sábado, 29 de março de 2014

Dalí e Eu. Uma História Surreal, de Stan Lauryssens

"Dali e Eu. Uma História Surreal" de Stan Lauryssens
Editorial Presença, 2010
211 Páginas

Antes de mais convém referir que esta é uma obra de não ficção. Uma obra de não ficção acerca de um negociador de obras do pintor espanhol Salvador Dalí. Obras essas, cuja proveniência era frequentemente duvidosa, mas isso não interessava muito, até porque os compradores das mesmas acabavam por não fazer muitas perguntas acerca delas... Queriam Dalí e pronto.



Ao longo da história, o negociador que era especialista em Dalí vai começando a aperceber-se do real por trás do surreal da vida e obra de Dalí. E fá-lo de perto, muito perto. Chegando mesmo a compreender que até Dalí podia ser duvidoso...


Esta é efectivamente uma história interessante que nos leva a percorrer a vida e a obra de Salvador Dalí (1904-1989) e, ao mesmo tempo, a percorrer a subjectividade do que é o mundo da arte e dos negócios com esta relacionada.


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terça-feira, 4 de março de 2014

Nome de Código Portograal, de Luís Corredoura


"Nome de Código Portograal" de Luís Corredoura
Marcador, 2013
588 Páginas


Aqui está um bom livro para todos os que se interessam pelo tema da Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, para aqueles que já pensaram no que poderia ter acontecido se Lisboa tivesse sido invadida pela Alemanha de Adolf Hitler. 

O autor demonstra como conhece bem esta época e muitas das regiões referidas que se localizam em Portugal, articulando tudo isto numa história que bem podia ter acontecido realmente. 


Um reparo apenas para a dimensão das letras que poderá, numa próxima edição, ser aumentada e para a dimensão do livro. Talvez, também, o livro pudesse ser dividido em dois volumes, o que tornaria mais ligeira a sua leitura e cativasse um maior número de leitores: um sobre a invasão de Portugal pelos alemães; e outro sobre a perda de Portugal pelos alemães e a mudança dos ventos da Guerra.


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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak


"A Rapariga que Roubava Livros" de Markus Zusak
Editorial Presença, 2008
463 Páginas


"A Rapariga que roubava livros" é narrada pela Morte, a mesma Morte que andando de mão dada com a Guerra (aqui a II Guerra Mundial), demonstrando uma certa compaixão por quem leva e por quem fica a chorar os que partem.

A história começa em 1939 e termina em 1943 (do início da Guerra até à perda de Estalinegrado), centrando-se na Alemanha e em particular num subúrbio perto de Munique. Sente-se na sociedade as mudanças impostas pelo III Reich. Conta-se o martírio dos judeus. Conta-se também o martírio das bombas. Há quem seja obrigado a partir para a Guerra e isso faz com que se sinta mais esse sentimento de caos e de ansiedade pelo que se segue... E não se controla de todo. Porque se a Vida é imprevisível, a Guerra (enquanto sinónimo de Morte e Destruição) ainda o pode ser mais.

Conhece-se roubo dos livros que a personagem principal vai fazendo ao longo da história. E é com as palavras roubadas desses livros furtados que ela sobrevive às alterações da sua situação familiar e à própria Guerra.É assim que aprenderá a ler e a escrever.

Em síntese, este é um livro bem escrito e, por isso mesmo, a leitura flui através das suas 462 páginas; quando o leitor se dá conta já chegou ao fim!

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A Estrada da Revolução, de Tiago Carrasco



"A Estrada da Revolução" de Tiago Carrasco
Oficina do Livro, 2012
280 Páginas




Uma aventura (no sentido literal) de três portugueses, com apoio financeiro reduzido ao essencial (porque em Portugal parece que é mesmo assim) e uma vontade inabalável de descobrir "como nasce uma revolução" pelos países do Magrebe e do Médio Oriente a propósito da Primavera Árabe. Trata-se de uma viagem por países onde a religião e a política andam de mão de dada, cheia de improviso, do típico desenrascanço português e sobretudo da capacidade que os portugueses têm de em qualquer parte do mundo se relacionarem com culturas tão distintas da portuguesa e fazerem amizades. E há muitos testemunhos. Dos que viveram na pele a Primavera Árabe. Dos que perderam filhos, irmãos e maridos na revolução em nome da liberdade (que continua a não existir...) E o que é isso? O que é a liberdade, afinal?

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domingo, 2 de janeiro de 2011

Juntos ao Luar, de Nicholas Sparks




"Juntos ao Luar", de Nicholas Sparks
Editorial Presença, 2006
268 Páginas










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"Juntos ao Luar", de Nicholas Sparks, é o nome do livro que inspirou o filme "Dear John", que esteve no ano passado em cartaz nos cinemas. O romance centra-se essencialmente em duas personagens: John e Savannah, e no amor que nasce entre eles na primeira noite de contemplação, juntos, da lua cheia. Sempre que as noites forem de lua cheia, e apesar de espacialmente distantes, terão a mesma reacção: a de observar o céu e recordar a primeira noite em que assistiram ao luar juntos.

John, tendo ingressado na carreira militar, e estando no exercicio das suas funções destacado na Alemanha, conhece Savannah nesse primeiro ano de licença em que regressa aos EUA. Nesse Verão, fazem planos para um futuro em comum, e prometem trocar cartas durante o tempo em que estiverem separados. E assim é. No meio de tudo isto, temos o pai de John, um coleccionador de moedas, a sofrer de uma doença degenerativa. Os acontecimentos do 11 de Setembro. A questão do Afeganistão e a invasão ao Iraque. A guerra, na qual ele decide participar. Ela aceita, mas... Um dia, John recebe uma carta (daí porventura o nome do filme "Dear John") de Savannah que muda para sempre o destino de ambos. A partir daí, é nos impossível parar de ler o livro até chegar ao fim... Uma morte. Uma separação. Um casamento. Uma outra doença. E uma decisão fatal envolvendo as moedas do pai de John e a doença, porventura, mortal de uma outra personagem que vai dar origem a um triângulo amoroso.

Uma história ideal, narrada por ele, com problemas reais e um desfecho triste. A história começa e termina com John a observar Savannah, ao longe e sem que esta se dê conta disso, a tratar dos cavalos e a contemplar a lua cheia, numa recordação dos bons tempos que passaram juntos nesses dois Verões.

O estilo de Sparks, mais coisa ou menos coisa, é sempre o mesmo. É muito visual na escolha das palavras, o que constitui um aspecto de interesse, e faz com que muitas das suas histórias seja depois adaptadas ao cinema. Tem histórias bonitas, interessantes, que podiam ser perfeitas, mas com finais dramáticos, daqueles que fazem cair muitas lágrimas. São situações que em tudo podem ser reais. E de tão reais que podem ser, também são trágicas. Há doenças terminais. Mortes sem sentido. E com sentido. Separações evitáveis, e ainda assim, inevitáveis. E, deste modo, apesar de ter gostado do livro, não posso afirmar que seja fã do género. Diria que... Demasiado triste e angustiante!

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Casa do Silêncio, de Orhan Pamuk




"A Casa do Silêncio", de Orhan Pamuk
Editorial Presença, 2008
316 Páginas


















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“A Casa do Silêncio” é o nome do primeiro romance do escritor turco Orhan Pamuk, a quem foi atribuído em 2006 o Prémio Nobel da Literatura, traduzido no intitulado mundo Ocidental.

A acção decorre na Turquia sob o pano do silêncio, da traição, da violência e da morte. Do tempo também. Centra-se essencialmente na idosa Fatma (com quase noventa anos), e na chegada preparada pelo criado anão Rédjep (que mais não é do que um filho ilegítimo do falecido marido desta) dos seus três netos, dos quais destaco a jovem Nilgune e a relação trazida da infância com o obsessivo, violento e sem rumo, Hassan, sobrinho do anão.

Fatma teme o silêncio daquela casa, fora de Istambul, as insónias que assolam todas as noites e um passado sobre o qual continua a reflectir e recordar sem descanso: um casamento porque sim com um médico, depois marido ausente e infiel. Os filhos surgidos dessa ligação infiel que acaba por ter de suportar debaixo do mesmo tecto: um coxo e o outro anão, o pai de Hassan e o próprio Rédjep respectivamente. E essa mesma relação mantida pelo marido fora do casamento acaba de algum modo por se manter viva para além das memórias da personagem central de Fatma: Hassan, membro de um grupo que se dedica a espalhar o roubo, a destruição, a violência e a morte nas ruas, vai desenvolver um interesse obsessivo por Nilgune, que todas as manhãs depois do seu mergulho matinal e solitário nas praias compra um jornal de ideologia comunista, num gesto que vai ditar o desfecho da sua personagem e da de Hassan. É aqui, neste sentido, que vemos evidenciado todo um clima de agitação e conflitualidade política, numa Turquia onde as mulheres consentem, obedecem, e acatam, tidas enquanto seres inferiores aos homens em conformidade com os preceitos da predominante religião Islâmica.

Embora muito bem escrito e intenso, existem muitos momentos em que o autor se perde em divagações que podem originar no leitor alguma confusão. Aliás, até mais de metade do livro, não é propriamente fácil conseguir perceber quem é quem: ou seja, para além de Fatma e do seu marido, de Rédjep, e da já referida admiração de “alguém” (o tal Hassan, um jovem que se furta aos deveres escolares desde sempre) por Nilgune, nos apresenta a narração dos acontecimentos e dos estados de espírito. Pamuk passa, por vezes, demasiado depressa de uma personagem para outra sem que, com limites visivelmente indefinidos, consigamos perceber a diferença. E esta talvez seja a minha grande crítica a este livro.


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Viela da Duquesa, de Sveva Casati Modignani




"A Viela da Duquesa", de Sveva Casati Modignani
Edições Asa, 2003
528 Páginas









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Tudo começa em Nápoles, no ano de 1910, e mais concretamente na Viela da Duquesa com uma jovem mulher, a Condessa tirolesa Josepha que se dirige à casa de Rosa Avigliano para lhe pedir que prepare um feitiço para conquistar o amor do marido, o príncipe napolitano Enrico Castiglia. Teresa, a filha mais velha e sonhadora de Rosa, assiste a tudo de perto, completamente maravilhada pela elegância desta jovem senhora.

É a partir daqui que nasce a história de uma grande e cúmplice amizade entre Josepha e Teresa, que atravessa as aventuras e desventuras da existência humana na vida de cada uma. Quer uma quer a outra atravessarão o período em que se verificam já as primeiras manifestações de Comunismo, a Primeira Guerra Mundial (que termina com os italianos a tomarem conta da zona do Tirol, pertença germânica, e procederem a toda uma alteração da nomenclatura das terras e dos espaços da língua germânica para a língua italiana contra a vontade das populações que aí existiam e isto é particularmente notório na personagem de Josepha), o aparecimento do Fascismo Italiano e da violência dos Camisas Negras afectos ao regime, a questão da Etiópia e a aproximação de Mussolini a Hitler, a Segunda Guerra Mundial, o rasto de miséria, destruição e morte deixados pelo fim da Guerra e que mais uma vez se vai fazer sentir em algumas das personagens, nomeadamente em Josepha, em Thea, a filha mais velha de Josepha, e em Teresa. A evolução do papel da mulher na sociedade é outro dos traços marcantes em “A Viela da Duquesa”.

Esta é uma história escrita de emoções, que começa e termina exactamente no mesmo ponto, tal e qual uma composição em esquema circular. Thea regressa, em 1999, já no fim da sua vida ao Tirol, ao Hotel outrora Castelo pertencente à Condessa sua mãe, empenhada em recuperar as suas heranças históricas e um espaço de que a mãe sempre gostou.

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