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quarta-feira, 16 de junho de 2021

"A Vida Secreta das Árvores" de Peter Wohlleben



"A Vida Secreta das Árvores" de Peter Wohlleben
11x17, 2020
263 Páginas


Há quem fique fascinado com o que Peter Wohlleben aqui escreve acerca do que sentem as árvores e como comunicam entre si; há quem fique céptico e desvalorize alegando que o autor aqui apresenta corresponde a uma espécie de invenção alicerçada em pseudociência, algo meio esotérico. No que me respeita, enquadro-me na primeira categoria. 

Wohleben serve-se da sua experiência primeiro como guarda florestal e depois como engenheiro florestal, baseando-se igualmente tanto em artigos de imprensa como em artigos cientificos (um dos quais publicado pela Max-Planck-Gesellschaft, uma das maiores importantes e reconhecidas instituições de investigação científica e tecnológica alemã e, talvez até, do mundo) para escrever "A Vida Secreta das Árvores". Este não se trata de um livro científico nem tão pouco ambiciona sê-lo. O facto de utilizar uma linguagem clara, simples e acessível para apresentar ideias que poderiam ser mais complexas pode, a meu ver, justificar o facto de alguns ficarem cépticos com a obra. 

Entre os seus cerca de trinta e seis capítulos, é absolutamente fascinante ficar a saber que os fungos "funcionam como a fibra óptica na internet" (p.20), " a Internet da floresta" (p.58); as raízes são a parte mais importante de uma árvore, o "cérebro da árvore"(p.86); "ao arder, a madeira é climaticamente neutra" (p. 96); as"Árvores idosas são  (...) mais produtivas do que as mais jovens" (p.100); é importante existir floresta no interior para aí potenciar a precipitação (p.108); as árvores restringem a humidade e a sua actividade a partir de Julho (p.139); a noção do tempo é medida pelas árvores através da temperatura e da duração dos dias (p. 149); entre muitas outras coisas...

Gostei bastante e recomendo. 


https://www.goodreads.com/review/show/3972488247

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Eremita Viajante, de Matsuo Bashô

"O Eremita Viajante" de Matsuo Bashô
421 Páginas
Assírio e Alvim, 2018


Cheguei a Matsuo Bashõ, poeta japonês, através de um romance alemão, "Die Kieferninseln" de Marion Poschmann. E foi, na verdade, uma boa experiência e uma interessante descoberta. 

A poesia de Bashõ é simples. Natural. Sem grandes artefactos. E é, ao mesmo tempo, profunda. Sensível. Observadora. 

Tendo-se tornado no poeta mais famoso do período Edo no Japão, Bashõ escreveu sobre a natureza e sobre a vida. Criou uma forma de poesia, o haiku, e este livro é um livro de haikus. Ao que parece reune quase todos os poemas do japonês. E é também uma lufada de ar fresco, uma "limpeza" à alma. Fica-se mais leve, mais solto, (ainda) mais atento à magia das pequenas coisas e dos momentos que, apesar de rápidos no tempo, não perdem em intensidade e em significado.  

https://www.goodreads.com/review/show/2378531470

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Um Arbusto no Olhar, de Álvaro Giesta



"Um Arbusto no Olhar" de Álvaro Giesta
Calçada das Letras, 2015
85 Páginas


"Um Arbusto no Olhar" foi uma feliz incursão ao mundo da poesia. Ainda não tinha lido nada de Álvaro Giesta antes desta obra e posso dizer que gostei muito do que li. É exactamente deste tipo de poesia que eu gosto...

E que poesia é esta? 

O autor escreve sobre a natureza. São frequentes as referências ao rio, ao sol, às pedras, à paisagem verdejante; aos quatro elementos (terra, ar, fogo e água). Álvaro Giesta escreve sobre fazer poesia, sobre a vida. Recorre ao corpo da mulher (e em alguns casos ao do homem) para falar do nascimento do rio que corre. 

O resultado é uma leitura que transmite paz, tranquilidade e que nos transporta para fora das quatro paredes sem mais demoras, recordando-nos o porquê de gostarmos de poesia. É a beleza da simplicidade, o prazer da intensidade... que as palavras nos permitem experimentar quando usadas na exacta medida e no momento certo...!

*

"Parai/
e dizei-me o que há de mais puro/
no coração ávido que anseia a água da vida/
e o ser; /
senão a poesia" (p.81)


https://www.goodreads.com/review/show/1912486799

sábado, 30 de abril de 2016

The Invention of Nature, de Andrea Wulf

"The Invention of Nature" de Andrea Wulf
John Murray, 2015
473 Páginas

Vencedor do Costa Biography Award em 2015 na categoria da Biografia, "The Invention of Nature" trata-se de uma biografia sobre Alexander von Humboldt, um geógrafo alemão do século XVIII-XIX, que dedicou a sua vida a observar e a explorar a natureza para a conhecer e compreender. 

A obra de Andrea Wulf, nascida na Índia, crescida na Alemanha e a viver actualmente em Inglaterra, encontra-se dividida em cinco partes: uma primeira relacionada com o período antecedente à partida de Humboldt, em que são abordadas as suas ideias emergentes, e os primeiros anos da sua vida muito moldados pelo que a mãe desejava para o futuro dele e do irmão; uma segunda parte relacionada com a chegada de Humboldt à América do Sul, passando por Llanos (no norte), Orinoco (rio), pela cordilheira dos Andes e por Chimborazo (vulcão), onde o geógrafo procede à recolha de ideias; uma terceira parte dedicada ao seu regresso à Europa, onde a autora aborda a sua passagem por Berlim, Paris e Londres, definindo este período como sendo um período de triagem de ideias; uma quarta parta em que se espalham as ideias de Humboldt pelo mundo e que envolve não só o seu regresso a Berlim, como também a sua viagem à Rússia e, depois, a redacção da sua obra mais importante, "Cosmos"; e uma quinta parte dedicada à evolução das ideias do geógrafo alemão, depois seguidas e desenvolvidas por outras áreas como a ecologia, a preservação da natureza, a evolução, a política e a própria imaginação/literatura, sendo que estas últimas foram abordadas noutras partes. Charles Darwin (1809-1882), Ernest Haeckel (1834-1919) e J.W. Goethe (1749-1832) foram algumas das figuras cujo pensamento acabou por, em certa medida, ser influenciado (e no caso de Goethe importa referir que este influenciou igualmente Humboldt) pelo geógrafo alemão. 

A leitura flui naturalmente, plena de pormenor, sem saturar e permitindo ao leitor explorar o meio, viajar com o geógrafo. Wulf apresenta e aborda a vida e obra de Humboldt com todo o detalhe, estabelecendo relações contrastantes entre este e o contexto sócio-político e económico da época. Humboldt parece (e foi) um homem à frente do seu tempo. Muitos dos seus conhecimentos são ainda hoje utilizados, sendo disso exemplo: a percepção da natureza como um todo, a distribuição da vegetação e do clima por zonas, a relação entre a actividade humana e a natureza... E Wulf destaca várias vezes isso mesmo, glorificando a vida e obra do geógrafo alemão que dedicou a sua vida a inventar a natureza... Num livro fascinante!

https://www.goodreads.com/review/show/1618680098