quinta-feira, 17 de agosto de 2023

"Silence in the Age of Noise" de Erling Kagge




"Silence in the Age of Noise" de Erling Kagge
Penguin, 2018
160 Páginas



Erling Kagge aborda neste seu ensaio a importância e a beleza de se cultivar o silêncio na chamada era do ruído. 

Sendo uma espécie de subtração de algo, o silêncio faz falta a qualquer um de nós porque nos permite estar mais despertos e conscientes e, como consequência, escutar melhor, ver melhor, sentir mais, ... 

E pode ser encontrado em qualquer lugar, basta procurá-lo. A começar na natureza!

"Silence in the Age of Noise" é uma leitura interessante, mas, para mim, acabou por não sair da superfície. Confesso que estava à espera de mais. Se o tivesse lido há uns anos, talvez me tivesse conseguido surpreender. Neste momento, ofereceu-me um saco cheio de lugares-comuns, o que não invalida nem impedirá, porém, que leia em breve outros livros do autor!


https://www.goodreads.com/review/show/5767051372


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

"Unterm Rad"/"Beneath the Wheel" de Hermann Hesse





"Unterm Rad" de Hermann Hesse
Suhrkamp, 1972
176 Páginas

"Beneath the Wheel" de Hermann Hesse
Picador, 2003
192 Páginas

Segundo livro publicado por Hermann Hesse, logo a seguir a "Peter Camenzind", "Unterm Rad"/"Beneath the Wheel" centra-se na figura do jovem Hans Giebenrath que passa os dias totalmente dedicado aos estudos para poder entrar no Seminário. Estuda até às tantas da madrugada e esquece-se de viver para além disso. Dói-lhe quase sempre a cabeça e quase não desfruta de tempo ao ar livre. O pai deposita todas as esperanças no sucesso do filho...

Mas eis que chegado ao Seminário desenvolve uma amizade com Hermann Heilner que o alerta para a existência de todo um mundo que lhe passa ao lado, toda uma vida que se lhe escapa por entre os dedos enquanto Hans permanece naquela dormência. E a pouco e pouco... Tudo começa a mudar: o que antes era uma vontade e um destino dado como certos é colocado em causa...!

Sem avançar mais na história, "Unterm Rad"/ "Beneath the Wheel" é, por um lado, um livro muito auto-biográfico. Há muitos traços da vida pessoal de Hesse nesta história, a começar pelo facto do autor ter igualmente frequentado um Seminário. Por outro lado, é também uma forte crítica à sociedade autoritária da época em que é escrita, a da Alemanha de Wilhelm II (antes da Primeira Guerra Mundial), quando as crianças não tinham o direito de ser crianças e eram vestidas como pequenos adultos, esperando-se que se comportassem como tal, sem grandes margens para desvios. 

Além de ter uma escrita muito bela, Hermann Hesse é profundamente espiritual na forma como o faz. É sempre, sem excepção, uma experiência muito agradável ler os seus livros e este não foi excepção!

https://www.goodreads.com/review/show/5745622812

https://www.goodreads.com/review/show/5745622573

sábado, 5 de agosto de 2023

"The Richest Man of Babylon" de George S. Clason



"The Richest Man of Babylon" de George S. Clason
Penguin, 2002
196 Páginas

Escrito nos anos vinte, pouco antes da Grande Depressão, este livro é composto por várias parábolas, inicialmente distribuidas de forma isolada com o intuito de proporcionar alguma educação financeira aos americanos, a saber: the man who desired gold, the richest man in Babylon, seven cures for a lean purse, meet the goddess of good luck, the five laws of gold, the gold lender of Babylon, the walls of Babylon, the camel trade of Babylon, the clay tablets of Babylon, the clay tablets from Babylon, the luckiest man in Babylon e an historical sketch of Babylon. 

Tendo como palco sempre a rica Babilónia (onde hoje se situa o Iraque), "The Richest Man of Babylon" é uma leitura que vale muito a pena pelo facto de, entre outras coisas, alertar para a importância de se poupar, pagar as dívidas e investir algum dinheiro, fazendo-o de uma forma culturalmente muito enriquecedora e interessante, a das parábolas. 

É um livro para ler e reler e deixar na mesa de cabeceira, definitivamente.

https://www.goodreads.com/review/show/5731558548

domingo, 30 de julho de 2023

"A Casa das Belas Adormecidas" de Yasunari Kawabata




"A Casa das Belas Adormecidas" de Yasunari Kawabata
Publicações Dom Quixote, 2017
158 Páginas

"A Casa das Belas Adormecidas" do japonês Yasunari Kawabata é, segundo consta, a obra que terá inspirado Gabriel García Márquez a escrever "Memória das Minhas Putas Tristes", outro livro que li há vários anos atrás e gostei muito. 

As belas adormecidas mais não são do que jovens virgens que se encontram a dormir numa casa, sob o efeito de sedativos, onde idosos não sexualmente activos resolvem ir passar a noite... também eles sedados depois de contemplarem o corpo nu das mesmas. "Só isso", leva Eguchi, a nossa personagem principal numa viagem pela sua memória, recordando algumas das relações que teve e manteve com mulheres na sua vida há anos atrás. 

Para mim, o mais belo em "A Casa das Belas Adormecidas" é a reflexão que o autor nos leva a fazer sobre a vida e a morte, a humanidade e a desumanidade, o estar a dormir e o estar acordado, a velhice e a juventude, a impureza e a pureza. A isto acresce, como não poderia deixar de ser, a qualidade da sua escrita e das imagens que evoca... Sublime! 

https://www.goodreads.com/review/show/5727286689


sexta-feira, 28 de julho de 2023

"Diana: Königin der Herzen" de Julie Heiland

"Diana: Königin der Herzen" de Julie Heiland
Ullstein, 2021
496 Páginas

"Diana: Königin der Herzen" de Julie Heiland centra-se na história da vida de Diana desde que esta conheceu o então Principe Charles (hoje rei Charles III) nos anos setenta, quando este namorava com a irmã de Diana, Sarah, até ao ano de 1996 quando Diana e Charles se divorciam. 

Emocionalmente carente e frágil, vive infeliz no Palácio sabendo que Charles mantém paralelamente uma relação com Camila (que tinha ainda antes do casamento), tendo muita dificuldade em se adaptar ao protocolo e a  todas as "regras" a que uma futura rainha deveria obedecer. Também ela arranja um amante, o militar James Hewitt, procurando suprir as lacunas emocionais criadas com o divórcio dos pais e a infelicidade do seu próprio casamento, bem como viver o conto de fadas com que sempre sonhou. Convive mal com a imprensa e quando procura usá-la a seu favor, é "pior a emenda que o soneto". Aliás, é a imprensa que acaba por precipitar o seu divórcio e, mais tarde, "influenciar" a forma como morre...

A dado momento da sua vida, Diana resolve dedicar-se a causas humanitárias, como a SIDA, o que não foi muito bem visto na altura pela família real inglesa, mas justifica ser conhecida como "Königin der Herzen", isto é, a rainha dos corações.

Heiland escreve muito bem e a leitura é agradável. Penso apenas que poderia incluir no final algumas das referências bibliográficas seguidas para apresentar os factos e detalhar onde é que a realidade termina e a ficção começa efectivamente, tal como Eva-Maria Bast, por exemplo, faz nos seus livros. 

Para quem estiver interessado(a), este livro que li em língua alemã já se encontra traduzido e publicado em língua portuguesa pela Planeta, com o título "Diana -A Rainha dos Corações".

quarta-feira, 12 de julho de 2023

"On Pain" de Ernst Jünger


"On Pain" de Enst Jünger
Telos Press, 2008
47 Páginas

Dos anos 30, logo após a subida de Adolf Hitler ao poder "On Pain" é um ensaio que, na minha perspectiva, além de extremamente confuso e difuso, não está muito bem conseguido. 

Simplesmente porque Ernst Jünger, um dos meus autores alemães preferidos, termina o livro sem me conseguir levar a lado nenhum! Aliás, fiquei sem perceber o porquê do ensaio se chamar "On Pain" já que pouco ou nada trata acerca do sofrimento. 

Fala-se da tecnologia como sendo o nosso uniforme, da fotografia como uma espécie de demónio (o que pode estar relacionado com o contexto em que escreve - o da emergência em força da propaganda) e critica-se amplamente a burguesia. 

"On Pain" é acima de tudo uma crítica à burguesia da República de Weimar, plena de referências  Friedrich Nietzsche - aspecto que muito apreciei -, mas não é muito mais do que isso...

https://www.goodreads.com/review/show/5676592067



"Die aufgehende Sonne von Paris" de Eva-Maria Bast


"Die aufgehende Sonne von Paris" de Eva-Maria Bast
Piper, 2022
374 Páginas

Mata Hari significa "olho do dia", simbolizando o Sol. E é sobre esta fascinante e enigmática mulher que Eva-Maria Bast escreve outro excelente e memorável livro. 

Deixando para trás um casamento infeliz com o marido militar, um filho morto (porque envenenado pela ama) e uma filha que não consegue trazer consigo, Mata sai de Java (era, contudo, holandesa) e chega a Paris sem nada. 

É a sua beleza, algo exótica, os conhecimentos de dança javanesa e todo o "boneco" misto de erotismo e elegância (que constrói) que a fazem ganhar sucesso junto da alta sociedade. 

Amante de um sem número de homens de poder, na sua maioria casados, vibra com o poder que a sua dança exerce neles. E, desta forma, consegue viver a sua vida, sem conseguir, porém, recuperar a sua filha - facto que a entristecerá para sempre. 

Termina na espionagem, por dinheiro acima de tudo . para sobreviver depois de ter ficado sem nada - e depois também por amor ou um "erro carnal"?!. Em 1917, é condenada à morte por fuzilamento na sequência da acusação de espionagem contra a França. 

Completamente fora dos padrões da época, vivendo uma vida de disputa constante entre a luz e a sombra, Mata Hari é, de facto, uma figura muito interessante. Adorei conhecê-la através da brilhante escrita romanceada de Bast!


https://www.goodreads.com/review/show/5643025285