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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Der Trafikant, de Robert Seethaler

"Der Trafikant" de Robert Seethaler
Kein & Aber Pocket
250 Páginas 

"Der Trafikant", publicado igualmente em língua inglesa como "The Tobacconist", apresenta a história de Franz um jovem que vem viver para Viena dos anos trinta, pouco antes do Anschluss [anexação] da Áustria à Alemanha de Hitler. Aí conhece Sigmund Freud, de quem se torna amigo, descobre o amor e toma contacto com os sucessivos e misteriosos desaparecimentos de judeus. 

Tendo sido uma das duas obras escolhidas para o exame de C2 de língua alemã deste ano, "Der Trafikant" despertou-me o interesse primeiramente pelo facto da personagem principal, Franz, travar amizade com Freud. Pensei, pois, que fosse uma boa e interessante oportunidade para poder ler um pouco mais, sem ser em contexto técnico/científico, sobre as teorias de Freud, que sempre me fascinou... Tal como tudo o que se encontra relacionado com a mente humana. 

Acontece que o autor, Seethaler (austríaco), escreve um livro que vai muito para além disso e parece-me que o que acaba efectivamente por saltar mais à vista do leitor é o modo como a "entrada" do Nacional-Socialismo se faz na Áustria e todas as repercussões que isso vai tendo na população, em particular aquela que tem origem judaica. Ainda assim, existem algumas trocas de ideias dignas de atenção acerca do amor, da sexualidade e dos próprios sonhos com o pai da Psicanálise. 

Neste sentido, considero que o resultado final está excelente. Seethaler não maça o leitor em excesso com nada (nem psicanálise nem história, embora eu seja fã de ambas) porque não entra em detalhes, que poderiam ser excessivos, concentrando-se ao invés na história do seu Franz e no modo como este se relaciona com o que se passa na Áustria deste período. 

Para os interessados, há também um filme com o mesmo nome, cujo trailer poderão visualizar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=kKv1pgz5q2Y

domingo, 26 de junho de 2016

Danúbio, de Claudio Magris


"Danúbio" de Claudio Magris
Quetzal, 2010
541 Páginas


Considerar que "Danúbio" se trata de literatura de viagens é, por si só, bastante redutor. Na verdade, Claudio Magris brinda-nos com uma obra que para além da viagem que faz e sobre a qual vai escrevendo ao longo do curso do segundo maior rio da Europa, o Danúbio, está cheia de histórias da História e de estórias. Às vezes, "Danúbio" parece um grande ensaio (às vezes, até em demasia) sobre o rio e as várias populações que vivem junto dele, mas também sobre o tema da Mitteleuropa, que, ao contrário do que está escrito na aba esquerda do livro, não foi um conceito criado por Magris.

O termo Mitteleuropa surgiu antes da Primeira Guerra Mundial, sendo que Magris nasceu apenas em 1939 (em Abril), no mesmo ano em que se iniciaria a Segunda Guerra Mundial. De uma forma geral, o conceito de Mitteleuropa relaciona-se com a ideia de controlo e dominio da Europa do Meio pelos povos de língua e cultura alemã. E esse aspecto, o da ideia de controlo e domínio alemão deste espaço europeu, é igualmente abordado diversas vezes por Magris, bem como a disputa e a relação deste com o poder austriaco. 

Magris leva-nos a percorrer a cultura da Alemanha, da Áustria, da Hungria, da ex-Jugoslávia, da Roménia e da Turquia, mediante as impressões que publica em 1986, ano em que ainda não se havia verificado a queda do Muro de Berlin, ainda havia Jugoslávia e a União Soviética era uma realidade. 

A data da obra é, assim, um aspecto digno de nota, permitindo considerar esta como um testemunho histórico. Quanto à cultura, esta surge-nos através da referência, algo detalhada, de escritores, pintores, músicos, filósofos, mas também das impressões que a paisagem e os próprios cidadãos vão despertando em Magris. 

Não sendo um livro que possa ser lido de uma assentada só, é um livro com que se pode aprender imenso, revisitar algumas ideias, repensar outras e abrir horizontes. "Danúbio" é para se ir lendo aos poucos, devagar, para se saborear bem até ao fim. 
*
"A Mitteleuropa é da terra, "alpenstock" e roupas de pesado pano verde, ordem meticulosa de erários e de chancelarias: civilização de quem perdeu a familariedade com o elemento líquido, com o mar amiótico materno e com as antigas águas originárias, e não se despe facilmente, porque sem casaco, fronteira, posto, emblema e número de registo se sente indefeso e pouco à vontade. (...) é uma grande civilização da defesa, (...), das trincheiras e das tocas escavadas em protecção contra os assaltos do exterior. A cultura danubiana é uma fortaleza que oferece um poderoso refúgio quando nos sentimos ameaçados pelo mundo, agredidos pela vida e com medo de nos perdermos na realidade instável, pelo que nos fechamos em casa (...)" 
(Magris, 2010, pp.200-201)

https://www.goodreads.com/review/show/1642057469?book_show_action=false

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Mundo de Ontem. Recordações de um Europeu, de Stefan Zweig



"O Mundo de Ontem. Recordações de um Europeu" de Stefan Zweig
Assírio & Alvim, 2014
508 Páginas


"O Mundo de Ontem. Recordações de um Europeu" trata-se de uma autobiografia da autoria do austriaco Stefan Zweig, versando sobre a sua vida antes da Primeira Guerra Mundial, durante e após a Primeira Guerra Mundial, antes da Segunda Guerra Mundial e durante a mesma. E, por isso mesmo, altamente recomendável por quem se interesse por conhecer um pouco mais sobre este "grande" período histórico, o das Guerras Mundiais.

Zweig fala da mudança de valores que a sociedade atravessa ao longo deste tempo, do quão odiosa é a guerra e, ao mesmo tempo, da sua experiência pessoal no meio disto tudo. Dos seus estados de espírito, das suas amizades com nomes como Sigmund Freud, das suas viagens e, finalmente, do seu sentimento de não pertença a lugar nenhum com a Segunda Guerra Mundial e a perseguição aos judeus (ele era judeu). Um sentimento que o levaria, mais tarde, a cometer suicidio já no Brasil, terra que o acolheu de braços abertos e que ele muito estimava (afinal, escreveu mesmo um livro sobre o Brasil, "Brasil, país de futuro"). 

A obra termina com as seguintes palavras que, na minha perspectiva, sintetizam na perfeição o seu conteúdo e a vida de Zweig: 
"Mas, em última análise, cada sombra é também filha da luz, e só quem tenha vivido a claridade e a escuridão, a guerra e a paz, a ascensão e a queda, só esse terá verdadeiramente vivido". 

https://www.goodreads.com/review/show/1236636954

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sou um Clandestino, de Susanna Tamaro

"Sou um Clandestino" de Susanna Tamaro
Editorial Presença, 2014
127 Páginas


"Sou um Clandestino" é uma viagem ao passado da personagem principal que, com vinte e cinco anos, decide regressar à sua terra natal, Illmitz, na Áustria. No essencial, a obra consiste numa viagem ao interior de si mesmo e, por isso mesmo, um enfrentar dos seus fantasmas. 


Susanna Tamaro revela naquele que foi o seu primeiro romance uma escrita profunda e intensa, mas no meu entender a obra termina antes da reflexão da personagem principal terminar... Confesso que gostava de ler mais algumas páginas sobre o pensamento e os sentimentos desta. E, nesta perspectiva, senti que a obra termina como se estivessemos numa casa apenas iluminada por luz artificial, onde de repente a luz falta sem se perceber a razão. No geral, contudo, gostei do que li.


https://www.goodreads.com/review/show/1169555345