro), esta não é a história de um assassino. É antes uma história de alguém que correndo sempre perigo tenta a todo o custo proteger três vidas: a sua, a da filha e a do duque para quem trabalha. 

Gostei muito!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Um Artista do Mundo Flutuante, de Kazuo Ishiguro

"Um Artista do Mundo Flutuante" de Kazuo Ishiguro
Gradiva, 2018
248 Páginas

Este é o segundo livro que leio de Kazuo Ishiguro (o primeiro, recordo, foi "The Remains of the  Day", lido no original em língua inglesa) e creio já ter uma ideia daquele que é o estilo característico do autor...

A julgar pelas duas personagens principais (uma por livro, entenda-se), Ishiguro parece gostar de remexer no passado, nem sempre bem resolvido, procurando com as suas histórias desfazer os "nós" existentes, dar um rumo novo e, em certa medida, uma lição de esperança (?). 

As últimas páginas de "Um Artista do Mundo Flutuante" são mais optimistas do que as de "The Remains of The Day", mas curiosamente a personagem principal do primeiro não me conseguiu dizer tanto como o mordomo Stevens. 

A história passa-se no Japão pós Segunda Guerra Mundial, numa sociedade cheia de traumas mal resolvidos (o militarismo que se deve esconder/desaparecer e a influência americana que alguns entendem servir para esbater o que "é e significa" ser japonês, ...). E é neste contexto que a personagem principal, um pintor reformado, Masuji Ono, surge. 

Uma das coisas que mais apreciei neste livro foi o sentido da expressão "mundo flutuante"... Diria que foi mesmo uma das partes mais interessantes para mim neste livro, uma vez que remonta para a magia que a noite tem. Uma magia que se esvai quando amanhece e tudo volta à normalidade...!


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Mel, de Ian McEwan


"Mel"de Ian McEwan
Gradiva, 2012
386 Páginas

"Mel" é o terceiro livro que leio de Ian Mc Ewan e até à data "Expiação" continua a ser o meu preferido. Quer isso dizer que não gostei de "Mel"? Não, nem pensar. Passo a explicar:

Gostei de "Mel", mas senti-me como que meio perdida e um tanto ao quanto desanimada até metade do livro... A história ganhou para mim efectivamente um novo fôlego quando a personagem principal, Serena, é colocada numa missão do MI5. A partir daí, sim, temos verdadeiramente história e Mc Ewan conseguiu prender-me à narrativa e ao modo como Serena lida emocionalmente com a missão na qual, em certa medida, se joga o seu futuro... 

O dilema em que Serena se encontra: de contar ou não a verdade acerca do seu envolvimento na missão ao homem que ama (e não vou entrar em mais pormenores) é, de facto, um dos pontos altos de "Mel". Durante muito tempo, não era possível aos espiões revelarem essa sua identidade (chamemos-lhe assim) à pessoa com quem viviam intimamente e penso que não é dificil imaginar o quão complicado isso era para as pessoas individualmente, para as relações, mas também para o próprio sucesso das missões... Porque por muito profissional que se seja nem sempre é fácil separar a vida profissional da vida pessoal, sobretudo quando esta primeira tem tão grandes implicações nesta segunda... Ausências, falta de tempo, eventualmente de contacto... 

Mc Ewan escreve muito bem. Tem passagens extremamente articuladas, escritas de forma inteligente e pensadas para não deixar o leitor indiferente... Emocionalmente falando. Ao mesmo tempo, a forma como Serena nos fala é uma espécie de exercicio de partilha de intimidade, ou melhor ainda, de intimidade desvendada... de algo secreto (literário q.b.), passado nos anos 70, aquando da crise petrolífera e ainda no decorrer da Guerra Fria.

No fim tudo se encaixa e a história termina de forma perfeita. O desfecho é surpreendente, sim, mas totalmente à altura da história que acabámos de ler... Brilhante!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

The Remains of the Day, de Kazuo Ishiguro

"The Remains of the Day" de Kazuo Ishiguro
Faber and Faber, 2010
258 Páginas


Quando estava a ler "The Remains of the Day" (na edição portuguesa: "Os Despojos do Dia"), não consegui perceber o real e verdadeiro significado que esta história do mordomo Stevens estava a adquirir para mim... Aliás, só quando terminei o livro e pensei: e agora? E agora não há mais sr. Stevens? 

Normalmente, fico "presa" a histórias, não tanto a personagens. Há excepções, contudo. E estou até a lembrar-me de umas quantas, mas concentremo-nos neste mordomo sem mais demoras. Aquilo que me "prendeu" ao sr. Stevens não foram propriamente as suas qualidades humanas, em relação às quais tive momentos em que o que me apeteceu foi chamá-lo à atenção, mas a sua total e irrepreensível dedicação ao trabalho. E, por consequência, essa total e irrepreensível dedicação ao trabalho significou sacrificar a sua vida pessoal... na sua essência de forma incontornável e irreparável (?). Isso deixou-me cativa. Até porque não é assim tão dificil nos dias que correm cair nessa armadilha e assistir à vida a passar-nos ao lado... E será que vale a pena? Será que aquilo que perdemos compensa aquilo que ganhamos? Creio que esta é a grande mensagem que me vai ficar deste mordomo, que acaba por ser também um exemplo de como os ingleses são extremamente rigorosos com o trabalho (algo de que já me tinham falado). 

Para além da personagem gostei da escrita e do estilo de Ishiguro. Voltarei com todo o gosto a ler mais livros escritos por este autor. Valeu a pena e o meu receio inicial de sofrer interferências entre a leitura em língua inglesa deste livro e a leitura em língua alemã de outros mantida em simultâneo, que foi o que me levou a deixar este livro tantos meses parado (e a ter de recomeçar), revelou-se infundada. Consegui ler nos dois idiomas ao mesmo tempo sem qualquer problema. Desafio superado!