domingo, 24 de novembro de 2019

Intuição, de OSHO


"Intuição" de OSHO
Bertrand Editora, 2018
215 Páginas


Este é o terceiro livro que leio de Osho e não tenciono ficar por aqui...
Embora tenha começado a lê-lo em Agosto e terminado apenas em Novembro, a verdade é que o li depressa quando decidi lê-lo a sério!

No ano passado e neste ano que se encontra a terminar, deparei-me com vários episódios e pessoas da minha vida a chamarem-me à atenção para a importância da intuição, uma capacidade que todos nós temos, mas teimamos em ignorar... Porque não é algo lógico e muitas vezes (talvez até todas as vezes) não se explica no imediato. Sente-se e pronto. 

Mais uma vez, Osho não desilude. Volve e revolve as nossas ideias, tendo inclusivamente a capacidade de nos surpreender... Até provocando uma inesperada gargalhada quando menos esperava. 

Sem querer entrar em excessivos detalhes, mas procurando reforçar o facto de ter adorado este livro, sublinho, por exemplo, o interesse na diferença entre o hemisfério esquerdo e o hemisfério direito da nossa mente que o autor explora, a divisão dos seres humanos em três camadas (instinto-intelecto-intuição) é igualmente fascinante, sem esquecer as diferenças, as caracteristicas e os esperados comportamentos de homem e mulher numa relação a dois, mas também na própria organização do mundo... 

É excelente! 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Atrai Pessoas Fantásticas para a tua Vida, de Diana Gaspar


"Atrai Pessoas Fantásticas para a Tua Vida" de Diana Gaspar
Manuscrito, 2017
184 Páginas

Muito bem escrito e agradável de ser ler, "Atrai Pessoas Fantásticas para a Tua Vida" procura demonstrar como a primeira mudança começa em nós próprios. 

Podemos não mudar o mundo nem aqueles com que nos relacionamos - porque como defende a autora e, com razão, "não mudas ninguém", mas podemos mudar-nos a nós próprios e dessa perspectiva acabamos por potenciar a mudança para além de nós... E atrair relações mais saudáveis!

Creio que esta é a ideia central da obra: a mudança começa antes de tudo em nós. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A Papoila e o Monge, de José Tolentino Mendonça

"A Papoila e o Monge" de José Tolentino Mendonça
Assírio & Alvim, 2015
173 Páginas



Cruzei-me com "A Papoila e o Monge" por acaso num dia em que procurava qualquer coisa de especial para ler na Bertrand do Chiado numa tarde quente de Agosto. Não foi o autor (que para mim era apenas um nome conhecido) nem o grafismo que me seduziram, mas sim o título e o facto deste ser um livro de haikus, uma forma de poesia criada no Japão por Matsuo Basho (https://www.goodreads.com/review/show/2378531470). A papoila está entre as flores que gosto (é selvagem, corajosa porque nasce onde menos se espera e sem avisar, é de um vermelho vivo que já mais nos deixa a memória) e o monge remete-me para o espiritual (e não necessariamente para o religioso). 

É um livro muito bonito, de composição refinada, muito focado no papel e no significado do silêncio, mas também na natureza, na cidade, nas estações do ano. Por outro lado, e como não poderia deixar de ser (até porque José Tolentino Mendonça é cardeal), alguns haikus (não muitos) tocam no assunto Deus e talvez por não ser propriamente religiosa (mas sim espiritual) foram aqueles que menos apreciei, apesar de lhes conseguir reconhecer alguma beleza. 

https://www.goodreads.com/review/show/3014395631?book_show_action=false

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A Passagem, de Horácio N. Medina


"A Passagem" de Horácio N. Medina
Chiado Editora
91 Páginas

"A Passagem" é daqueles livros que nos surpreendem pela positiva, pelo inesperado e não expectável... 

Medina apresenta-nos três conjuntos distintos de poemas: um primeiro dedicado a "os campos", um segundo a "a corrente" e um último respeitante a "a passagem". Dos três conjuntos, o último foi aquele de que gostei mais. 

No decorrer da leitura, e em especial no primeiro conjunto de poemas, lembrei-me, por várias vezes, de Alberto Caeiro e do seu modo de sentir natural... E achei, de igual modo, particularmente interessante o facto do autor jogar muitas vezes com uma ideia e o seu contrário, o que me pareceu ser um traço marcante, constante e frequente. Um bom exemplo disso poderá ser: " Não creio em ilusões. Iludo-me./ Desassossego-me sossegado (...)".

Para mim também, "Ler é encher a alma/ escrever é a libertação". Portanto, aqui fica o meu agradecimento ao autor pela oferta de tão bonito livro e por me ter dado a conhecer a qualidade da sua poesia, um dos géneros literários que eu muito aprecio!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A Menina Que Roubava Morangos, de Joanne Harris

"A Menina Que Roubava Morangos" de Joanne Harris
Edições Asa, 2019
374 Páginas

Joanne Harris está entre aqueles autores que guardamos no coração...

Penso que isso se deve, no meu caso, a duas razões: a primeira relaciona-se com o momento em que li um livro seu pela primeira vez (próximo do fim da adolescência e do início da idade adulta - foi a minha primeira "escritora adulta"- em tempos algo conturbados...) e a segunda relaciona-se mesmo com a sua forma especial/mágica/mística de contar histórias, toda a evocação de cheiros e sabores que nos fazem acreditar que estamos efectivamente diante de algo que, na verdade, resulta da imaginação. 
É claro que já li um ou outro livro de Harris de que gostei menos (e não li nada sobre aqueles seus livros cujas histórias nos levam ao mundo das runas), mas, regra geral, sei que é uma escolha segura.

"A Menina que roubava Morangos" faz parte da "saga" Chocolate de que eu tanto gosto e é sempre agradável voltarmos aos "lugares" onde já fomos felizes. E foi muito bom privar novamente com Vianne Rocher, Anouk, Rosette, Roux, ... Reflectir uma vez mais sobre a mudança e o medo dela, sobre a necessidade de deixarmos livres aqueles que amamos porque hão de voltar...! 
Amar é soltar, é deixar ir e compreender que tudo tem o seu momento certo. Julgo que esta foi a grande mensagem (como que uma ideia de esperança certa) que Harris nos quis deixar neste seu livro. 

Mais uma vez, leio um livro desta autora "no momento"; como que cumprindo uma espécie de chamamento. Deixando-me levar também com o vento (outra das presenças obrigatórias no mundo de "Chocolate"), parto agora diferente do que estava quando aqui cheguei e valeu a pena... Cada página, cada capítulo, cada parte; cada dia, cada hora, cada minuto. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Escolho ser feliz, de Sara Cardoso


"Escolho Ser Feliz" de Sara Cardoso
Pergaminho, 2017
136 Páginas


Gostei da estrutura, da objectividade e da forma como as ideias são expostas. 

Pareceu-me particularmente útil o facto da autora defender um principio positivo por oposição ao principio negativo correspondente: por exemplo, aceitação em vez de resistência. Ora, isto permite ao leitor compreender através da comparação e do contraste entre as duas ideias qual é aquela que habitualmente segue, questionar e compreender até que ponto essa ideia será ou não a mais vantajosa para a sua vida e, se for caso disso, como a poderá transformar. 

Nos últimos tempos, tenho constatado a existência de "uma espécie de movimento" (e coloco entre aspas porque tenho dificuldade em definir isto) defensor de sentimentos e emoções positivas a todo o custo e a toda a hora. Não sendo eu uma especialista nesta área, a minha experiência de vida até à data e várias outras coisas que tenho lido, escritas sobre isto por quem se dedica a estudar e a trabalhar na área da psicologia e afins, diz-me que isso não só é um erro, como um tremendo disparate. A realidade nem sempre é bonita e agradável e também nem sempre nos apraz... Daí que existem e existirão sempre sentimentos e emoções positivas e sentimentos e emoções negativas, do mesmo modo que todos somos seres de luz e de sombra. Os sentimentos e emoções são estados, estando-lhes associada uma ideia de transitoriedade. Vão e vêm. É esta a linha que a autora defende e isso foi, de igual modo, outro aspecto que gostei no livro. 

Nem sempre gostei da forma como o livro está escrito. Não está mal escrito (longe disso), mas poderia ter um estilo um pouco mais cuidado. E... discordo de um/dois dos exemplos apresentados (não me recordo quais, de momento) por experiência própria. Creio, todavia, que isso é algo salutar de acontecer!

Gostei do livro; é daqueles que vale a pena folhear de vez em quando para recordar algumas coisas... Até porque é pequeno, conciso e directo.

Note-se ainda que a formação da autora na área do Reiki (a par da Psicologia) faz toda a diferença nesta leitura, sendo, na minha perspectiva, uma mais-valia!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O Tempo Entre Costuras, de María Dueñas


"O Tempo entre Costuras" de María Dueñas
Porto Editora, 2016
624 Páginas


Apesar de estar sobejamente bem escrito e ter uma história muitissimo bem articulada no espaço, no tempo e nas personagens, lutei até mais de metade do livro com a vontade de desistir do livro... Por sentir que talvez não fosse o livro adequado a ler neste precioso momento. Ainda assim, e porque a teimosia é um traço da minha personalidade, não desisti e li-o até ao fim. 

Parti para a leitura com as mais altas expectativas devido a opiniões muito favoráveis que tinha ouvido e lido acerca deste romance de María Dueñas. E ter altas expectativas não é de todo uma coisa boa em nenhuma circunstância, sendo preferivel partir para as situações e, neste caso concreto, para a leitura de coração e mente abertos. 

Gostei do que li. Gostei da evolução que a personagem principal, a modista Sira, faz ao longo da narrativa. Gostei do enquadramento histórico e do recurso à espionagem. Gostei da referência/passagem da personagem por Lisboa e pelo Estoril no tempo do Estado Novo, sobretudo porque a autora não é portuguesa e sim espanhola, mas o livro não me agarrou por inteiro em nenhum momento... 

Foi como se tivesse posto água ao lume (sendo desejável que esta fervesse) para fazer chá e ela nunca passou de morna... Isso. Queria ter sentido mais. Todavia, na maioria das vezes, não consegui sentir nada. Não me senti "viver" estes dias com Sira como acontece nos livros que me conseguem agarrar por inteiro... Como diz a letra da música "Carta" dos Toranja, "a mim passou-me ao lado".

"O Tempo entre Costuras" não me conseguiu nem arrebatar nem surpreender, deixando-me um leve sabor a desilusão que, porém, não deve dissuadir os possíveis curiosos/interessados em o ler até pelas razões já apontadas. Se essa é a vossa vontade/interesse, sigam em frente, leiam e tirem as vossas próprias conclusões!