segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

"Turn the Ship Around!: A True Story of Turning Followers into Leaders" de L. David Marquet




"Turn the Ship Around!: A True Story of Turning Followers into Leaders"  de L. David Marquet
Penguin, 2015
272 páginas

 "Turn the Ship Around!: A True Story of Turning Followers into Leaders" é, para mim, um livro de liderança. Não é propriamente um livro-livro, pois diria que o conteúdo do mesmo se concentra no capítulo 27 e basta ler esse mesmo capítulo para ficar a perceber como se transforma um seguidor num líder. 

Do ponto de vista literário, de quem conta uma história e da forma como o faz, acho-o pouco conseguido. Fiquei várias vezes com a sensação de que o autor se sentia algo inseguro e desconfortável na sua "missão" de passar o conhecimento prático adquirido. 

Por isso, diria que o livro vale acima de tudo pelo 27.º capítulo. E esse está muitissimo bem conseguido, reunindo todas as ideias principais que Marquet vai apresentado ao longo das 200 e tal páginas. 

Para quem quiser saber um pouco mais antes de se decidir a lê-lo, tenho um post em inglês acerca dele aqui: https://dataanalyticsandtech.blogspot.com/2022/02/turn-ship-around-book-of-how-and-why.html

https://www.goodreads.com/review/show/4530089648

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

"A Germânia" de Tácito




"A Germânia" de Tácito
Vega, 2011
71 páginas

"A Germânia" de Tácito é uma obra de inegável valor historiográfico acerca dos germanos, povo temido pelo Império Romano e, ao mesmo tempo, admirado pelo autor que a redige em 98.


Refiro-me, porém, a um pequeno livro de 61 páginas, das quais metade está em latim e a outra metade em português. Em termos de estrutura, Tácito apresenta-nos a sua "Germânia" em duas partes: uma primeira, a minha preferida, dedicada à origem dos germanos (aspecto físico, costumes e instituções) e uma segunda, na qual enumera os diferentes povos germânicos e respectiva localização geográfica. 


Algumas das ideias para mim mais interessantes (e não necessariamente novas por "ossos do ofício") aqui apresentadas foram: 

- os germanos como autóctones "e pouco misturados com outras raças por migrações e relações de hospitalidade", "uma raça específica e sem mescla, apenas semelhante a si própria" (pp. 17 e 19); 

-a Germânia como sendo "feia nas terras, áspera no clima, triste nos costumes e aparência" (p.17); - "olhos ferozes e azuis, cabeleiras ruivas, corpos grandes e apenas vigorosos para a fúria dos ataques"(...). Suportam mal a sede e o calor, mas habituaram-se ao frio e à fome (...)" (p.21); 

-"quando não andam em guerras, não passam muito tempo em caçadas, mas na ociosidade, entregues ao sono e à comida" (p.31). 

-"Vivem separados e isolados, segundo lhes agradou uma fonte, um campo, um bosque." (p.31); 

-"Também costumam abrir subterrâneos e tapam-nos com muito estrume, como refúgio contra o Inverno e receptáculo de produtos da terra, pois abrandam o rigor dos frios em tais lugares e, se acaso vier o inimigo, as coisas descobertas são devastadas, mas as ocultas e enterradas ou são desconhecidas ou escapam à vista, pelo simples facto de terem de procurar-se."(p.33);

- "(...) são quase os únicos bárbaros que se contentam com uma mulher para cada um (...). Não é a mulher que dá o dote ao marido, mas o marido à mulher. (...) A mulher (...) traz algumas armas ao marido. (...) aceitam um só marido, como um corpo e uma vida (...)" (pp. 33 e 35); 

- "não dividem o ano em tantas partes como nós: conhecem e têm designações para Inverno, Primavera e Verão; do Outono tanto ignoram o nome como os frutos" (p.41).


Finalmente, e num registo um pouco diferente, saliento a referência que é feita ao âmbar, resina fóssil que desde há vários anos muito me fascina pela região onde se desenvolve e pela forma como se desenvolve. Para os germanos, segundo Tácito, o âmbar não tem uso, "é suco de árvores, porque muitas vezes transparecem pequenos animais terrestres e insectos, que, envolvidos por este fluído, ficam depois fechados quando a matéria endurece. (...) Se sondarmos a natureza do âmbar aproximando lume, acende-se como uma tocha e alimenta uma chama espessa e perfumada; torna-se depois viscoso, como pez ou resina." (p.59)

https://www.goodreads.com/review/show/4462078943

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

"The One-eyed God Odin and the (Indo-) Germanic Männerbünde" de Kris Kershaw


"The One-eyed God: Odin and the (Indo-) Germanic Männerbünde" de Kris Kershaw
Institute for the Study of Man Inc, 2000
306 páginas

"The One-eyed God: Odin and the (Indo-) Germanic Männerbünde" de Kris Kershaw é uma tese de doutoramento acerca do deus nórdico Odin e talvez seja também o livro de Odin. Li-o quase em simultâneo com "Runemarks" de Joanne Harris e ajudou-me a perceber muito das bases sobre as quais está alicerçada a sua história, o que fez toda a diferença. 

Tem apenas um olho e é referido como "cego" embora nunca seja retratado como "cego" e consiga ver todos os mundos. É representado como um homem velho com uma longa barba cinzenta. É um viajante, um deus da guerra e da morte. Tem uma constante obsessão com o conhecimento, em especial o do futuro. 

Assim é descrito Odin. E daí se parte para as relações entre a morte do menino/jovem não guerreiro e o nascimento do homem adulto e guerreiro. Segue-se a homenagem aos antepassados mortos mediante o uso de máscaras em rituais e a existência de "Totentiere" (animais associados à morte) como sejam: o cavalo, o cão, o lobo e o urso. Considera-se a indissociabilidade do cão e do lobo, tão próximos entre si, de Odin e as runas como sinais secretos usados para ajudar os mortos a "prever" o futuro. A floresta surge como o lugar onde os meninos aprendem e se tornam homens guerreiros, terminando com a relação morte - noite - cegueira. 

Aqui e ali são apresentadas muitas outras simbologias e significados relacionados com este deus lobo, deus do bem?!. Kershaw faz efectivamente um belissimo trabalho em introduzir e detalhar tudo o que se relaciona com Odin e, portanto, só posso recomendar este livro a quem se interesse pelo tema. Excelente, perfeito e uma enorme mais-valia para melhor compreender o Paganismo e a Mitologia Nórdica!

https://www.goodreads.com/review/show/4377334478

domingo, 28 de novembro de 2021

"O Profeta" de Kahlil Gibran

 


"O Profeta" de Kahlil Gibran
11x17, 2019
142 páginas

Publicado pela primeira vez em 1923, "O Profeta" fez-me lembrar "Assim Falava Zaratustra" de Friedrich Nietzsche, cujo lançamento remonta a 1883. Em ambos os casos, a montanha está presente ("(...) Mas ao descer a montanha, uma sensação de tristeza apoderou-se de si." [p.9]) e quer o Profeta quer Zaratustra são encarados como sábios, seres iluminados prontos a "espalhar" o seu conhecimento. 

Quem influenciou quem? Nietzsche escreveu "Assim Falava Zaratustra" antes de Gibran ter escrito "O Profeta", pelo que à partida Gibran terá sido influenciado por Nietzsche e não o contrário. E a verdade é que, depois de investigar, confirmei que Nietzsche (tal como William Blake, por exemplo) está entre as influências de Gibran. 

Esta edição de "O Profeta" da 11x17 é composta por duas partes: "O Profeta" e "O Jardim do Profeta", sendo que gostei mais da primeira parte por me parecer mais cuidadosamente composta. Todavia, é na segunda parte que se encontra aquele que é, talvez, a minha passagem favorita neste pequeno e nem por isso menos intenso livro:

"(...)falais da noite como a estação do descanso. Contudo, na verdade, a noite é a estação da procura e do encontro. O dia dá-vos o poder do conhecimento e ensina os vossos dedos a versarem-se na arte de receber, mas é a noite que vos conduz até à casa dos tesouros da Vida. O sol ensina a todas as coisas que crescem a sua ânsia pela luz. Porém, é a noite que as eleva às estrelas. É sem dúvida o sossego da noite que tece um véu de noiva sobre as árvores da floresta e as flores do jardim, proporcionando em seguida um luxuoso banquete e preparando a suite nupcial. É nesse silêncio sagrado que o amanhã é concebido no ventre do Tempo.(...)" [p.100]

A primeira parte é também a mais directa, focando-se cada capítulo num tema/assunto diferente, como: amor, casamento, filhos, dar, comer e beber, trabalho, alegria e tristeza, casas, roupa, comprar e vender, crime e castigo, leis, liberdade, razão e paixão, dor, autoconhecimento, ensinar, amizade, conversar, tempo, o bem e o mal, oração, prazer, beleza, religião, morte. 

Gibran deixa-nos a pensar na hora em que o lemos e muito depois de o termos lido, o que é inquietante e simultaneamente fascinante. Tenho várias passagens sublinhadas sobre as quais, sem querer penso. Deixo-vos mais algumas porque a leitura de "O Profeta" é, de facto, inspirador e recomendo vivamente. 

"(...) permiti que haja espaço na vossa união. (...) Cantai e dançai e sede alegres, mas permiti ao outro estar sozinho (...). (...) E permanecei juntos, embora não demasiado perto (...)" [pp. 18 e 19]

"(...) Quando vos dais a vós próprios é que dais verdadeiramente. (...)" [p.22]

"(...) Quando estiverdes alegres, olhai para o fundo do vosso coração e descobrireis que só aquilo que vos deu tristeza é que vos pode dar alegria. Quando estiverdes tristes, olhai de novo para o vosso coração, e vereis que, chorais por aquilo que foi o vosso deleite. (...)"[p.30]

"(...) Só podereis ser livres quando até o desejo de liberdade se transformar num arnês e quando deixardes de falar em liberdade como sendo um objectivo e uma satisfação. Sereis livres, sim, mas não quando a preocupação deixar de consumir os vossos dias, nemquando as vossas noites forem despojadas de mágoa e necessidade. mas quando estas coisas rodearem a vossa vida e conseguirdes erguer-vos acima delas nus e soltos. (...)" [p.45]

"(...) Alguns de vós chamaram-me distante, embriagado na minha própria solidão. E dissestes: "Ele convive com as árvores da floresta mas não com os homens" e "Senta-se sozinho no topo das colinas e olhade cima para a cidade". É verdade que subi colinas e caminhei por lugares remotos. Como poderia eu ter-vos visto senão de uma grande altura ou a uma grande distância? Como pode alguém ficar perto se não estiver longe?(...)" [p.80]



https://www.goodreads.com/review/show/4357382292

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

"Milena und die Briefe der Liebe" de Stephanie Schuster



"Milena und die Briefe der Liebe" de Stephanie Schuster
ATB, 2020
368 Páginas

Quando parti para a leitura de "Milena und die Briefe der Liebe" estava à espera de algo ligeiramente diferente do que acabei depois por encontrar e passo a explicar. Duas foram as razões principais que me levaram a querer ler este livro: a relação de Milena com Franz Kafka, autor de um dos meus livros preferidos, "O Processo"; e a paixão de Milena pela escrita, algo que temos em comum. 

A verdade, porém, é que boa parte do livro foca-se essencialmente em Milena antes de Kafka. Só muito depois de lida mais de metade do livro é que assistimos à construção da relação entre ambos, iniciada com a troca de correspondência de Milena, que muito anseia traduzir os trabalhos do autor de alemão para checo. Isto aborreceu-me. Ainda que eu compreenda a lógica de enquadrar todo o percurso de Milena anterior a Kafka, considero que a autora se perde demasiado em detalhes de aspectos menores e o estilo de escrita usado para apresentar Milena no início soa-me um pouco ao piroso romantismo de cordel. 

Quando começa a escrever ao escritor checo, Milena Jesenská, flha de um médico e na altura a viver em Viena, está casada com Ernst Pollak vivendo um casamento de fachada. Ela ama-o, ele parece totalmente desinteressado, o que a deixa frustrada e a dado momento a leva a procurar investir num trabalho que realmente aprecie... É, deste modo, que se inicia a sua carreira como jornalista. Também é através de Pollak que Milena conhece Kafka vários anos antes em Praga, mas tanto quanto se percebe esse primeiro contacto é mais um contacto de "vista" do que um contacto de facto. A frustração amorosa leva-a a procurar viver a sua paixão pela escrita... e, para além do jornalismo, procura encontrar satisfação na tradução. Lembra-se, então, de Kafka. 

É a partir da entrada em cena de Kafka que, na minha perspectiva, "Milena und die Briefe der Liebe" adquire um novo interesse. Schuster apresenta-nos um romance de cartas, platónico, que não leva a lado nenhum, mas que dá a Milena uma nova perspectiva da vida amorosa e profissional. Como se Kafka acabasse por ser a "peça-chave" da sua vida... E, pelos vistos, foi de facto. 

Mas... Eu não consegui adorar a forma de escrita de Schuster nem a figura de Milena (mistura de infantil com caprichosa com ingénua/sonhadora). Aliás, até a figura de Kafka me conseguiu, por vezes, irritar da forma como foi apresentada. 

Por isso, dou-lhe apenas três estrelas. Acho que estava à espera de outra coisa, sendo que aquilo de que gostei sobretudo foi de conhecer todo o enquadramento histórico que rodeou a relação entre estas pessoas na realidade. 


https://www.goodreads.com/book/show/56054844-milena-und-die-briefe-der-liebe

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

"Mademoiselle Coco und der Duft der Liebe" de Michelle Marly




"Mademoiselle Coco und der Duft der Liebe" de Michelle Marly
ATB, 2018
481 Páginas

"Mademoiselle Coco und der Duft der Liebe" de Michelle Marly encontra-se traduzido para língua portuguesa com o título "Mademoiselle Chanel e o Perfume do Amor" publicado no ano passado pela editora Planeta. 


É o terceiro livro que leio, romanceado, acerca de Coco Chanel e posso dizer que a forma como Marly a apresenta é completamente diferente do que li antes, até porque aqui o foco da história não é bem a vida de Chanel, mas sim o desenvolvimento do icónico perfume Chanel N.º 5. 


E é absolutamente fascinante a forma como o perfume é criado, estando intimamente ligado à vida de Chanel... A duas das suas relações amorosas: Boy Capel e Dimitri Romanov. O primeiro, seu grande amor, morre num acidente de viação, deixando-a numa tristeza sem fim que apenas consegue ultrapassar quando decide criar um perfume capaz de imortalizar esse mesmo amor. O segundo, com quem se envolverá emocionalmente, ajudará Chanel nessa busca/criação do perfume "perfeito". 


Li-o na sua versão original em alemão e adorei. A forma como o livro está escrita é muito viva, chegando a parecer que também nós estamos no meio da acção e somos personagens desta história real. Diria que é uma boa leitura quer para admiradores/interessados na vida de Coco Chanel quer para curiosos acerca da história do perfume Chanel n.º 5, cujo cheiro não aprecio, mas aprecio como e porquê foi criado. 5 é a combinação do masculino 3 com o feminino 2, é o número místico do amor , o "bouquet de Catherine"... E mais não digo, leiam que não se vão arrepender...!


https://www.goodreads.com/review/show/4096987057

 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

"A Receita da Felicidade" de Deepak Chopra



"A Receita da Felicidade" de Deepak Chopra
11x17, 2019
126 Páginas


 "A Receita da Felicidade" é um livro interessante ainda que eu desacredite na existência de uma receita para ser feliz. Porquê? Porque somos todos diferentes antes de mais. E o que me faz feliz a mim pode não fazer outra pessoa feliz. 

Todavia, entendo que o caminho para a felicidade, se lhe quisermos chamar desta forma, poderá estar na escolha da simplicidade. Porque é aí que reside, a meu ver, a essência de tudo. 

Voltando a "A Receita da Felicidade" propriamente dita, parece-me que o autor conseguiria apresentar o seu argumento num terço de páginas. São 7 as chaves da sua receita: consciência do corpo, a verdadeira autoestima (interna), desintoxicação da vida, abdicação de ter sempre razão, concentração no presente, a procura do mundo dentro de nós, viver para alcançar a iluminação. De todas estas, a abdicação de ter sempre razão foi a que mais gostei (talvez porque com frequência as pessoas se esquecem que ter razão nem sempre significa ser feliz), a par da consciência do corpo (fundamental e que já conhecia) e da desintoxicação da própria vida, ​e o viver para alcançar a iluminação a que menos gostei (devido ao facto de não ter chegado a conclusão nenhuma). 

Portanto, gostei, mas não gostei muito nem adorei. Muito do que li aqui já me era familiar de um outro livro que li de Chopra e dos vários que li/tenho lido de OSHO. 

https://www.goodreads.com/review/show/4116025057