Mostrar mensagens com a etiqueta Caroline Bernard. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Caroline Bernard. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard



"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard
Aufbau Verlag, 2019
400 Páginas

"Frida Kahlo und die Farben des Lebens" de Caroline Bernard conta, de forma romanceada, a vida da pintora mexicana Frida Kahlo, de quem eu sou grande admiradora desde há vários anos, quando numa aula de psicologia do ensino secundário nos foi dado a ver o filme "Frida" com Salma Hayek como protagonista. E essa admiração nada tem a ver com as suas convicções políticas nem com o feminismo.

A minha admiração profunda por Frida tem a ver com a forma heróica com que fez frente ao sofrimento e à dor, sem nunca desistir de viver, sem nunca desistir de pintar e dar cores intensas, vivas e garridas à vida até ao fim dos seus dias. 

E, de facto, Caroline Bernard apresenta-nos nesta sua obra um retrato, a meu ver, perfeito de Frida, desde o momento que esta teve aquele doloroso e inimaginável acidente quando o autocarro em que seguia chocou contra um eléctrico, condicionando a sua vida para sempre. A descoberta da pintura como fuga e "remédio" para a dor, uma alternativa ao sonho de estudar medicina que deixou para trás, os abortos tantas vezes retrados de forma surrealista, as traições do pintor Diego Riviera que sempre a amou e nunca a impediram de o amar loucamente também sempre e para sempre.  A força, garra e determinação para remar contra a maré e tentar encontrar alguma felicidade na autêntica revolução que faz à vida e, sobretudo, ao sofrimento físico de um corpo permanentemente doente. Tudo isto está presente e bem marcado em "Frida Kahlo und die Farben des Lebens" que é, sem sombra para dúvidas, um livro belíssimo sobre a pintora!

Adorei.

https://www.goodreads.com/review/show/3528239802

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Die Muse von Wien, de Caroline Bernard

"Die Muse von Wien" de Caroline Bernard
ATB, 2018
479 Páginas


"Die Muse von Wien" ["A musa de Viena"] é um romance histórico centrado em Alma Schindler ou, talvez seja melhor dizer, em Alma Mahler-Werfel. Alma, a mesma mulher que levou o pintor expressionista Oskar Kokoschka a encomendar uma boneca à imagem e semelhança desta como forma de contornar o término da relação (https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-boneca-de-kokoschka.phtml). Foi, aliás, o livro de Afonso Cruz, "A Boneca de Kokoschka" que eu adorei (aqui: http://outraformadeviajar.blogspot.com/2019/02/a-boneca-de-kokoschka-de-afonso-cruz.html) o responsável por ter chegado a este livro de Caroline Bernard. 

Esta mulher austríaca parecia ter qualquer coisa de único e especial, inebriante, atraindo os homens da época (1879-1964) como se fosse "quase um feitiço", contando com três casamentos, todos eles com artistas: um compositor Gustav Mahler, um arquitecto Walter Gropius e um escritor Franz Werfel. Teve quatro filhos, mas só uma viveu muitos e longos anos, Anna Mahler, que se viria a tornar escultora. Viveu as duas grandes guerras mundiais. Sonhava ser compositora: tocava piano e escrevia composições musicais, embora tivesse abdicado disso aquando do casamento com Mahler, vinte anos mais velho e de quem seria musa inspiradora. 

Caroline Bernard foca-se nesta mesma relação de Alma com Gustav. E diria que foi uma interessante aposta, ao contrário do que poderia parecer à primeira vista. Sobretudo porque a personagem de Alma evolui de um romantismo meio que doentio e perdido (que me chegou a fazer questionar a minha escolha deste livro) para escolher amar alguém que a parece amar, diria mesmo que venerar desde o primeiro momento, Gustav. Homem distante e dedicado ao trabalho, o compositor nem sempre teve consciência de como essa forma de amar à distância magoava Alma... até o dia em que ela se começa a distanciar igualmente. 

Creio que esse distanciamento foi mesmo um "clique" na vida de ambos. Gropius (arquitecto fundador do Bauhaus) entra em cena, Freud (pai da psicanálise) também. E isto não é ficção, ainda que a partir desse mesmo momento o livro tenha ficado muito melhor, levando-me a mudar de opinião. 

De facto, uma das coisas que me fascina nos romances históricos é a possibilidade de aprender e reaprender História por um lado, e, pelo outro, aprender com a vida já vivida de facto dos outros. Aqui não só nos cruzamos com nomes imponentes do meio artístico austríaco, como também com o mundo complexo das relações e diferentes formas de amar: uma forma de amar à distância compreendida com mais comunicação e alguma compaixão.

Neste sentido, o grande trunfo de Bernard é mesmo a riqueza emocional deste livro e das vidas vividas que lhe dão vida e intensidade. Não dá para ficar indiferente a esta relação tão especial ao ponto de Alma nunca mais ter abandonado o apelido de Gustav, mesmo depois da morte deste. 

Gostei... E principalmente porque como diz João Tordo (não exactamente por estas palavras), este livro põe-nos o dedo na ferida... Emoções, emoções.