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quarta-feira, 4 de março de 2026

"Para Onde Vão os Guarda-Chuvas" de Afonso Cruz



"Para Onde Vão os Guarda-Chuvas" de Afonso Cruz
Companhia das Letras, 2013
624 Páginas

"Para Onde Vão os Guarda-Chuvas" é o primeiro livro que leio de Afonso Cruz em que, a meu ver, existe uma maior ênfase na história do que propriamente na escrita bonita e profunda, no jogo de palavras e musicalidade poética irrepreensível. O que, porém, não torna o livro menos bom. Aliás, é um livro excelente, sendo geográfica e culturalmente relacionado com o Médio Oriente. 

A história é consistente, robusta e o final deixou-me a pensar vários dias acerca do seu real significado. 

Maravilhoso!

https://www.goodreads.com/review/show/8388163168

domingo, 19 de outubro de 2025

"Nem Todas as Baleias Voam" de Afonso Cruz


"Nem Todas as Baleias Voam " de Afonso Cruz
Companhia das Letras, 2023
280 Páginas

Começo por dizer que adoro a escrita de Afonso Cruz. Não são tanto as histórias, é mesmo a forma como a sua prosa é criativa e carregada de sensibilidade. Mas já li histórias nos livros dele que me ficaram entranhadas... e não sairam mais. 

Não foi, contudo, este o caso de "Nem Todas as Baleias Voam". Li-o depressa, gostei e encontrei aqui frases de uma beleza infinita sem, ainda assim, me terem feito adorar a obra. Sinto e creio já ter livros muito melhores de Afonso Cruz. 

Faltou qualquer coisa a "Nem Todas as Baleias Voam"... Terá sido um pouco mais de estrutura mantendo livre toda a sua criatividade? Não sei. Ou terá sido a paixão algo cega de uma das personagens por uma russa que me pareceu um lugar demasiado comum? Também não sei. 

Sei apenas que voltarei a ler Afonso Cruz, apesar deste livro não ter sido dos que mais gostei. 


https://www.goodreads.com/review/show/8001476579

terça-feira, 4 de março de 2025

"Sinopse de Amor e Guerra" de Afonso Cruz



"Sinopse de Amor e Guerra" de Afonso Cruz
Companhia das Letras, 2021
192 Páginas

O muro de Berlim como pano de fundo. O amor aos livros. E um amor demorado que o muro deixa interrompido... em suspenso. 

Afonso Cruz tem uma escrita muito bonita. Tem-na aqui uma vez mais. E é dificil parar ou pousar este livro... É lindo. 

"- Sempre te amei, Theo, muitissimo, mas eras alguém muito próximo, e a proximidade destrói o erotismo (...). Tu sempre estiveste ao alcance do meu desejo, isso é aborrecido, não é desafiante. É a mais pura das verdades, Theo, sempre te amei, mas nunca soube lidar com a proximidade, a minha especialidade é a distância, estar num lugar impossível e por isso enlouquecer quem me ama, sim, afasto-me, deliberadamente umas vezes, inconscientemente outras, e se te afastei no passado, Theo, foi para que pudéssemos estreitar-nos, é isto, no fundo, é isto, escuta, nós estávamos destinados, isso é algo que se pode ouvir no quando tudo está em silêncio" (pp.92-93).


https://www.goodreads.com/review/show/7372425622

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

"Princípio de Karenina" de Afonso Cruz





"Princípio de Karenina" 
de Afonso Cruz
Companhia das Letras, 2018
168 Páginas

Mais um livro bonito, muito bonito de Afonso Cruz! Não me recordo de ter lido (até à data) nenhum que desgostasse. Li-o como se o devorasse, como se estivesse presa a ele, sem o conseguir largar para além do necessário! 

Este autor tem o dom de criar histórias mágicas, plenas de poesia… quer seja na forma como as cria, quer nas ideias que transmite… sobre algo aparentemente tão preto no branco como ter medo do desconhecido, do que é diferente e vem de fora e, por oposição, esse fascínio tão louco como talvez até incontrolável por descobrir, alcançar e atravessar o universo do outro.

Para além de tudo, a cereja no cimo do bolo está na beleza da sua escrita… com que me identifico muito! 

Adorei.

https://www.goodreads.com/review/show/7087863287

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Vamos Comprar um Poeta, de Afonso Cruz


"Vamos Comprar um Poeta" de Afonso Cruz
Editorial Caminho, 2016
101 Páginas

Lê-se rápido, demasiado rápido, diria, para um livro tão bonito... E isso faz com que as suas 101 páginas saibam a pouco, deixando-nos com vontade de mais...

Afonso Cruz faz em "Vamos Comprar um Poeta" uma espécie de apelo à importância da arte nas nossas vidas, escolhendo a poesia para o demonstrar. 

É certo que não é a poesia que, por norma, nos compra a comida, a roupa e a casa onde vivemos, mas a imaginação e a criatividade podem fazer toda a diferença em qualquer trabalho que sirva "para nos pagar a existência", alimentando-nos a alma, tornando-nos mais livres e eventualmente mais felizes... Dando cor aos dias mais cinzentos! 

Além do que a arte é cultura e a cultura é a essência de um povo, a sua identidade!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz


"A Boneca de Kokoschka" de Afonso Cruz. 
Quetzal, 2014
241 Páginas


Tive "A Boneca de Kokoschka" de Afonso Cruz cerca de quatro anos, parada na estante, à espera de ser lida... Durante esse tempo, peguei nele várias vezes, mas de todas as vezes voltei a largá-lo. Tinha receio de estar prestes a apanhar uma desilusão quando lhe pegasse a sério, até porque, apesar de já ter ouvido falar de Afonso Cruz e bem, nunca tinha lido nada escrito por ele. 

Todavia, supresa das surpresas, gostei e gostei muito! Demorei um pouco a mergulhar na história que dentro dela tem outra história e depois mais outra (todas relacionadas com a dita boneca), mas valeu a pena. E, no fim, consegui perceber a razão de ser deste título, cujo significado é bem distinto daquele que esperava inicialmente. Fiquei decepcionada por me ter "enganado"? Não. O autor "trocou-me" as voltas e valeu a pena. Devo, porém, sublinhar que foi o significado que, literalmente, me pareceu estar contido no título, bem como o resumo do livro versando sobre uma história passada na Alemanha destruida pela Guerra (a Segunda Grande Guerra, entenda-se), as motivações para a minha escolha. 

Para além da própria construção da "história" deste livro, gostei de alguns excertos sobre a Liberdade e a Prisão, sobre o Universo, a Separação e a União/Amor, sobre a necessidade de convivermos com os outros para existirmos efectivamente (o homem não é uma ilha). Ainda continuo com eles em mente... como se tivesse ficado "cativa" dos mesmos, acertados e, ao mesmo tempo, curiosos. Gostei, de igual modo, da forma de escrita, diferente e criativa, e fiquei curiosa para ler outros livros de Afonso Cruz!

https://www.goodreads.com/review/show/2726325637