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terça-feira, 16 de abril de 2024

"Die Rebellin" de Thérèse Lambert


"Die Rebellin" de Thérèse Lambert, 
ATB, 2021
416 Páginas

"Die Rebellin" fez-me lê-lo por contar a história de Lou Andreas-Salomé, a mulher com quem Friedrich Nietzsche se quis casar e que o rejeitou, envolvendo-se depois com o amigo deste com quem chegou a viver durante cerca de 4 anos, Paul Rée. 


Lou não se queria casar com nenhum homem, mas acabou por casar mais tarde com Friedrich Carl Andreas, mantendo um "casamento aberto", uma vez que estando casada com ele mantinha relacionamentos amorosos com outros homens, como o escritor Rainer Maria Rilke (nascido René porque a mãe queria que tivesse nascido mulher e tornado Rainer por aconselhamento de Lou). É, aliás,a relação com Rainer Maria Rilke que acaba por ser central em "Die Rebellin". 


Conhecida por ser uma mulher carismática, também uma das primeiras a exercer psicanálise, confesso que esta russa de origem alemã não me despertou, porém, grande simpatia. Talvez porque não vi nela o espírito livre que muito se apregoa e, sim, alguém emocionalmente instável e imaturo... Até algo caprichoso. Isso é notório na relação que mantém com Maria Rilke enquanto está casada com Andreas e, de igual modo, na forma como "descarta" Maria Rilke por ser alegadamente alguém muito intenso e "sufocante". 


Por outro lado, também não fiquei fã da forma como o livro está escrito. Temporalmente há muitos recuos na história que, no momento em que se verificam, ficamos sem perceber qual o nexo. 


https://www.goodreads.com/review/show/6270900125

domingo, 7 de janeiro de 2024

"Nietzsche in Italy" de Guy de Pourtalès




"Nietzsche in Italy" de Guy de Pourtalès
Pushkin Press, 2022
127 Páginas

Da autoria de um autor alemão que viveu ao mesmo tempo que Friedrich Nietzsche e, tratando-se de uma biografia clássica, estava à espera de um pouco mais, reconheço. 

Guy de Pourtalès não consegue sequer chegar aos calcanhares de Stefan Zweig que também escreveu uma espécie de biográfica - mais psicológica - e absolutamente brilhante sobre Nietzsche (e que recomendo vivamente). 

Contudo, Pourtalès deixa-nos alguns dados novos sobre a vida de Nieztsche interessantes, tais como: poderá ter havido uma espécie de paixão platónica relativamente a Cosima Wagner, mulher de Richard Wagner, o que terá estado eventualmente na origem e/ou ter influenciado o desentendimento dos dois amigos; é uma amiga alemã, em Sorrento, Malwida von Meysenbug que aproxima e apresenta Lou Andreas-Salomé a Nietzsche na esperança de engendrar um relacionamento e futuro casamento entre ambos, mas não corre bem e esta envolve-se antes com o seu amigo Paul Rée; o pai de Nietzsche terá tido um problema cerebral aos trinta e tal anos e morrido disso (algo que a irmã do filósofo sempre tentou ocultar de todos), pelo que isso poderá (ou não) ter contribuido para a loucura de Nietzsche... com alguma predisposição genética para; depois de ficar louco é a irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche, que toma conta dele e das suas obras publicando ainda algumas e é, dada a proximidade desta com o Nacional-Socialismo, que justifica o facto de muitas vezes se associar as ideias de Nietzsche erradamente ao Nacional-Socialismo.  


https://www.goodreads.com/review/show/6132788406

sábado, 3 de abril de 2021

"A Vontade de Poder - O Niilismo Europeu" de Friedrich Nietzsche



"A Vontade de Poder - O Niilismo Europeu" de Friedrich Nietzsche
Rés-Editora, 2004
302 Páginas

Este primeiro volume d' "A Vontade de Poder", dedicado ao Niilismo Europeu, é constituido por dez capítulos a saber: I - Posição Gnosiológica, II - Exposição Metodológica, III - O Universo e o Homem, IV - O Homem e o Universo, V - Do Cósmico ao Humano, VI - Modernidade, VII - A Europa, VIII - Decadência, IX - Pessimismo e, X - O Niilismo. 

É a partir do III capítulo que, para mim, o volume se reveste de acrescido interesse. Há um momento ou outro de maior importância nos dois primeiros capítulos -como é o caso da passagem "A paixão do conhecimento prende-se com o fim da existência(...)" e de "(...)o pensador aspira a unir-se às coisas de que se vê separado; e nisso consiste a sua paixão." (p.37) -, mas na generalidade continuo a não ser fã das discussões demasiado abstractas relacionada com as questões metodológicas. Prefiro ir directa ao assunto!

Em termos de pontos fortes, considero plena de significado a relação existente entre prazer e poder (sendo o primeiro "um sintoma da sensação de poder adquirido" - p.119), a ideia de que a vida é "vontade de acumular força" e "esforço para a obtenção de maior poder" (p.145) - "é vontade de poder" (p.175) -, e a definição de que "Um niilista é um homem que acha que o mundo, tal como é, não devia existir e que o mundo, tal como devia ser, não existe".

Por fim, e já numa das últimas páginas do volume, encontrei uma passagem, que de tão bela, merece ser destacada e me recorda o "Assim falou Zaratustra": "um filósofo e um solitário por instinto, que tem aproveitado a vida para viver arredado, fora do mundo, com paciência, contemporização e solidão; espírito corajoso, explorador que, em dada altura, se extraviou nos muitos labirintos do futuro; pássaro profeta, a quem basta olhar para trás para predizer o que há-de vir; sendo o primeiro niilista completo da Europa, após ter levado em si mesmo o niilismo até ao extremo, afastou-se para trás, para fora de si"(p.295).

https://www.goodreads.com/review/show/3370028393

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

"Assim falou Zaratustra" de Friedrich Nietzsche
Publicações Europa-América, 2008
324 Páginas


"Assim falou Zaratustra" é, segundo consta, a "Magnum Opus" de Friedrich Nietzsche, tendo sido publicada pela primeira vez em 1883. 

Escrito em forma de poema (filosófico como figura e bem na capa da edução que li da Europa-América), este é o primeiro livro que leio de Nietzsche, embora já me tenha cruzado com o seu pensamento e episódios relativos à sua vida por diversas vezes. 

É preciso gostar de pensar. É preciso gostar de filosofia para ler este livro até ao fim e apreciar. E claro ter algum interesse em Nietzsche. 

No que me respeita, devo dizer que adorei não só a forma como está escrito, como também o conteúdo apresentado... com ideias muito pertinentes... e realistas! É soberbo! Li-o agora com muito mais bagagem (em todos os níveis) do que quando o quis ler anteriormente numa primeira tentativa há vários anos atrás. 

Um dos aspectos que me chamou particularmente à atenção foi o facto de Zaratustra descer da montanha, e regressar várias vezes à montanha, após uma temporada de dez anos desfrutando aí da solidão. Fez-me lembrar "A Montanha Mágica" de Thomas Mann. Pareceu-me, aliás, quanto a este aspecto um eco. Em ambos os casos, a montanha surge como um simbolo de transcendência, de encontro do céu e da terra (alma e corpo?) e um elemento importante da cultura germânica. 



sábado, 1 de junho de 2019

Nietzsche in Turin: Erzählung, de Jurgen Kleist


"Nietzsche in Turin: Erzählung" de Jurgen Kleist
Amazon, 2009
107 Páginas

Pouco conhecido, mas igualmente com tradução disponível em língua inglesa, este conto (ou novela como já li escrito numa outra edição?!) foi uma interessante descoberta que fiz esta Primavera. 

Tem plasmadas na história algumas das ideias de Nietzsche, bem como a afeição que este tinha pelos italianos (nomeadamente à sua simpatia, comida e ao tempo) e em particular pelos turinenses. 

"Nietzsche in Turin: Erzählung" conseguiu ainda arrancar-me algumas gargalhadas, com bastante vontade, em determinados momentos da história, relacionados com as observações e exigências da personagem de Nietzsche que aqui surge na fase final da sua vida. E está escrito de forma inteligente, criativa e pensada. 

Gostei mesmo muito! 

terça-feira, 10 de maio de 2016

A Cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom




"A Cura de Schopenhauer" de Irvin D. Yalom
Saída de Emergência, 2009
320 Páginas


"A Cura de Schopenhauer" consiste numa (muito) feliz mistura de filosofia com psiquiatria/psicoterapia e literatura, permitindo-nos uma viagem ao pensamento do filósofo alemão, Arthur Schopenhauer (1788-1860), sem esquecer as passagens ainda que breves por Immanuel Kant (1724-1804) e por Friedrich Nietzsche (1844-1900). Trata-se acima de tudo de um romance de ideias em que o autor, Irvin D. Yalom, consegue a fantástica proeza de nos oferecer umas quantas sessões de psicoterapia à distância.

Yalom centra a obra na relação que o homem tem por um lado, com a morte, e por outro, com o sexo, levando-nos a reflectir sobre o sentido e o significado destas na nossa vida. De forma inconsciente, o leitor entra em psicoterapia, vendo-se a repensar e a questionar algumas das suas crenças muito naturalmente e determinados rumos que a vida, por vezes, segue quando nos relacionamos com os outros. É um livro que quebra as amarras do pensamento, desfaz os nós e que consegue deixar o leitor de alma lavada.

Não é a primeira vez que leio Yalom e parece-me que também não será a última. Até à data "Quando Nietzsche chorou" era o meu livro preferido deste autor. Continua a sê-lo, mas "A Cura de Schopenhauer" também passará a integrar essa categoria especial, apenas reservada àqueles livros cuja leitura e mensagem, passe o tempo que passar, jamais se esquecerá...! Excelente.
*

"Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça. (...) No fim, ela vence, pois desde o nascimento é esse o nosso destino e ela brinca um pouco com a sua presa antes de a comer. Mas continuamos a viver com grande interesse e inquietação durante o máximo tempo possível, do mesmo modo que sopramos uma bola de sabão até que esta ficar bastante grande, embora tenhamos a certeza absoluta que vai rebentar. (...)" (Yalom, 2009, p.11)

https://www.goodreads.com/review/show/1618679106?book_show_action=false