Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 31 de março de 2021

"Madame Picasso" de Anne Girard



"Madame Picasso" de Anne Girard
Aufbau Verlag, 2020
467 Páginas


Eva Gouel, também conhecida por Pablo Picasso como "ma jolie", foi a sua segunda musa e companheira, sendo que o livro "Madame Picasso" começa efectivamente a partir do momento em que ambos se conhecem. 

Gouel era dançarina no Moulin Rouge quando conhece Picasso e este ainda vivia com Fernande Olivier, mas a relação entre ambos - sobretudo da parte dele - parecia ter "arrefecido". E, pelo menos pelo que Anne Girard nos faz crer, Gouel vem transformar Picasso, o homem e o artista de uma forma profunda. Ao mesmo tempo, a vida desta dançarina também não será a mesma e acabará por deixar para trás a dança acompanhando e dedicando-se ao pintor. E serão felizes. Até ao momento em que descobre estar doente... 

Este foi mais um interessante romance histórico envolvendo o mundo da arte, aqui dança e pintura, passado maioritariamente em Paris no inicio do século XX. Várias outras personalidades se cruzam nestas páginas, tornando o livro bastante rico do ponto de vista cultural. Rica é, de igual modo, a figura de Pablo Picasso, personagem principal de outro livro que já tinha lido há vários anos e que recomendo: "O Pintor de Sombras" de Esteban Martin. 

O único ponto menos positivo é mesmo o facto da bonita relação entre eles terminar de forma abrupta por causa de uma doença e disso tornar uma boa parte do livro profundamente triste de se ler... Para já nem falar nas últimas páginas. Incrivelmente belas na forma como estão escritas, mas de um carregado dramatismo e de uma tristeza sem fim que, sinceramente, não é o que mais aprecio. 

https://www.goodreads.com/review/show/3857099686

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

"Die Malerin" de Mary Basson




"Die Malerin" de Mary Basson
Aufbau Verlag, 2019
427Páginas


"Die Malerin" [A Pintora] de Mary Basson, originalmente escrito em língua inglesa com o título "Saving Kandinsky" centra-se na figura de Gabriele Münter, uma pintora do Expressionismo alemão e fotógrafa, que salvou os quadros de Wassily Kandinsky e do movimento Blaue Reiter [cavaleiro azul] de cairem nas mãos do Nacional-Socialismo e serem destruídos. 

Após vários anos de ligação amorosa a Kandinsky, de quem também tinha sido aluna, Münter recusou-se a devolver os quadros pintados pelo próprio, quando o advogado deste lhe comunica a decisão do pintor não querer mais encontrar-se pessoalmente com ela (e se ter casado com outra mulher, entretanto). Isto passou-se sensivelmente após a Primeira Guerra Mundial. Aliás, foi a Guerra e o facto de ser russo que o levou a deixar a Alemanha. 

Apesar da depressão e de praticamente ter deixado de pintar, na sequência desta "descoberta" Münter acaba por recuperar e torna-se uma fiel guardiã (juntamente com o homem com quem vive Johannes Eichner, um historiador de arte) desses quadros de Kandinsky até (quase) ao fim da sua vida. Aos oitenta anos, Münter decide doar tudo à Städtische Galerie na Lenbachhaus em Munique. 

A história de Gabriele Münter é muito bonita e este livro tem passagens incrivelmente bem escritas para quem for um admirador de arte e da pintura em particular. O que mais me impressionou na vida de Münter, de quem nunca tinha ouvido falar apesar de ser fã de Kandinsky desde os meus 16 anos, foi a devoção que esta dedicou aos quadros do pintor (e num certo sentido ao próprio pintor) mesmo após a separação. Se não fosse ela, muitos dos quadros que hoje conhecemos e contemplamos talvez não existissem...  


https://www.goodreads.com/review/show/3825429742

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard



"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard
Aufbau Verlag, 2019
400 Páginas

"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard conta, de forma romanceada, a vida da pintora mexicana Frida Kahlo, de quem eu sou grande admiradora desde há vários anos, quando numa aula de psicologia do ensino secundário nos foi dado a ver o filme "Frida" com Salma Hayek como protagonista. E essa admiração nada tem a ver com as suas convicções políticas nem com o feminismo.

A minha admiração profunda por Frida tem a ver com a forma heróica com que fez frente ao sofrimento e à dor, sem nunca desistir de viver, sem nunca desistir de pintar e dar cores intensas, vivas e garridas à vida até ao fim dos seus dias. 

E, de facto, Caroline Bernard apresenta-nos nesta sua obra um retrato, a meu ver, perfeito de Frida, desde o momento que esta teve aquele doloroso e inimaginável acidente quando o autocarro em que seguia chocou contra um eléctrico, condicionando a sua vida para sempre. A descoberta da pintura como fuga e "remédio" para a dor, uma alternativa ao sonho de estudar medicina que deixou para trás, os abortos tantas vezes retrados de forma surrealista, as traições do pintor Diego Riviera que sempre a amou e nunca a impediram de o amar loucamente também sempre e para sempre.  A força, garra e determinação para remar contra a maré e tentar encontrar alguma felicidade na autêntica revolução que faz à vida e, sobretudo, ao sofrimento físico de um corpo permanentemente doente. Tudo isto está presente e bem marcado em "Frida Kahlo und die Farben des Lebens" que é, sem sombra para dúvidas, um livro belíssimo sobre a pintora!

Adorei.

https://www.goodreads.com/review/show/3528239802

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

"Die Dame in Gold" de Valérie Trierweiler




"Die Dame in Gold" de Valérie Trierweiler
Aufbau Verlag, 2018
366 Páginas

Originalmente escrito em francês, com o título "Le Secret d'Adèle", "Die Dame in Gold" de Valérie Trierweiler centra-se na vida de Adele Bloch-Bauer (aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Portrait_of_Adele_Bloch-Bauer_I#/media/File:Adele_Bloch_Bauer,_c1915.jpeg), uma judia aristocrata, retratada por Gustav Klimt neste quadro: https://en.wikipedia.org/wiki/Portrait_of_Adele_Bloch-Bauer_I#/media/File:Gustav_Klimt_046.jpg (e neste também: https://en.wikipedia.org/wiki/Portrait_of_Adele_Bloch-Bauer_I#/media/File:Gustav_Klimt_047.jpg -ambos quadros roubados pelo regime Nazi e só recuperados muitos anos mais tarde pela sobrinha Maria). 

A autora apresenta uma versão de Adele como sendo uma mulher marcada pela morte dos filhos (por aborto espontâneo ou poucos dias após o nascimento), do irmão e, mais tarde, do próprio Gustav Klimt, de quem era amiga e com quem parece ter tido uma relação extra-conjugal ainda que breve. E, de facto, este peso da morte atravessa quase toda a obra, sendo mais acentuado no inicio e no fim da mesma. 

Efectivamente, Klimt surge como um agente libertador deste peso da morte e da dor de Adele. Talvez por essa mesma razão algumas das mais belas passagens deste livro sejam aquelas em que Trierweiler descreve a arte de pintar e, sobretudo, de retratar Adele por Klimt.

À parte disso, a figura de Adele não me causou grande impacto, talvez porque tinha acabado de ler um romance histórico sobre Frida Kahlo, essa autêntica força da natureza na forma como encarava a vida e fazia frente ao sofrimento. Foram mulheres muito diferentes, incomparáveis entre si. Concentrando-me em Adele, Adele preocupava-se em ajudar os desfavorecidos e, mais tarde, em apoiar os sobrinhos. Sofre bastante com a perda dos filhos que nunca chegará a ter... Essa foi, tanto quanto dá para compreender, a sua grande mágoa. 

Paralelamente, convém sublinhar o interesse manifestado por Adele nas sufragistas e na emancipação da mulher no geral - apresentados de forma superficial - , bem como na literatura (Stefan Zweig, Rainer Maria Rilke, Thomas Mann) e na psicanálise (Sigmund Freud) -parte muito interessante -. "Die Dame in Gold" passa-se antes, durante e pouco depois da Primeira Guerra Mundial, uma guerra para a qual se partiu com a firme convicção de que seria breve (o que em, em certa medida, me recorda um pouco a forma como muitos "partiram" para o primeiro confinamento de há um ano atrás...). 

Gostei muito do livro, embora considere que a autora peca por se forcar muito nessa mágoa de Adele, em especial nos capítulos iniciais da obra, o que carrega em demasia o romance... A título de curiosidade, devo mencionar que este é o terceiro livro que leio tendo o fascinante Klimt como uma das personagens (os outros foram: "O Beijo - A Paixão de Gustav Klimt" de Elizabeth Hickey e "Die Muse von Wien" de Caroline Bernard - aqui: http://outraformadeviajar.blogspot.com/2020/08/die-muse-von-wien-de-caroline-bernard.html).

https://www.goodreads.com/review/show/3807163750

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Die Muse von Wien, de Caroline Bernard

"Die Muse von Wien" de Caroline Bernard
ATB, 2018
479 Páginas


"Die Muse von Wien" ["A musa de Viena"] é um romance histórico centrado em Alma Schindler ou, talvez seja melhor dizer, em Alma Mahler-Werfel. Alma, a mesma mulher que levou o pintor expressionista Oskar Kokoschka a encomendar uma boneca à imagem e semelhança desta como forma de contornar o término da relação (https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-boneca-de-kokoschka.phtml). Foi, aliás, o livro de Afonso Cruz, "A Boneca de Kokoschka" que eu adorei (aqui: http://outraformadeviajar.blogspot.com/2019/02/a-boneca-de-kokoschka-de-afonso-cruz.html) o responsável por ter chegado a este livro de Caroline Bernard. 

Esta mulher austríaca parecia ter qualquer coisa de único e especial, inebriante, atraindo os homens da época (1879-1964) como se fosse "quase um feitiço", contando com três casamentos, todos eles com artistas: um compositor Gustav Mahler, um arquitecto Walter Gropius e um escritor Franz Werfel. Teve quatro filhos, mas só uma viveu muitos e longos anos, Anna Mahler, que se viria a tornar escultora. Viveu as duas grandes guerras mundiais. Sonhava ser compositora: tocava piano e escrevia composições musicais, embora tivesse abdicado disso aquando do casamento com Mahler, vinte anos mais velho e de quem seria musa inspiradora. 

Caroline Bernard foca-se nesta mesma relação de Alma com Gustav. E diria que foi uma interessante aposta, ao contrário do que poderia parecer à primeira vista. Sobretudo porque a personagem de Alma evolui de um romantismo meio que doentio e perdido (que me chegou a fazer questionar a minha escolha deste livro) para escolher amar alguém que a parece amar, diria mesmo que venerar desde o primeiro momento, Gustav. Homem distante e dedicado ao trabalho, o compositor nem sempre teve consciência de como essa forma de amar à distância magoava Alma... até o dia em que ela se começa a distanciar igualmente. 

Creio que esse distanciamento foi mesmo um "clique" na vida de ambos. Gropius (arquitecto fundador do Bauhaus) entra em cena, Freud (pai da psicanálise) também. E isto não é ficção, ainda que a partir desse mesmo momento o livro tenha ficado muito melhor, levando-me a mudar de opinião. 

De facto, uma das coisas que me fascina nos romances históricos é a possibilidade de aprender e reaprender História por um lado, e, pelo outro, aprender com a vida já vivida de facto dos outros. Aqui não só nos cruzamos com nomes imponentes do meio artístico austríaco, como também com o mundo complexo das relações e diferentes formas de amar: uma forma de amar à distância compreendida com mais comunicação e alguma compaixão.

Neste sentido, o grande trunfo de Bernard é mesmo a riqueza emocional deste livro e das vidas vividas que lhe dão vida e intensidade. Não dá para ficar indiferente a esta relação tão especial ao ponto de Alma nunca mais ter abandonado o apelido de Gustav, mesmo depois da morte deste. 

Gostei... E principalmente porque como diz João Tordo (não exactamente por estas palavras), este livro põe-nos o dedo na ferida... Emoções, emoções.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Vamos Comprar um Poeta, de Afonso Cruz


"Vamos Comprar um Poeta" de Afonso Cruz
Editorial Caminho, 2016
101 Páginas

Lê-se rápido, demasiado rápido, diria, para um livro tão bonito... E isso faz com que as suas 101 páginas saibam a pouco, deixando-nos com vontade de mais...

Afonso Cruz faz em "Vamos Comprar um Poeta" uma espécie de apelo à importância da arte nas nossas vidas, escolhendo a poesia para o demonstrar. 

É certo que não é a poesia que, por norma, nos compra a comida, a roupa e a casa onde vivemos, mas a imaginação e a criatividade podem fazer toda a diferença em qualquer trabalho que sirva "para nos pagar a existência", alimentando-nos a alma, tornando-nos mais livres e eventualmente mais felizes... Dando cor aos dias mais cinzentos! 

Além do que a arte é cultura e a cultura é a essência de um povo, a sua identidade!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Aus dem Leben eines Taugenichts, de Joseph von Eichendorff

"Aus dem Leben eines Taugenichts" de Joseph von Eichendorff
Reclam, 2018
156 Páginas


Eichendorff conta em "Aus dem Leben eines Taugenichts" a vida de um jovem (o "Taugenichts", isto é, um "zero à esquerda") que acaba expulso de casa do pai, um moleiro, por este considerar que o filho  além de fracassado, não tem quaisquer outros objectivos na vida para além de tocar violino (e cantar). E é então que se inicia o percurso de busca pela sorte/felicidade deste jovem que chegado a Viena depressa se apaixona por uma jovem, mas sem sucesso. Decide, então, tentar a sua sorte em Itália, a terra das laranjas (e ao que parece também dos limões) e depressa se torna novamente a desiludir, regressando a Viena, sempre na companhia do seu violino. No fim tudo termina bem e ainda bem porque eu gosto de finais felizes. 

Escrito em prosa poética, o livro está salpicado de poemas. Eichendorff faz descrições belissimas dos espaços, sobretudo da paisagem natural, adoptando um estilo lírico e romântico (de Romantismo enquanto movimento artístico, entenda-se) que muito me agradou, apesar de nem sempre ser fácil compreender à primeira. 

Interessante é também a tensão que aqui está presente entre os filisteus e os artistas, sendo que os primeiros têm uma atitude que despreza o que é belo, o que é arte, o que é espiritual e intelectual. E isso verifica-se desde o início da história, quando o Taugenichts é expulso pelo pai de casa... O Taugenichts fica fascinado com a beleza, gosta de flores, por exemplo, e aproveita todos os momentos (independentemente de estar feliz ou infeliz) para tocar violino e cantar poesia. É, de facto, muito bonito. E é sobretudo porque no fim, apesar de todos os azares que ele conheceu até aí chegar, ele alcança a sua sorte/felicidade, sem deixar a sua arte de lado!


quarta-feira, 20 de março de 2019

Tönio Kröger/Mario und der Zauberer, de Thomas Mann


"Tonio Kröger/Mario und der Zauberer" de Thomas Mann
Fischer Verlag, 2018
127 Páginas


Este é o estilo de Thomas Mann que eu mais aprecio. Lírico e inquietante, sem se perder em excessos para além daqueles que são próprios de algumas das suas personagens e da mensagem que as obras pretendem transmitir sobre determinado assunto. 

Neste caso em concreto, "Tonio Kröger" aborda o conflito entre a fria disciplina e a organização nórdica e a sensibilidade e sensualidade sulista, os olhos azuis e o cabelo loiro paternos e os olhos escuros e cabelo também escuro maternos, a pertença à burguesia sentindo-se tantas vezes posto "de lado", os amores platónicos e inalcansáveis próprios dos primeiros anos, a admiração pelo que é belo e a atração pelo que é diferente e oposto, a vontade de ser comum, simples e despreocupado em vez de estar constantemente a questionar a sua existência e a tentar compreender tudo...

Seria mais fácil ser burguês puro e duro, sem sofrer as paixões próprias daqueles que nascem toldados para o mundo da arte e que tudo sentem, até demais. Compreendo em parte Tonio e este seu dilema de tudo questionar, de tudo querer compreender, de tudo sentir.... Creio que temos isso em comum e, tal como ele, dou comigo várias vezes em conflito por ser assim... e não ser mais "leve"! 

Adorei.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Johny und Jean, de Teresa Präauer


"Johny und Jean" de Teresa Präauer
Fischer, 2016
208 Páginas


"Johny und Jean" é o terceiro romance que leio, na íntegra, em língua alemã, sendo que é tudo menos uma obra normal e habitual. Porque é em si mesma uma manifestação artística, um extravasamento de criatividade, uma explosão de loucura... Da escrita como arte para a pintura/escultura/... como arte. 

É um livro caótico, por vezes. Parece um devaneio. E não acho que isso seja mau; antes pelo contrário. É "uma revoada de vento" que nos agita as ideias. 

Ao mesmo tempo, é leve, curioso e atípico. Lê-se com vontade de perceber onde é que nos vai levar, onde vamos parar. Quem é o Johny? Quem é o Jean? Que tipo de arte pretendem fazer? Como é que aquilo que são enquanto pessoas se reflecte na sua arte e na forma como esta é aceite? 

Finalmente, "Johny und Jean" pode ser encarado como um medley de história de arte. No entanto, não se esgota nisso. Aliás, sinto que no limite é uma crítica ao mundo da arte: à subjectividade do que é belo, à necessidade de atingir o intemporal e ser marcante, ao seguir como modelo os pintores de referência e superá-los, ter uma fase da cor x e/ou da cor y, ... 

https://www.goodreads.com/review/show/2397344609

sábado, 14 de outubro de 2017

Domina, de L.S.Hilton


"Domina" de L.S. Hilton
Editorial Presença, 2017
334 Páginas

Gostei, mas não adorei.... 

Para mim, "Maestra", primeiro volume desta trilogia, foi sobejamente melhor, apesar das críticas desfavoráveis à frieza da personagem principal, a meu ver sem qualquer fundamento. Não é suposto um thriller ter personagens que são dignas de exemplo a seguir. Infelizmente, há no mundo gente com condutas menos próprias ou com patologias mentais passiveis de não sentir qualquer tipo de remorso ou compaixão quando praticam o mal. E convivem connosco na Terra, sendo que não podemos agarrar nessas pessoas e enviá-las para fora do planeta. Tão pouco podemos fechar os olhos à sua existência.

Neste sentido, eu gostei de ler a história de Judith no primeiro livro. Fria, impassível, cruel. E gostei e admirei a personagem porque nada tem a ver comigo. Há certamente uma Judith (ou mais) aí perdida pelo mundo e eu gosto de ler, pensar e "estudar" a dita personagem e o seu comportamento, tal como faço com as outras, para quando me cruzar com alguém que possa ter alguma semelhança não ser surpresa. Acho fascinante conhecer personagens diferentes de mim. Aprende-se muito assim. Acreditem!

Neste livro, assistimos a uma tentativa de humanização de Judith, que surge insegura, medrosa... E da maneira que isso foi feito... Não fiquei particularmente fã. É a minha perspectiva. 

Contudo, quando for publicado o terceiro volume, sou bem capaz de voltar a esta história. Gosto do argumento. E acho que merece outra oportunidade. Além do que a leitura deste segundo volume apanhou-me numa fase de cansaço em demasia, desinteresse, desmotivação,  própria do trabalho que estou a desenvolver e admito que isso possa, num certo sentido, ter condicionado a minha apreciação da obra...

https://www.goodreads.com/review/show/2114964087