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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Amor Primeiro, de Ivone M. Martins


"Amor Primeiro" de Ivone M. Martins
Alma Mater, 2019
288 Páginas


Dizem que tudo tem um tempo certo para acontecer e "Amor Primeiro" encontrou-me nesse mesmo tempo... 

Atravessou o Atlântico, vindo do Brasil, escrito por alguém muito especial para mim que já viveu em África, na Europa e agora está na América (Brasil).

Mal o recebi, feita uma longa viagem, folhei as primeiras páginas e senti-me logo como que cativa, pelo que não o consegui largar até o terminar... Tive de deixar os outros quatro livros que estava a ler ao mesmo tempo de lado porque este, sim, é que me estava a alimentar a alma e a sossegar o coração. 

"Amor Primeiro" é daqueles livros que parece que se sentam connosco a conversar, ajudando a arrumar ideias. E é um romance passado em Portugal durante o Estado Novo e no período pós Estado Novo (sem esquecer uma parte decorrida no tempo da Inquisição e do Terramoto de 1755), pelo que teria todo o interesse em também ser publicado/difundido deste lado do Atlântico. Fala-se de Liberdade, de Amor (Primeiro e Primeiro Amor que não são a mesma coisa), de ciúme, de Paixão, de Almas, de Reencarnação, de Sentir, de Egoísmo, ... 

Escrito com alma como só quem sente tão intensamente consegue fazê-lo, é transparente e profundo, sábio, iluminando-nos o caminho... no tempo certo. São poucas as vezes, pelo menos até à data, em que consigo ficar tão ligada a uma personagem, em que me identifico tanto com ela... a compreendo e admiro. Aconteceu com "Amor Primeiro" com Alma, uma personagem cheia de história passada e raízes que aprende com o tempo a autoconhecer-se e a fazer o que é melhor para ela, com o coração, aliando a necessidade de se sustentar através de algo mais material com a necessidade, quase que urgência diria, da espiritual poesia.

As obras são, por norma, produto dos contextos em que são criadas e têm muito, muito, muito dos seus criadores. "Amor Primeiro" não é excepção porque tal como o testemunham outras vozes no início do livro há muito da sua autora espalhado pelas opções e caracteristicas de algumas personagens, mas também, como não poderia deixar de ser, na própria forma de escrever... Espiritual, mágica, cheia de um amor equilibrado pelas palavras e pelas ideias. 

Adorei lê-lo e ficará para sempre comigo e em mim... Coisa que poucos, muito poucos livros conseguem efectivamente! 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Amor Entre Guerras, de Sofia Ferros


"Amor Entre Guerras" de Sofia Ferros
Casa das Letras, 2014
335 Páginas



Baseado numa história verídica, a dos bisavós da autora, "Amor Entre Guerras" passa-se na Primeira Guerra Mundial e ainda abrange o período pós Guerra e início da Segunda Guerra Mundial. A narrativa centra-se no jovem médico Miguel, que parte para França para integrar o Corpo Expedicionário Português (CEP), sendo aí que conhece a sua futura esposa, uma francesa defensora da liberdade e dos principios do Comunismo. Desde o momento em que se encontram, pelas circunstâncias da guerra, as suas vidas transformar-se-ão, mas é também a maneira de ser de Alexandrine e as consequências sofridas por um acidente, em Lisboa, que irão ditar o rumo da vida do casal em Lourenço Marques. 

Com efeito, "Amor Entre Guerras" foi uma surpresa para mim, do mesmo modo que o foi o excelente trabalho de pesquisa e redacção desta obra realizado por Sofia Ferros. Tanto quanto pude perceber, esta é a sua primeira obra e que primeira obra...! Irrepreensível. Não há momentos mortos, nem enfadonhos. Às vezes, muitas vezes para ser sincera, é dificil parar de ler porque a leitura é demasiado empolgante para fazer pausas. O modo como a obra termina deixa no ar a possibilidade de uma continuação, que aguardarei com atenção e expectativa. Porque, acreditem, a história promete!

Desde a forma viva como Alexandrine defende a liberdade e a emancipação das mulheres, o modo como se compreende a própria evolução escondida e algo recatada do Comunismo, as referências à cientista Marie Curie, ao modo mal preparado e equipado com que o CEP foi para a Guerra, o próprio clima de repressão e instabilidade vivido em Portugal, assim como o estilo de vida dos portugueses em Moçambique... Tudo torna a história interessante e bem construída em todos os sentidos. 

Além da obra nos permitir evadir, leva-nos igualmente a conhecer um pouco melhor alguns aspectos deste período histórico e a pensar de que modo é que eles poderão ter influenciado e condicionado as vidas das pessoas. Por outro lado, é fácil colocarmo-nos na posição das personagens e num ou noutro momento compreender o porquê de terem tomado esta ou aquela opção. 

Por tudo isto, só posso dizer que gostei muito de "Amor Entre Guerras"!


https://www.goodreads.com/review/show/1791070917


domingo, 23 de outubro de 2016

Uma Espia na Casa do Amor, de Anaïs Nin

"Uma Espia na Casa do Amor" de Anaïs Nin
Vega, 2012
132 Páginas

"Uma Espia na Casa do Amor" deixou-me indecisa entre as 2 e as 3 estrelas... A verdade é que quando me questiono se gostei do livro não consigo dizer que não gostei, mas também não consigo dizer que gostei. 

A meu ver a obra tem um argumento com tudo para dar um livro interessante, no mínimo "agitante": uma mulher que apesar de viver com um homem que a ama decide ausentar-se, de vez em quando, alegando razões profissionais, mas tudo o que faz nesses períodos é experimentar o amor de outros homens, sem qualquer espécie de relação de qualquer tipo... 

No entanto, o interesse do argumento perde-se na sua concretização. A autora tem tiradas inteligentes, dotadas de grande profundidade e reflexão (que admirei bastante e tomei nota porque são dignas de leituras e releituras), mas ao mesmo tempo a forma como começa o livro é confusa, deixando o leitor cheio de dúvidas, e a forma como também apresenta os encontros ocasionais, se volta a referir aos sentimentos de Sabina e  ao modo como o marido a trata é feita atabalhoada, caótica e desorganizadamente. Nem sempre é fácil compreender que se passou de uma coisa à outra e, às vezes, essa transição é abrupta. Por outro lado, a obra não dispõe de capítulos, o que faz com que o leitor tenha de andar à procura do “tempo certo” para fazer uma pausa e isso acaba por cansar um pouco e constituir motivo de algum stress …!

No essencial, a obra concentra-se no desejo de liberdade e independência da personagem principal, que parece não querer amar ninguém, e que sendo infiel, por "necessidade", não sabe como lidar com a culpa (?) e a eventual e hipotética possibilidade de descoberta dessa vida paralela pelo marido. Ainda que a escrita de Anaïs Nin se foque no estado de alma de Sabina, com pouca ou nenhuma relevância dos cenários e a quase ausência de descrições, e seja nessa perspectiva riquissima, a verdade é que no geral o meu maior desejo foi sempre conseguir terminar o livro o mais rapidamente possível... Como se não conseguisse aguentar aquela leitura por mais tempo do que o apenas necessário! 

E é isto.
*
"Como ela aprendera a fazer desaparecer cartas de amor pelo lavabo, a não deixar cabelos no pente emprestado, a reunir os ganchos do cabelo, a apagar vestígios de baton em toda a parte, a sacudir nuvens de pó de arroz. 
Os seus olhos eram como os olhos de uma espia. 
Os seus hábitos eram como os hábitos de uma espia. Como ela punha todas as suas roupas numa cadeira, como se pudesse ser chamada de repente e não devesse deixar quaisquer vestígios da sua presença. (...)"[p. 58]

https://www.goodreads.com/review/show/1791070601

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami




"Kafka à Beira-Mar" de Haruki Murakami
Casa das Letras, 2014
589 Páginas


Imprevisivel. Misterioso. Troca-nos as voltas. Profundo.

Esta é a primeira vez que leio um livro de Haruki Murakami e devo dizer que o recomendo e muito. São 589 páginas que não têm o peso de 589 páginas. O livro lê-se com uma leveza e ao mesmo tempo profundidade curiosas.

Assim, e constituido por três histórias diferentes, o livro "Kafka à Beira-Mar" tem duas (destas três) histórias que se cruzarão a dada altura na história e que se encaixarão de uma forma perfeitamente lógica. E quase mágica. Também mágica é a forma como Haruki Murakami aborda a Liberdade e o Destino, a Vida e a Morte, fazendo-o de uma forma que nos leva a "mergulhar" suavemente nestes temas (nem sempre simples e consensuais) e sem medos...

Finalmente, de sublinhar também é a forma natural com que este autor japonês recorre a muitos elementos culturais (literários e musicais) da cultura dita de ocidental. Simplesmente fantástico! O que torna este livro ainda mais rico!

*
"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestadepersegue-te, seguindo o teu encalço. Isto acontece uma vez e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está "dentro" de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar natempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra".


https://www.goodreads.com/review/show/1071591868?book_show_action=false

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A Estrada da Revolução, de Tiago Carrasco



"A Estrada da Revolução" de Tiago Carrasco
Oficina do Livro, 2012
280 Páginas




Uma aventura (no sentido literal) de três portugueses, com apoio financeiro reduzido ao essencial (porque em Portugal parece que é mesmo assim) e uma vontade inabalável de descobrir "como nasce uma revolução" pelos países do Magrebe e do Médio Oriente a propósito da Primavera Árabe. Trata-se de uma viagem por países onde a religião e a política andam de mão de dada, cheia de improviso, do típico desenrascanço português e sobretudo da capacidade que os portugueses têm de em qualquer parte do mundo se relacionarem com culturas tão distintas da portuguesa e fazerem amizades. E há muitos testemunhos. Dos que viveram na pele a Primavera Árabe. Dos que perderam filhos, irmãos e maridos na revolução em nome da liberdade (que continua a não existir...) E o que é isso? O que é a liberdade, afinal?

*
https://www.goodreads.com/review/show/817897823?book_show_action=false