Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de abril de 2025

"A Viagem do Elefante" de José Saramago



"A Viagem do Elefante" de José Saramago
Porto Editora, 2014
216 Páginas


Em "A Viagem do Elefante", José Saramago conta um episódio pitoresco da história portuguesa, o da oferta de um elefante indiano da parte do rei D. João III ao primo Maximiliano da Áustria. Algo que, por si só, já bastaria para escrever um grande livro... Porém, e quando comparado com "Memorial do Convento" e com "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "A Viagem do Elefante" fica algo aquém do esperado... 

Nota-se a presença de um Saramago ligeiramente diferente. Por vezes, meio perdido em divagações sobre o que deveria ser e não é, sobre isto e aquilo... chegando mesmo a desviar-se algo do foco da história: o elefante.

Ainda assim, não deixa de ser um livro interessante: pela escolha do episódio em causa (de que não se fala assim tanto), pela relação de amizade que se celebra entre o elefante e o indiano que o trata e também pela sensibilidade demonstrada pelo animal em alguns momentos, pela forma com que Maximiliano recebe e acompanha o animal até chegar ao destino. 


https://www.goodreads.com/review/show/7442721853



terça-feira, 3 de setembro de 2024

"Memorial do Convento" de José Saramago

"Memorial do Convento" de José Saramago
Porto Editora, 2014,
402 Páginas


"Memorial do Convento" foi o segundo livro que li de Saramago e gostei muito. Só não lhe dou as 5 estrelas porque ainda gostei mais d' "O Ano da Morte de Ricardo Reis". 

A história tem duas histórias que decorrem em paralelo: uma que se relaciona com a construção do convento de Mafra e outra que se relaciona com a invenção do Padre Bartolomeu de Gusmão, a Passarola. A Passarola, invenção que existiu efectivamente (assim como o Padre Bartolomeu de Gusmão) e que eu desconhecia, foi das melhores partes do livro para mim, assim como a articulação que Saramago faz entre esta e duas personagens ficticias, Baltasar Sete-Sóis (maneta) e Blimunda Sete-Luas. O romance entre as duas personagens, as minhas preferidas, é único e muito especial. 

Relativamente à escrita, e apesar da sua complexidade (exige concentração), considero-a bastante rica e bela. Saramago escreve com profundidade e escreve bem, muito bem. E acheios dois livros que já li dele absolutamente geniais... na história e na escrita. Vale muito a pena lê-lo. 

https://www.goodreads.com/review/show/6792048802

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago

"O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago
Porto Editora, 2016
494 Páginas


Antes de dar a minha perspectiva sobre este livro, gostava de fazer notar que a mesma respeita apenas Saramago enquanto escritor e enquanto autor de "O Ano da Morte de Ricardo Reis". 

Comecei a ler este livro depois do Natal e devo dizer que foi uma excelente companhia nestes dias. Ele esperou cerca de três anos na estante que chegasse a sua vez... Sem perder a paciência e mantendo-se sempre de pé com a capa bem visivel. 

Dos três heterónimos de Pessoa de que habitualmente se fala, Ricardo Reis costuma ser aquele que gosto menos. Por causa da visão pessimista e seca que tem da vida. Mas consegui adorar lê-lo nestas páginas (ou melhor relê-lo) até porque aqui a Lídia tem um papel efectivo, não se senta só com Reis à beira rio. E eu gostei genuinamente disso até porque ainda que Reis continue com a sua visão pessimista e seca ainda vai desfrutando, nos intervalos, daquilo que de melhor a vida terrena tem. Obrigada por isso, Saramago!

Gostei das visitas de Pessoa a Reis e da mistura entre estes dois com o estilo de Saramago. Profundo, por vezes cortante, e com frequência capaz de deixar a nu, e de forma bem mais estruturada, estados de espiritos perdidos num turbilhão de emoções incontrolável. Senti-me como se alguém me conseguisse ler e compreender. 

Em relação ao estilo de escrita de Saramago, primeiro estranha-se, depois entranha-se. O que quero com isto dizer? Bem... Quando comecei esta leitura, ao fim de poucas páginas, senti-me cansada, quase sem fôlego. Os pontos finais são poucos quando comparados com a quantidade imensa e predominante de vírgulas. As pausas nos textos e os supostos diálogos são controlados por vírgulas apenas. Porém, a verdade é que me habituei ao estilo e quando terminei de ler o livro pensei: já está? Não há mais?! 

Talvez não seja o tipo de leitura que se adeque a todos os tipos de leitores. É um livro pesado e a escrita é complexa. Mas eu gostei... Bastante até! Da mesma maneira que gostei quando li o seu livro de contos aos 14/15 anos. Gosto acima de tudo da profundidade sem rondeios que Saramago usa em muitas circunstâncias... sobre questões básicas da nossa existência. E isto nada tem a ver com política, tal como como sublinhei no inicio, e também não tem a ver com religião. 

https://www.goodreads.com/review/show/2646004411