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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Henry & June. Do Diário Íntimo de Anaïs Nin, de Anaïs Nin


"Henry & June. Do Diário Íntimo de Anaïs Nin" de Anaïs Nin
Editorial Presença, 2002
224 Páginas


Anaïs Nin era o que se pode chamar de uma mulher emocionalmente instável, inconstante e demasiado intensa, carente e insegura, mas ao mesmo tempo um espírito livre e curioso que, ao longo deste diário íntimo, se descobre e redescobre sob o ponto de vista sexual (e erótico), através das relações que mantém com vários homens (para além do marido) e também com uma mulher. 

Henry & June são Henry Miller e a respectiva mulher June. Anaïs relacionar-se-à com ambos, sendo que estes têm, digamos assim, um papel central na obra, o que justifica o título. A relação com o escritor Henry Miller parece-me ser a mais marcante de todas, na verdade.

Se estão neste momento a pensar que este livro se trata de um diário marcadamente sexual desenganem-se porque também nos é dado a conhecer todo o enquadramento emocional de Anaïs, sobretudo em virtude das visitas que ela faz ao psicanalista e que são abordadas a partir de determinada altura na obra. 

O diário mantém um fio condutor interessante e, a meu ver, constante (sem ser monótono), já que se foca marcadamente na intimidade de Anaïs e no turbilhão de emoções que a acompanham. E talvez por isso o estilo de escrita esteja longe de ser superficial...!

E sim gostei do que li. Tendo em atenção o tema, achei o livro bonito. Bem escrito. E em momento algum tive vontade de o deixar a meio...! Talvez também porque, de alguma forma, me revi na intensidade emocional (por vezes em demasia) com que Anaïs Nin vive tudo.  
*

https://www.goodreads.com/review/show/2280261866

domingo, 23 de outubro de 2016

Uma Espia na Casa do Amor, de Anaïs Nin

"Uma Espia na Casa do Amor" de Anaïs Nin
Vega, 2012
132 Páginas

"Uma Espia na Casa do Amor" deixou-me indecisa entre as 2 e as 3 estrelas... A verdade é que quando me questiono se gostei do livro não consigo dizer que não gostei, mas também não consigo dizer que gostei. 

A meu ver a obra tem um argumento com tudo para dar um livro interessante, no mínimo "agitante": uma mulher que apesar de viver com um homem que a ama decide ausentar-se, de vez em quando, alegando razões profissionais, mas tudo o que faz nesses períodos é experimentar o amor de outros homens, sem qualquer espécie de relação de qualquer tipo... 

No entanto, o interesse do argumento perde-se na sua concretização. A autora tem tiradas inteligentes, dotadas de grande profundidade e reflexão (que admirei bastante e tomei nota porque são dignas de leituras e releituras), mas ao mesmo tempo a forma como começa o livro é confusa, deixando o leitor cheio de dúvidas, e a forma como também apresenta os encontros ocasionais, se volta a referir aos sentimentos de Sabina e  ao modo como o marido a trata é feita atabalhoada, caótica e desorganizadamente. Nem sempre é fácil compreender que se passou de uma coisa à outra e, às vezes, essa transição é abrupta. Por outro lado, a obra não dispõe de capítulos, o que faz com que o leitor tenha de andar à procura do “tempo certo” para fazer uma pausa e isso acaba por cansar um pouco e constituir motivo de algum stress …!

No essencial, a obra concentra-se no desejo de liberdade e independência da personagem principal, que parece não querer amar ninguém, e que sendo infiel, por "necessidade", não sabe como lidar com a culpa (?) e a eventual e hipotética possibilidade de descoberta dessa vida paralela pelo marido. Ainda que a escrita de Anaïs Nin se foque no estado de alma de Sabina, com pouca ou nenhuma relevância dos cenários e a quase ausência de descrições, e seja nessa perspectiva riquissima, a verdade é que no geral o meu maior desejo foi sempre conseguir terminar o livro o mais rapidamente possível... Como se não conseguisse aguentar aquela leitura por mais tempo do que o apenas necessário! 

E é isto.
*
"Como ela aprendera a fazer desaparecer cartas de amor pelo lavabo, a não deixar cabelos no pente emprestado, a reunir os ganchos do cabelo, a apagar vestígios de baton em toda a parte, a sacudir nuvens de pó de arroz. 
Os seus olhos eram como os olhos de uma espia. 
Os seus hábitos eram como os hábitos de uma espia. Como ela punha todas as suas roupas numa cadeira, como se pudesse ser chamada de repente e não devesse deixar quaisquer vestígios da sua presença. (...)"[p. 58]

https://www.goodreads.com/review/show/1791070601