domingo, 4 de setembro de 2022

"Abschiedsfarben" de Bernhard Schlink


"Abschiedsfarben" de Bernhard Schlink
Diogenes, 2020
232 Páginas

"Abschiedsfarben" ["Cores de despedida"] de Bernhard Schlink é um livro composto por nove histórias, todas elas escritas em torno das despedidas. As que gostei mais foram: "Gelibte Tochter", uma história em que o padrasto desenvolve uma relação mais próxima (talvez até demasiado) com a enteada do que aquela que esta mantém com a mãe, e "Jahrestag", uma história centrada na considerável diferença de idades entre um casal. 

Estas despedidas tanto oprimem como libertam, dizendo respeito a fases da vida, esperanças, expectativas, medo e sofrimento. Nestas histórias há de tudo um pouco: relações amorosas, relações de amizade, relações entre pais e filhos. Todas estas relações, independentemente de serem amorosas ou não, têm em comum o facto de serem dificeis... e envolverem despedidas. A culpa, tema "querido" deste autor, assim como a questão da melancolia e nostalgia encontram-se aqui igualmente presentes.

Há uma necessidade de apurar a verdade... enquanto se lida com o sucesso e o fracasso do amor, a confiança e a traição, a ameaça e a superação de memórias, a aproximação da morte...

Por exemplo, em "Gelibte Tochter", questiona-se por que é que do que é errado não se pode tirar algo certo? Mara, a enteada, é homosexual e apesar dos vários esforços para engravidar não consegue ser mãe. Um dia o padrasto acorda e percebe que se envolveu fisicamente com a enteada... Tem alguma dificuldade em perceber como aquilo aconteceu e porquê... E ainda mais quando esta aparece grávida. Não se vem a saber que ele é o pai que lhe permite ser mãe, mas a verdade é que todos ficam felizes... A mãe de Mara, a namorada de Mara, a própria Mara e até ele... Que sem querer resolveu o problema, ao mesmo tempo que se sente culpado pela situação... Uma história talvez algo bizarra, mas que conseguiu deixar-me a pensar.

E deixar-nos a pensar, a questionar e a reflectir sobre as situações é uma caracteristica muito marcante de Schlink. Algo que o torna num dos meus escritores alemães preferidos, sem qualquer dúvida!

Infelizmente, o livro não está traduzido para português nem para inglês até ao momento, mas a quem o puder/conseguir ler na sua língua original... Recomendo.

https://www.goodreads.com/review/show/4853782983


quinta-feira, 11 de agosto de 2022

"Emotional Wellness: Transforming Fear, Anger and Jealously into Creative Energy" de OSHO



"Emotional Wellness: Transforming Fear, Anger and Jealously into Creative Energy" de OSHO
Harmony, 2007
304 Páginas


"Emotional Wellness: Transforming Fear, Anger, and Jealously into Creative Energy" encontra-se dividido em três partes: I-Understanding the nature of emotions; II - Emotional wellness: reclaiming our inner harmony; III - Watchfulness: the key to transformation. E termina com uma última parte, não identificada como tal, constituida por mediações e exercicios para transformação. 

Com efeito, este não é o tipo de livro para se ler demasiado rápido. É preciso tempo para o ler e depois reflectir. Só assim se poderão operar algumas transformações... em energia criativa. 

Se na primeira parte o leitor consegue fazer uma análise do que são emoções (apontando para a ideia de movimento, mudança e de algo que não é permanente) e sua relação com o corpo, na segunda parte o foco encontra-se primeiramente na importância de aceitar as emoções (porque rejeitar origina sofrimento e ao aceitá-las tornamo-nos livres) e, de seguida, na raiva, tristeza e depressão ("ramos da mesma árvore"), no ciúme e no que separa e opõe o medo ao amor. E, de facto, é nesta segunda parte que está, para mim, a parte mais importante do livro. 

Na última, a ideia de OSHO assenta no papel da transformação e não supressão dos sentimentos. E o modo de transformar varia consoante sejamos pessoas do tipo pensamento, emoção ou acção, uma abordagem que considerei bastante inteligente da parte do autor...Faz todo o sentido. 

"Emotional Wellness: Transforming Fear, Anger, and Jealously into Creative Energy" é, deste modo, um livro útil a qualquer um de nós em algum momento da nossa vida (estando publicado em Portugal com o título "Emoções" da Pergaminho). E espantoso é também como ler OSHO continua a ser algo que faço com muito agrado!

***

"Anger is active sadness; sadness is inactive anger". - p.124

"Anger and sadness are two faces of the same energy, repressed." - p.125

"Depression means that somehow anger is in you in a negative state. Depression is a negative state of anger." - p.141

"love creates a great need to be alone and aloneness creates a great need to be together." -p.202


https://www.goodreads.com/review/show/4202991185

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

"Strategic Doing: Ten Skills for Agile Leadership" de Edward Morrison, Scott Hutcheson, Elizabeth Nilson, Janyce Fadden, Nancy Franklin



"Strategic Doing: Ten Skills for Agile Leadership" de Edward Morrison, Scott Hutcheson, Elizabeth Nilson, Janyce Fadden, Nancy Franklin

Willey, 2019

224 páginas


Doze são os capítulos que compõem "Strategic Doing: Ten Skills for Agile Leadership", sendo o primeiro o ponto de partida depois de feita em capítulo próprio a introdução e o décimo segundo o ponto de chegada/conclusão já apresentados devidamente - um por capítulo - os dez skills necessários à liderança Agile. É também este último capítulo o mais importante e directo de perceber. 

Durante a leitura, achei que os autores tanto queriam explicar e detalhar para se tornarem - supostamente - mais claros e compreensíveis que acabavam por se tornar bastante confusos. De igual modo, nem sempre achei que os exemplos práticos escolhidos fossem os melhores... Por vezes, fiquei mesmo com a sensação de estar a ler "uma manta de vários retalhos". 

Voltando ainda aos capítulos, a estrutura é a seguinte: 

1- You are here

2-Create and maintain a safe space for deep, focused conversation (skill 1)

3- Frame the conversation with the right question (skill 2)

4- Identify your assets, including the hidden ones (skill 3)

5- Link and leverage assets to identify new opportunities (skill 4)

6- Look for the "big easy" (skill 5)

7- Convert your ideas to outcomes with measurable characteristics (skill 6)

8- Start slowly to go fast - but start (skill 7)

9- Draft short-term action plans that include everyone (skill 8)

10 - Set 30/30 meetings to review, learn and adjust (skill 9)

11 - Nudge, connect and promote to reinforce new habits (skill 10)

12-Ten skills. Got it. Now what?

Para quem tiver interesse em ler de forma mais detalhada algumas das ideias deste livro, poderá fazer fazê-lo, em inglês, neste outro texto escrito por mim: https://dataanalyticsandtech.blogspot.com/2022/08/strategic-doing-and-importance-of.html

https://www.goodreads.com/review/show/4898144301

domingo, 24 de julho de 2022

"As a Man Thinketh" de James Allen



"As a Man Thinketh" de James Allen
Amazon, s/a
63 páginas


Escrito em 1903, "As a man thinketh" de James Allen concentra-se no poder do pensamento, tendo como objectivo estimular o leitor a descobrir e a analisar sobre a força que os nossos próprios pensamentos podem ter na construção e destruição da nossa vida. 

O livro é composto por sete capítulos (sete é o número que simboliza a espiritualidade e a perfeição): 1- Thought and Character; 2 - Effect and Thought on Circumstances; 3- Effect of Thought on Health and the Body; 4 - Thought and Purpose; 5 - The Thought-Factor in Achievement; 6 - Visions and Ideals; 7 - Serenity. 

Apesar de não ter encontrado algo completamente novo em Allen, a forma bonita como escreve...  Serena e calma, vale por tudo. Ademais, ler "As man thinketh" fez-me revisitar mentalmente um outro livro muito especial que li há vários anos atrás, "Jonathan Livingston Seagull" [o conhecido "Fernão Capelo Gaivota" em língua portuguesa] de Richard Bach, responsável por me fazer reflectir sobre a necessidade de quebrar as correntes do pensamento para ser livre... e voar. E é também nesta "categoria especial" em que guardarei " As a man thinketh", até porque "A man is literally "what he thinks", his character being the complete sum of all his thoughts. (...) so every act of a man springs from the hidden seeds of thought, and could not have appeared without them. " - p.11

Assim, uma das passagens que mais evidencia a ideia principal do autor com esta obra é a seguinte: "Man is made or unmade by himself; in the armoury of thought he forges the weapons by which he destroy himself; he also fashions the tools with which he builds for himself heavenly mansions of joy and strenght and peace." - p.12

Por outro lado, Allen toca, ainda que levemente, na ideia de que o corpo é um servo da mente e que a doença e a saúde estão enraizadas no pensamento, algo que em breve irei explorar em mais detalhe quando ler Louise Hay, conhecida por defender uma mudança de pensamentos para nos conseguirmos livrar de doenças que atingem o nosso corpo.  

Gostei bastante e só tenho pena de não me ter cruzado com este livro aos dezoito anos... Assim como aconteceu com o de Bach! Tinha feito a diferença na minha vida certamente.


https://www.goodreads.com/review/show/4859350191

domingo, 17 de julho de 2022

"Die Malerin des Nordlichts" de Lena Johannson



"Die Malerin des Nordlichts" de Lena Johannson
ATB, 2019
435 páginas


"Die Malerien des Nordlichts" ["A Pintora da Luz do Norte"] de Lena Johannson conta-nos de forma romanceada a vida de Signe Munch Siebke, sobrinha do pintor norueguês, Edvard Munch, mais conhecido pelo quadro "O Grito" (https://pt.wikipedia.org/wiki/Edvard_Munch#/media/Ficheiro:The_Scream.jpg).

Filha de Peter Andreas Ragnvald Munch, primo do pintor, e Anna Dahl, escritora, que nunca gostaram um do outro, Signe teve aos 10 anos de idade os pais separados e, por isso, cedo aprendeu a viver com saudades da mãe. Casou com o primeiro marido, como resultado de uma escolha feita pelo pai, mas acabou por ser infeliz... até porque a sua paixão pela pintura é desincentivada e incompreendida. 

Mais tarde, já separada do primeiro marido e completamente dedicada à pintura, conheceu Einar Siebke, professor de música, e com ele se casou. Einar sempre a incentivou a pintar e, por isso, quando a oposição deste ao Nacional-Socialismo lhe roubou a vida, Signe não conseguiu vencer nem suportar a tristeza do seu desaparecimento... A pintura sempre foi a sua paixão, mas Einar também o era! 

O livro é bonito, mas admito que até Einar entrar na narrativa tive momentos de quase completo tédio e vontade de abandonar a leitura. A vida de Signe era triste e infeliz e monótona, sem cor, o que mudou apenas com Einar... Totalmente. Aliás, foi só a partir do desenvolvimento da relação entre os dois que consegui ler sem grandes paragens e entusiasmar-me a sério. Antes disso, esforcei-me para continuar. Capítulos demasiado extensos e demasiado ênfase nas aulas de pintura que Signe recebeu logo após se ter separado... estavam a tornar a leitura algo entendiante, admito. 

No geral, gostei. Porém, "Die Malerin des Nordlichts" não ficará de todo entre os meus livros preferidos desta colecção.

https://www.goodreads.com/review/show/4641383771

segunda-feira, 11 de julho de 2022

"Der Waldgang" de Ernst Jünger


"Der Waldgang" de Ernst Jünger
Klett-Cotta, 2018
101 Páginas


De leitura complexa, mas não menos interessante, Ernst Jünger continua a ser dos meus escritores alemães preferidos.

"Der Waldgang" trata-se de um ensaio publicado em 1951 e, entre as várias ideias apresentadas, foca-se na do "Waldgänger", aquele que dotado de força própria (sem ser um anarquista) retira-se para a floresta, onde encontra a liberdade no conteúdo e na forma, "aqui e agora". Porque o Waldgänger é de acções livres e independentes (e, portanto, também nada tem a ver com um soldado da guerra), é uma espécie de "rebelde da floresta", que olha, analisa e julga por si próprio. Sem se preocupar com o que o inimigo pensa dele, até porque ele está habituado à solidão... 

A floresta é, pois, entendida como um lugar secreto, um santuário, um lugar de paz. Talvez até um lugar de resistência e de verdadeira força depois de feita a "passagem através da morte".

E a verdade é que não basta ler uma única vez este livro. Há que lê-lo várias vezes até se compreender devidamente a mensagem de Jünger e se perceber quem é o Waldgänger e qual a sua importância nos nossos dias (e no pós Segunda Guerra Mundial, anos cinquenta, quando é publicado pela primeira vez). 

https://www.goodreads.com/review/show/4825318457

domingo, 26 de junho de 2022

"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie



"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie
Lua de Papel, 2022
285 páginas

"Como fazer amigos e influenciar pessoas" é um daqueles livros para se ter na mesa de cabeceira e, volta e meia, dar uma vista de olhos para avivar a memória acerca da melhor forma de lidar com as pessoas de forma não agressiva e respeitosa. É acima de tudo um livro de comunicação para as relações humanas, sejam elas de que âmbito for. 

Dale Carnegie divide a obra em quatro grandes partes: a primeira, "Técnicas Fundamentais para lidar com pessoas"; a segunda, "Seis maneiras de fazer com que as pessoas gostem de si"; a terceira, "Como conquistar pessoas para a sua forma de pensar"; e a quarta, "Seja um líder: como mudar as pessoas sem as ofender nem despertar ressentimentos". 

No fim de cada capítulo é apresentado um principio e no fim de cada parte uma síntese com todos os principios enunciados, o que a meu ver facilita a leitura e revisitação dos principios todas as vezes que o leitor o pretenda fazer. 

E não se trata de um livro de como manipular pessoas, ao contrário do que uma leitura superficial ao título poderia sugerir... Mas sim de como abordar de forma gentil amigável e simpática os outros. 

Neste sentido, aqui fica um excerto de uma fábula apresentada, acerca do sol e do vento, muito sábia e ilustrativa do que se encontra nesta obra de Carnegie: 


"(...) Discutiam entre si qual deles era o mais forte, até que o vento disse: "Vou provar-te que sou eu. Vês o homemque ali está com um casaco? Aposto que lhe consigo tirar o casaco mais rapidamente do que tu." 

Então o sol escondeu-se atrás de uma nuvem e o vento soprou até quase se transformar num tornado, mas quanto mais forte soprava, com mais força o homem apertava o casaco contra si. 

Por fim, o vento acalmou-se e desistiu, e o sol saiu de trás da nuvem e sorriu gentilmente para o velho homem. Este, passado pouco tempo, limpou a testa e tirou o casaco. Foi então que o sol disse ao vento que a gentileza e a amabilidade são sempre mais fortes que a fúria e a força.(...)" (pp.165 e 166). 


https://www.goodreads.com/review/show/4771931443