domingo, 26 de junho de 2022

"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie



"Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie
Lua de Papel, 2022
285 páginas

"Como fazer amigos e influenciar pessoas" é um daqueles livros para se ter na mesa de cabeceira e, volta e meia, dar uma vista de olhos para avivar a memória acerca da melhor forma de lidar com as pessoas de forma não agressiva e respeitosa. É acima de tudo um livro de comunicação para as relações humanas, sejam elas de que âmbito for. 

Dale Carnegie divide a obra em quatro grandes partes: a primeira, "Técnicas Fundamentais para lidar com pessoas"; a segunda, "Seis maneiras de fazer com que as pessoas gostem de si"; a terceira, "Como conquistar pessoas para a sua forma de pensar"; e a quarta, "Seja um líder: como mudar as pessoas sem as ofender nem despertar ressentimentos". 

No fim de cada capítulo é apresentado um principio e no fim de cada parte uma síntese com todos os principios enunciados, o que a meu ver facilita a leitura e revisitação dos principios todas as vezes que o leitor o pretenda fazer. 

E não se trata de um livro de como manipular pessoas, ao contrário do que uma leitura superficial ao título poderia sugerir... Mas sim de como abordar de forma gentil amigável e simpática os outros. 

Neste sentido, aqui fica um excerto de uma fábula apresentada, acerca do sol e do vento, muito sábia e ilustrativa do que se encontra nesta obra de Carnegie: 


"(...) Discutiam entre si qual deles era o mais forte, até que o vento disse: "Vou provar-te que sou eu. Vês o homemque ali está com um casaco? Aposto que lhe consigo tirar o casaco mais rapidamente do que tu." 

Então o sol escondeu-se atrás de uma nuvem e o vento soprou até quase se transformar num tornado, mas quanto mais forte soprava, com mais força o homem apertava o casaco contra si. 

Por fim, o vento acalmou-se e desistiu, e o sol saiu de trás da nuvem e sorriu gentilmente para o velho homem. Este, passado pouco tempo, limpou a testa e tirou o casaco. Foi então que o sol disse ao vento que a gentileza e a amabilidade são sempre mais fortes que a fúria e a força.(...)" (pp.165 e 166). 


https://www.goodreads.com/review/show/4771931443



domingo, 19 de junho de 2022

"Start with Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action" de Simon Sinek


"Start with Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action" de Simon Sinek
Penguin, 2019
256 páginas


Qual é o teu propósito, motivação ou crença? É sobre a importância de conhecermos e termos um "porquê" na nossa vida e passagem pelo mundo que Simon Sinek nos apresenta a obra "Start with Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action". 

O livro encontra-se dividido em seis partes:  1: “A world that doesn’t start with why”; 2: “An alternative perspective”; 3: “Leaders need a following”, 4: “How to rally those who believe”; 5: “The biggest challenge is success”; e 6: “Discover why". Destas seis partes, a segunda parte onde é apresentado o seu famoso "golden circle" que destaca a importância do "porquê", seguido do "como" e a terminar em "o quê". É aqui que está o cerne da sua teoria. 

Altamente recomendável pelo conteúdo que apresenta e pela forma com que expõe a razão e a necessidade de todos termos um porquê, "Start with Why" prima também, a meu ver, por defender a ideia de que nem todos têm de ser líderes nem há mal nenhum em ser um seguidor. Do mesmo modo, líderes e seguidores são ambos importantes. Numa empresa é importante que haja quem sonhe e tenha visão para o futuro, ao mesmo tempo que haja quem seja mais realista e se preocupe com a concretização no presente. 

Para quem tiver interesse m ler de forma mais detalhada algumas das ideias deste livro de Simon Sinek, poderá fazer fazê-lo, em inglês, neste outro texto escrito por mim: https://dataanalyticsandtech.blogspot.com/2022/07/start-with-why-book-what-is-your.html


https://www.goodreads.com/review/show/4793981802

quarta-feira, 8 de junho de 2022

"A Mais Breve História da Rússia. Dos Eslavos a Putin" de José Milhazes


"A Mais Breve História da Rússia" de José Milhazes
Publicações Dom Quixote, 2022
299 páginas

"A Mais Breve História da Rússia" não é o tipo de livro que, ao contrário do que já li e ouvi dizer por aí, se escreve numa noite porque se quer aproveitar o momento da guerra na Ucrânia e lucrar com esta. Quem escreve ou já escreveu trabalhos desta envergadura sabe-o. É impossível preparar um livro destes, tão pensado e estruturado, em tão curto espaço de tempo, até porque qualquer leitor atento percebe que este é um livro que envolve muito trabalho, investigação e conhecimento. 

O livro encontra-se dividido em cinco partes: 1. Rus - O início da Rússia (século VI a.C. - 1147); 2. O Grão-Ducado de Moscóvia - Estado Russo (1147 - 1721); 3. Império Russo (1721-1917); 4. União Soviética (1917/1922 -1991); 5. Federação da Rússia (1991-actualidade). 

No decorrer da leitura, senti que José Milhazes se manteve sempre muitissimo neutro e objectivo, exceptuando o momento em que começa a escrever sobre o período que ele viveu na pele em solo russo. Mas não o censuro por isso nem tão pouco entendo que isso tenha comprometido a qualidade da obra! 

Milhazes viveu e estudou na Rússia boa parte da sua vida. É doutor pela Universidade do Porto, tendo-se debruçado na sua tese sobre um tema em que mistura Rússia e Portugal, algo que lhe é muito próprio e característico. E convém perceber o contexto do autor para também compreender a sua obra. 

Aliás, ao longo de "A Mais Breve História da Rússia" há sempre uma preocupação do autor em apresentar histórias de portugueses que fizeram história na Rússia ou do interesse russo em Portugal, o que achei muito interessante e peculiar no seu livro. 

No que respeita à história russa propriamente dita, e tirando o período de Catarina, a Grande (de quem sou grande admiradora), da União Soviética e da mais actual Federação Russa (que conhecia melhor sobretudo por causa da perspectiva das relações germano-russas), gostei bastante de ter confirmado que a origem da Rússia começou na Ucrânia e que a Rússia sempre procurou o acesso ao mar (Báltico e Negro) - algo que parece estar frequentemente em causa quando o seu poder ameaça expandir-se espacialmente - , e de ter percebido que Ucrânia-Rússia-Bielorússia sempre foram muito próximas até porque têm uma origem "comum". De uma maneira geral, a história russa tem muito de traição, vingança e violência friamente cruel, sendo que os campos de concentração não são um exclusivo do passado alemão... E isto é algo que muitos desconhecem, infelizmente.

Por outro lado, a cultura russa é fascinante, tal como a sua história e geopolítica, sendo algo que irei gostar de continuar a explorar, até porque os poderes russo e alemão sempre foram muito próximos! Milhazes abre o apetite do leitor para saber mais... procurar mais... E isso é algo que continuarei a fazer. 

De facto, este é um excelente ponto de partida para quem quiser compreender mais sobre o que é e de onde vem a ideia de Rússia, fornecendo factos passados na história russa que nos permitem olhar para o presente e analisar a guerra russa na Ucrânia com olhos mais conscientes e críticos...!

Gostei muito e recomendo!


https://www.goodreads.com/review/show/4706198396

segunda-feira, 18 de abril de 2022

"The Epic of Gilgamesh" de N. K. Sandars (tradutor)




"The Epic of Gilgamesh" de N. K. Sandars (tradutor)
Penguin, 1972
128 páginas

Esta versão de "The Epic of Gilgamesh", traduzida por N. K. Sandars está escrita em prosa, o que acaba por facilitar em muito a leitura de um épico sumério, escrito em poema e encontrado incompleto, muito anterior a "A Iliada" de Homero.  

Para além do Prólogo, o épico é aqui apresentado com sete partes, a saber: I.The coming of Enkidu, II.The Forest Journey, III.Ishtar and Gilgamesh, and the death of Enkidu, IV.The Search for Everlasting Life, V. The Story of Flood, VI. The Return and VII.The Death of Gilgamesh. Para os sumérios o sete era um número especial, misterioso, místico e sagrado, talvez porque é um número primo que apenas se divide por 1 e por ele próprio. Em numerologia, o sete simboliza habitualmente a totalidade, a perfeição, a consciência, o sagrado e a espiritualidade, bem como a conclusão cíclica e a renovação.

Este aspecto numerológico não deixa de ser absolutamente fascinante para mim, até porque um dos temas centrais do épico assenta na procura do homem pela imortalidade, algo que é profundamente espiritual.

Por outro lado, a floresta, que é palco de uma das partes mais bonitas do épico para mim (na segunda parte, tal como a terceira e a quarta), simboliza simultaneamente um local privilegiado de diálogo com os deuses e viagem à interioridade (e em alguns casos ao inconsciente, embora aqui não se aplique) - tal como a montanha que aqui surge - e um lugar de perigos e armadilhas, pois é pouco depois da incursão na floresta que Gilgamesh perde o seu melhor amigo e se inicia a sua necessidade de busca da imortalidade.

A floresta em causa não é uma floresta qualquer. É uma floresta de cedros, tendo o cedro um significado igualmente espiritual por se considerar como a casa de deuses importantes. Consta inclusivamente que, na antiga Suméria, há cerca de 7 mil anos atrás o cedro foi apelidado de "Árvore Mundo", a casa de Ea, seu deus maior. Está na bandeira libanesa enquanto simbolo de imortalidade e de força (é a árvore nacional libanesa e, de igual modo, paquistanesa). O cedro é ainda  utilizado para cura, purificação e protecção espiritual. 

Portanto, diria que, e sem querer ser exaustiva, todo o épico, apesar de incompleto, está pleno de referências simbólicas à espiritualidade (e encontro com os deuses), à procura do eu e da imortalidade...e isso, a meu ver, torna-o muito especial e único. 

Para terminar, e a propósito da questão da imortalidade, deixo aqui alguns excertos: 


"Only the gods live for ever with glorious Shamash, but as for us men, our days are numbered, our occupations are a breath of wind." (p.71)

"When the gods created man they allotted to him death, but life they retained in their own keeping. As for you, Gilgamesh, fill your belly with good things; day and night, night and day, dance and be merry, feast and rejoice. Let your clothes be fresh, bathe yourself in water, cherish the little child that holds your hand, and make your wife happy in your embrace; for this too is the lot of man." (p. 102)

"There is no permanence. Do we build a house and stand for ever, do we seal a contract to hold for all time? Do brothers divide an inheritance to keep for ever, does the flood-time of rivers endure? It is only the nymph of the dragoon-fly who sheds her larva and sees the sun in his glory. From the days of old there is no permanence." (pp. 106 e 107). 


https://www.goodreads.com/review/show/4675340810

segunda-feira, 4 de abril de 2022

"A Sabedoria Secreta da Natureza" de Peter Wohlleben


"A Sabedoria Secreta da Natureza"  de Peter Wohlleben
Pergaminho, 2019
207 páginas

Apesar de ser uma leitura interessante, "A Sabedoria Secreta da Natureza" fica a meu ver bastante atrás de "A Vida Secreta das Árvores" no interesse que desperta, no conhecimento que nos oferece e na forma como está estruturado. 

Às vezes fiquei com a sensação de que este livro foi escrito mais para aproveitar a onda de sucesso que o autor tivera com a temática das árvores do que propriamente porque tivesse algo de novo e realmente relevante a dizer. 

Ainda assim, gostei do livro e destaco algumas das ideias que melhor consegui reter, como por exemplo: as formigas são da família das abelhas e alimentam-se das fezes dos pulgões defendendo-os das joaninhas (porque as joaninhas comem pulgão), a parceria que se estabelece entre lobos e corvos no que toca a dividir a refeição de animais mortos e protegerem-se dos ursos, os galos silvestres alimentam-se de insectos e sobretudo de mirtilos (folhas e bagas) que habitualmente crescem na floresta desbastada, as poeiras do Saara são como fertilizantes das plantas. 

Por fim, é de referir que "A Sabedoria Secreta da Natureza" é o último livro da trilogia Mistérios da Natureza, sendo o primeiro volume desta "A Vida Secreta das Árvores" e o segundo "A Vida Secreta dos Animais". 

https://www.goodreads.com/review/show/4600335760

sexta-feira, 1 de abril de 2022

"Grace und die Anmut der Liebe" de Sophie Benedict



"Grace und die Anmut der Liebe"  de Sophie Benedict
ATB, 2020
386 páginas


"Grace und die Anmut der Liebe" começa pouco antes de Grace Kelly completar 18 anos e ir estudar Cinema para Nova Iorque contra a vontade dos seus pais e termina com a sua partida para a Europa já destinada a casar com Rainer do Mónaco. 

A leitura é leve e ao início promete, mas com o decorrer da história fica bastante aquém do esperado. Grace apaixona-se rápido e desapaixona-se ainda mais depressa, sendo que a autora acaba por passar a imagem algo contraditória de alguém superficial, focada em ser uma grande atriz (que me parece ser a sua grande paixão) e encontrar um grande amor sem estar disposta a enfrentar grandes obstáculos. 

Há, porém, dois aspectos no livro acerca dela que muito admirei: o seu esforço para se tornar independente da "mesada" do pai e se tentar sustentar sozinha vivendo da publicidade/moda e, a relação estreita que desenvolve com Alfred Hitchcock que muito a apreciava e valorizava como actriz.

No geral, gostei do livro, mas está longe de estar entre os meus preferidos desta colecção. E este não é o primeiro livro que li acerca de Grace Kelly... O outro, cuja crítica poderão ler aqui https://www.goodreads.com/book/show/30116677, foi "Grace do Mónaco" de Jeffrey Robinson e pareceu-me muitissimo mais rico do ponto de vista de dar a conhecer quem foi Grace Kelly. 

https://www.goodreads.com/review/show/4600335032

domingo, 6 de março de 2022

"A Eneida de Virgílio contada às crianças e ao povo" de João de Barros



"A Eneida de Virgílio contada às crianças e ao povo"  de João de Barros
Livraria Sá da Costa Editora, 1999
273 páginas

Esta é uma versão em prosa d' "A Eneida" de Virgílio adaptada por João de Barros e devia tê-la lido há vários anos atrás, ainda nos anos noventa, quando li uma versão semelhante d' "A Odisseia" de Homero.

Lendo-a agora, neste preciso momento, gostei e li-a em poucos dias, mas fiquei a pensar que "A Odisseia" me pareceu sobejamente mais entusiasmante. Não sei se foi da a ter lido bastante mais nova, se é mesmo do conteúdo das obras em causa(ou das adaptações em prosa) e talvez só venha a tirar isso a limpo quando me decidir a ler os originais em poesia muito em breve. 

Mas... Aqui Eneias é a figura central vindo de Tróia para fundar Roma ("(...) ventre fecundo de altos heróis, dominadores do Mundo, cidade dos sete mundos que o Universo respeitará..." (p.149)), após superar várias provações: "Há um país que os Gregos chamam Hespéria, célebre pela sua antiguidade, pela coragem dos seus habitantes, e pela fertilidade da sua terra. Chama-se hoje Itália, segundo o nome de um dos seus reis. É nesse país que deves estabelecer-te. (...)" (pp.66 e 67); "Filho de Vénus, disse-lhe, tens de seguir o teu fado. Haja o que houver, a paciência deve triunfar sempre da sorte!" (p.128).

Em "A Eneida" temos tanto relatos de viagem como de guerra e muita mitologia à mistura. A narrativa é fluida e não aborrece nem um só instante. Li-a com enorme entusiasmo e avidez do início ao fim, mas chegada ao fim... Ficou a faltar-me algo?! Será da adaptação, do original ou de mim mesma? Creio que tenho mesmo que ir ao original!

https://www.goodreads.com/review/show/4585940175