sexta-feira, 31 de julho de 2026

"As Meninas do Laranjal" de Gabriela Cabezón Cámara


"As Meninas do Laranjal" de Gabriela Cabezón Cámara
Elsinore, 2026
216 Páginas


Romanceando de forma lírica a história de Catalina de Erauso (1592-1650), conhecida como a "freira de alferes" (uma freira que assumiu a identidade de um homem, fugiu de Espanha e foi combater na conquista das Américas), Gabriela Cabezón Cámara apresenta-nos um livro cuja leitura se torna simultaneamente agradável e enriquecedora. 

A vida e as proezas pelas quais Catalina passa assumem, assim, um interesse renovado e, de igual modo, acrescido valor pela forma como Cámara escreve. A narrativa é muito rica, até porque a autora alterna entre, pelo menos, duas formas de escrita diferentes: uma sob a forma de cartas dirigidas à tia, outra talvez... mais descritiva sem ser puramente descritiva. É uma escrita maravilhosa, daquelas que dá gosto ler, ainda para mais para quem aprecia prosa poética.

Também o ambiente envolvente da selva está tão bem retratado que não é dificil para o leitor sentir-se parte dele e parte da própria história.

Adorei e percebe-se perfeitamente o porquê deste livro ter feito parte da "longlist" do International Booker Prize de 2026. 

https://www.goodreads.com/review/show/8798720423

sexta-feira, 24 de julho de 2026

"O Último Espião do Reich" de Francisco Ramalheira



"O Último Espião do Reich" de Francisco Ramalheira
Gradiva, 2026
296 Páginas

Francisco Ramalheira consegue neste extraordinário volume reunir o mistério/enigma da Atlântida (espaço que se defende localizar na zona dos Açores), Robert Oppenheimer (pai da bomba atómica), Max Planck (reconhecido físico alemão e pai da física quântica), Salazar, Hitler, um carteirista de Alfama, bibliotecas e o gosto pela leitura (e pelos livros, claro), e ainda locais emblemáticos da cidade de Lisboa como o Mosteiro dos Jerónimos. 

O resultado é uma história extremamente original, cheia de acção e sem grandes momentos parados, daquelas que nos prendem (viciam também) e não nos deixam pousar o livro até perceber o que irá acontecer a seguir. 

É uma leitura que vale muito a pena e, sob o ponto de vista cultural, muitissimo enriquecedora! Gostei bastante e recomendo. Senti-me totalmente em casa e no meu mundo, misturando elementos culturais portugueses e alemães numa simbiose perfeita.

https://www.goodreads.com/review/show/8767403915

domingo, 12 de julho de 2026

"22 Voltas" de Caroline Wahl


"22 Voltas" de Caroline Wahl
Editorial Presença, 2026
224 Páginas

"22 Voltas" de Caroline Wahl, sucesso literário na Alemanha, foi uma agradável surpresa e é acima de tudo uma história de resiliência, amor (destaque para o fraternal) e esperança perante o caos e a dor de viver com um familiar alcoólico. 

As 22 voltas dadas a nadar numa piscina municipal são para Tilda o escape para melhor gerir tudo isto e aliviar o fardo de responsabilidade que carrega sobre os ombros. É também na água da piscina que a Tilda encontrará um bálsamo para as suas emoções e, num certo sentido, um nova e potencial direcção de vida... e o começo de um caminho para a liberdade. 

Além de ter apreciado a história, a escrita crua, directa, natural/humana e não menos bela, de Caroline Wahl também me conseguiu cativar. Gostei muito.

"O outono é um mago que enfeitiça tudo à sua volta. Envolve o mundo em vento, nevoeiro e chuva, e cheira a vida. O verde transforma-se em fogo. Às vezes, num dia chuvoso, o fogo parece pardo e cinzento. Mas então, num desses dias pardos e cinzentos, eis que o sol surge ao final do dia, e tudo reluz, cintilando em tons dourados. E estes aromas. Magia." 

 https://www.goodreads.com/review/show/8743781829

sábado, 4 de julho de 2026

"Mil Tons de Azul" de Cheon Seon-Ran



"Mil Tons de Azul" de Cheon Seon-Ran
Casa das Letras, 2026
256 Páginas

"Mil Tons de Azul" acabou por ser uma espécie de desilusão... Não foi mau, não foi bom. Foi antes um "não aquece nem arrefece" e passaria bem sem o ter lido porque honestamente não me conseguiu levar a nenhum lado nem me trouxe nada de novo, diferente e muito menos especial. 

Depois de ter lido há poucos anos "Klara and the Sun" de Kazuo Ishiguro, que simplesmente adorei, pensei que este "Mil Tons de Azul"- tendo também no centro da sua história robots e a sua relação "humana" com pessoas e animais - poderia ser uma boa aposta, mas não... achei a história confusa, estranha e algo sem sabor. 

A premissa da história é interessante, e cativa, mas a concretização ficou aquém. Isso... ou o facto de estarmos diante de uma tradução feita a partir de outra tradução, ao invés de termos uma única tradução a aproximar-nos (ou será a afastar-nos?!) do texto original. Digo isto porque não deixa de ser estranho ser um romance premiado e ter um valor que eu não consegui identificar claramente. Ou será apenas algo mais cultural e caracteristico da cultura coreana? É que este é o segundo livro de  um autor coreano que leio este ano e não me consegue convencer...


https://www.goodreads.com/review/show/8716560840