segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A Montanha Mágica, de Thomas Mann



"A Montanha Mágica" de Thomas Mann
Publicações Dom Quixote, 2014
816 Páginas 



Adorei Thomas Mann em "Os Buddenbrook", que está mesmo entre os meus livros preferidos, mas não consegui ficar a adorar Thomas Mann em "A Montanha Mágica"... 

Mann debate, diria que, tudo e mais alguma coisa nesta sua "Montanha". E ainda que tenha considerado muitos dos debates e reflexões em causa extremamente interessantes, muitos houve que me aborreceram e não me interessaram assim tanto... Fiquei, em alguns casos, com vontade de saltar texto, virar umas quantas páginas, apressar a leitura ou fechar o livro e ir dormir mais cedo. 

Adorei, todavia, as várias reflexões que fui encontrando em torno do tema do tempo. Fascinantes, mesmo! Creio que estas foram o que mais gostei na obra.


https://www.goodreads.com/review/show/2639911989

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Der Freund und der Fremde, de Uwe Timm


"Der Freund und der Fremde" de Uwe Timm
DTV, 217
173 Páginas


Neste seu livro Uwe Timm aborda a sua amizade com Benno Ohnesorg, dando-nos a conhecer um pouco de quem este era como pessoa e qual o seu percurso de vida até este ter decidido estudar literatura. Ohnesorg foi baleado e acabou por morrer durante uma manifestação estudantil contra o Xá do Irão, Mohammad Reza Pahlavi (que tinha ido assistir a uma ópera), em Berlim (na RFA) nos anos sessenta. 

Para além de algumas referências literárias a autores debatidos entre ambos, ficamos a conhecer também alguns pormenores auto-biográficos de Timm no seu percurso como estudante de literatura e na perseguição do seu sonho de vir a ser escritor. 

Gostava de ter ficado a conhecer um pouco mais acerca de Ohnesorg, mas o tema do livro é mesmo a amizade entre ambos. Senti que, por vezes, as "interferências" literárias a este e aquele autor no meio da narrativa quebravam um pouco o ritmo e nem sempre consegui compreender devidamente o seu porquê naquele momento e naquele lugar. A forma como relata a perda, sendo dolorosa, é bonita e o facto dos dois terem começado as suas vidas noutras áreas e depois terem rumado ao sonho de serem escritores deixou-me a pensar... Nunca é tarde para mudarmos o rumo de nada; pelo menos enquanto há vida!

Por fim, e no que respeita ao título da obra, "o aparente trocadilho" entre Freund (amigo) e Fremde (estranho, desconhecido, estrangeiro) pode ficar a dever-se, por um lado, ao facto de Ohnesorg ser simultaneamente um amigo e um estranho para Timm; um estranho porque houve várias coisas que este e até a própria familia só viriam a conhecer após a sua morte; ser introvertido resulta, por vezes, em passar aqui e ali sem que nunca nos tenham conhecido completamente/profundamente e talvez sem que tenhamos tido o tempo necessário para poder deixar a nossa "marca" nos outros, embora isto seja discutivel, bem sei. Por outro lado, o estranho pode, de igual modo, aludir à obra de Albert Camus, "L'Étranger", objecto de discussão entre os dois amigos. 

Interessante. 

https://www.goodreads.com/review/show/2680416014

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago

"O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago
Porto Editora, 2016
494 Páginas


Antes de dar a minha perspectiva sobre este livro, gostava de fazer notar que a mesma respeita apenas Saramago enquanto escritor e enquanto autor de "O Ano da Morte de Ricardo Reis". 

Comecei a ler este livro depois do Natal e devo dizer que foi uma excelente companhia nestes dias. Ele esperou cerca de três anos na estante que chegasse a sua vez... Sem perder a paciência e mantendo-se sempre de pé com a capa bem visivel. 

Dos três heterónimos de Pessoa de que habitualmente se fala, Ricardo Reis costuma ser aquele que gosto menos. Por causa da visão pessimista e seca que tem da vida. Mas consegui adorar lê-lo nestas páginas (ou melhor relê-lo) até porque aqui a Lídia tem um papel efectivo, não se senta só com Reis à beira rio. E eu gostei genuinamente disso até porque ainda que Reis continue com a sua visão pessimista e seca ainda vai desfrutando, nos intervalos, daquilo que de melhor a vida terrena tem. Obrigada por isso, Saramago!

Gostei das visitas de Pessoa a Reis e da mistura entre estes dois com o estilo de Saramago. Profundo, por vezes cortante, e com frequência capaz de deixar a nu, e de forma bem mais estruturada, estados de espiritos perdidos num turbilhão de emoções incontrolável. Senti-me como se alguém me conseguisse ler e compreender. 

Em relação ao estilo de escrita de Saramago, primeiro estranha-se, depois entranha-se. O que quero com isto dizer? Bem... Quando comecei esta leitura, ao fim de poucas páginas, senti-me cansada, quase sem fôlego. Os pontos finais são poucos quando comparados com a quantidade imensa e predominante de vírgulas. As pausas nos textos e os supostos diálogos são controlados por vírgulas apenas. Porém, a verdade é que me habituei ao estilo e quando terminei de ler o livro pensei: já está? Não há mais?! 

Talvez não seja o tipo de leitura que se adeque a todos os tipos de leitores. É um livro pesado e a escrita é complexa. Mas eu gostei... Bastante até! Da mesma maneira que gostei quando li o seu livro de contos aos 14/15 anos. Gosto acima de tudo da profundidade sem rondeios que Saramago usa em muitas circunstâncias... sobre questões básicas da nossa existência. E isto nada tem a ver com política, tal como como sublinhei no inicio, e também não tem a ver com religião. 

https://www.goodreads.com/review/show/2646004411

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Militärmusik, de Wladimir Kaminer



"Militärmusik" de Wladimir Kaminer
Goldmann, 2003
222 Páginas


Comparativamente a "Russendisko", "Militärmusik" está escrito de forma mais articulada e deixando transparecer maior unidade, o que o torna, no meu entender, mais interessante. 

É muito mais auto-biográfico porque recua até aos anos sessenta, quando Wladimir Kaminer nasce na Rússia, e com ele ficamos a conhecer várias características do autor enquanto criança e depois adolescente e jovem adulto.  

Os textos são mais longos levando-nos a demorar mais na leitura e, neste contexto, aproximam mais o leitor da realidade vivida durante os tempos da URSS. Talvez porque são mais detalhados e não há pressa... 

Gostei mais deste! 

p.s.: Mas continuo a não ser muito fã de Kaminer, desculpem. 

https://www.goodreads.com/review/show/2670135194

sábado, 12 de janeiro de 2019

Russendisko, de Wladimir Kaminer


"Russendisko" de Wladimir Kaminer
Goldmann, 2002
192 Páginas



Este é o segundo livro que leio de Wladimir Kaminer e termino com a mesma conclusão (apesar de ter mais dois livros dele para ler e tencionar lê-los; desistir é sempre a última opção nestas situações): não sou fã. 

Kaminer pode ser um autor com um humor incrivel, muito divertido e tal, mas não me convence. Gosto de sentir alguma unidade quando leio um livro e não consigo sentir isso nos seus livros. Aliás, ainda consegui gostar menos deste livro do que do outro primeiro sobre os sírios na Alemanha. 

Na verdade, senti que ao invés de falar da experiência russa em Berlim, que fala pouco quando esse é supostamente o ponto central do livro, o autor se perde numa série de observações aleatórias que podem fazer o leitor perder o interesse. A mim aconteceu-me isso e só li o livro até ao fim porque sou tremendamente teimosa, devo confessar. 

Por isso, e embora o tema me interesse, não consegui gostar deste livro. Estava desejosa, ansiosa, por o terminar de ler. Só consegui gostar de um texto intitulado "conselho do pai", no qual o autor conta que o pai acreditava que, chegados a 1990 na URSS, a grande Liberdade é aproveitar o momento da era Gorbachov para se "pisgarem" dali para fora. E rápido. Porque aquela Liberdade é provisória e a tendência será para ela desaparecer novamente. 


https://www.goodreads.com/review/show/2646022534

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Neun Tage in Lissabon


"Neun Tage in Lissabon" de Hervé Le Tellier
DTV, 2015
277 Páginas

"Neun Tage in Lissabon" é um passeio pelas ruas de Lisboa, mas também por uma parte da história e cultura portuguesas. E aqui reside, no meu entender, a maior beleza deste livro. É extremamente agradável ler sobre autores portugueses conhecidos e menos conhecidos nas palavras de um autor estrangeiro; ler no meio da escrita em alemão algumas palavras portuguesas de um poema pertencente a Fernando Pessoa... Aquece a alma!

Sem entrar em detalhes acerca da história (não me apetece fazer spoiler), este livro centra-se na história de dois amigos, cada qual, com a sua história de insucesso na relação com as mulheres. Esta foi a parte que menos me fascinou porque estou cansada de histórias que não correm bem... Mas, vá, isso é um problema meu. 

Por outro lado, a descoberta da namorada (dos tempos de adolescência/juventude vividos aquando do Estado Novo) e mãe do filho de um deles, conhecida como Pata, mesmo no fim da história tem um sabor agridoce, sendo simultaneamente um aspecto agradável para quem a descobre, mas desagradável para quem é descoberto. O que deixa o leitor a pensar... em como o ser humano tudo complica quando se "mete onde não é chamado" e/ou quando tudo compromete quando se acobarda assistindo impávido, sereno e em silêncio ao desmoronamento da(s) relação (ções) em que está metido. Ambas as situações estão presentes em "Neun Tage in Lissabon". 

Repito, porém, novamente: a maior beleza deste livro está nos dias passados em Lisboa pelos dois amigos luso-franceses, um jornalista e outro fotógrafo, e na descoberta que vão fazendo da cultura portuguesa, dos anos do Estado Novo e da década de oitenta em Portugal. Gostei bastante disso!

https://www.goodreads.com/review/show/2631353478

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Crepúsculo em Itália, de D.H. Lawrence



"Crepúsculo em Itália" de D.H.Lawrence
Tinta da China, 2016
286 Páginas

Apesar do título do livro ser "Crepúsculo em Itália", D. H. Lawrence não fala assim tanto acerca de Itália. Melhor ainda, fala, mas foca-se essencialmente nas impressões com que vai ficando durante a viagem que faz do Sul da Alemanha ao Norte de Itália.

O livro é composto por um conjunto de ensaios, escritos por volta da Primeira Guerra Mundial, possibilitando ao leitor captar um pouco do espírito da época. E, nesse sentido, senti algum tipo de preconceito inicial em relação ao modo como fala dos italianos por comparação aos alemães, por exemplo. (Note-se que o autor é inglês.) Porém, esse preconceito acaba por desaparecer à medida que o autor toma contacto com o meio envolvente e o que sucede é que acaba em muito fascinado sempre que viaja para sul... 

Convém também referir que "Crepúsculo em Itália" foca-se mais na paisagem humana, digamos assim, do que propriamente na paisagem física. O que, no meu entender, se trata de um aspecto particularmente interessante porque nos permite apreender melhor e reconstruir a realidade destes países na época.

Gostei, embora admita que estivesse à espera de um pouco mais...


https://www.goodreads.com/review/show/2612109105