sábado, 12 de julho de 2025

"O Cavaleiro da Armadura Enferrujada" de Robert Fisher



"O Cavaleiro da Armadura Enferrujada" de Robert Fisher
Editorial Presença, 2016
136 Páginas

"O Cavaleiro da Armadura Enferrujada" é um maravilhoso conto sobre um cavaleiro que, tendo-se habituado a estar sempre de armadura, já não é capaz de a tirar nem de saber quem verdadeiramente é. 

Esta é a história de um cavaleiro que terá de passar por várias etapas até se libertar e reencontrar consigo próprio. 

Um livro dos quais dificilmente nos esqueceremos. Porque todos nós já fomos, ou conhecemos, em algum momento um cavaleiro de armadura enferrujada, sempre pronto para a acção, para o combate e para o baile de máscaras que é viver em sociedade, esquecendo-se da sua autêntica e mais pura essência.

Adorei!


https://www.goodreads.com/review/show/7731465041


quinta-feira, 10 de julho de 2025

"O Belo Verão" de Cesare Pavese



"O Belo Verão" de Cesare Pavese
Livros do Brasil, 2021
112 Páginas

Cesare Pavese está entre os meus escritores italianos preferidos. Escreve de forma simples, delicada, poética e, ao mesmo tempo, profunda. 

"O Belo Verão" é mais um bonito livro. Apresenta-nos a história de uma amizade, perda de inocência e descoberta do mundo de duas amigas muito diferentes entre si... Num ambiente com pintores e musas inspiradoras. 

Lê-se com vontade e quando se termina... quer-se mais. É leve, agradável e sonhador. 

Gostei muito!


https://www.goodreads.com/review/show/7720746970


sábado, 5 de julho de 2025

"Philosophy for Polar Explorers" de Erling Kagge


"Philosophy for Polar Explorers" de Erling Kagge
Penguin, 2019
208 Páginas

"Philosophy for Polar Explorers" é o segundo livro que leio do norueguês Erling Kagge e gostei bem mais deste do que de "Silence: In the Age of Noise". Kagge foi a primeira pessoa a subir aos três pólos: o Pólo Norte, o Pólo Sul e o pico do Evereste. 

Defendendo a necessidade de nos "enraizarmos" na natureza e de regressarmos a ela como forma também de nos (re)encontrarmos com a nossa essência, o autor apresenta a sua filosofia em dezasseis pontos que são aplicáveis à vida no geral, partilhando connosco as aprendizagens que tem vindo a adquirir no decorrer das suas conquistas. 

Os pontos são os que se seguem:

1. Set your own compass

2. Get up early

3. Train yourself in optimism

4. Don't fear your own greatness

5. Don't mistake probability for possibility

6. Don't take stupid risks

7. Have something to lose

8. Don't chase happiness, let it chase you

9. Learn to be alone

10. Enjoy small helpings

11. Accept failure

12. Find freedom in responsibility

13. Make flexibility a habit

14. Don't leave luck to chance

15. Allow your goal to pursue you

16. Reset your compass 

É um livro muito bonito e com fotografias belíssimas relacionadas com experiência polar de Kagge. 


https://www.goodreads.com/review/show/7707160897

quinta-feira, 3 de julho de 2025

"Soldados de Honra" de Adrian Goldsworthy



"Soldados de Honra" de Adrian Goldsworthy
Esfera dos Livros, 2011
416 Páginas


Este é o primeiro, embora o único traduzido para língua portuguesa, de seis volumes de uma colecção sobre as guerras napoleónicas. 

"Soldados de Honra" passa-se primeiro em Espanha e depois em Portugal. Foi, aliás, esta passagem por Portugal que me despertou há alguns anos atrás a curiosidade para este livro, sobretudo pela relação que a mesma teve nos meus antepassados maternos. 

Adrian Goldsworthy foca-se muito na distribuição dos homens no terreno, no modo como se dava o ingresso na carreira militar (algo que não existia como se conhece hoje e estava muito nos inícios) e na relação entre a vida pessoal de alguns dos soldados (ingleses) e a sua participação na ajuda inglesa a Portugal contra os franceses como forma de ganharem respeito, reconhecimento e terem um "trabalho". 

A entrada dos homens de Wellington dá-se pelo Oeste, escapando ao Tejo onde seriam imediata e mais facilmente identificados. Goldsworthy narra, com alguma ficção à mistura e sem perder o rigor histórico, as batalhas da Roliça e do Vimeiro em 1808. Sendo que não deixa de ser interessante o modo como, assim que "a coisa estava controlada", os portugueses se unem contra o invasor francês. Do mesmo modo, percorrer os nomes de vários dos sitios que conheço familiarmente na óptica da invasão por volta do século XIX, e graças à prosa brilhante do autor, revelou-se uma experiência bastante curiosa e enriquecedora. 

"Eram camponeses portugueses, mas tinham-se revelado bastante bárbaros quando apareceram no final da batalha para pilhar os franceses mortos e feridos. Muitos dos homens feridos foram esfaqueados, e os soldados britânicos tinham sentido repugnância ao ver aquilo, mas não conseguiram proteger os franceses feridos porque receberam ordens para regressar ao cume onde tinham estado antes da batalha. Hanley disse que era apenas o que os franceses poderiam esperar depois do comportamento que tinham tido em Portugal e em Espanha (...)"

Um bom livro!


https://www.goodreads.com/review/show/7672174162

quinta-feira, 19 de junho de 2025

"Estefânia - A Rainha Virgem" de Isabel Stilwell

 



"Estefânia. A Rainha Virgem" de Isabel Stilwell
Planeta, 2025
480 Páginas

Último livro (até ao momento) publicado por Isabel Stilwell, o primeiro que leio e que agradável surpresa!

A escrita é agradável e flui. Sendo um romance histórico poderiamos estar diante de uma obra mais pesada, mas não é o que sucede. São 480 páginas que se lêem bem, com entusiasmo e leveza. 

D. Estefânia é nos dada a conhecer com todo o rigor pela autora que baseia a sua obra numa interessante e completa bibliografia. Rainha durante um ano e pouco, morreu sem que o seu casamento com D. Pedro tivesse sido consumado, apesar dos relatos da boa e próxima relação que pareciam manter. 

Preocupada em garantir que todas as crianças tivessem acesso aos cuidados de saúde é a ela que se deve a criação, mais tarde, do Hospital de D. Estefânia. Foi, aliás, este um dos motes para que eu quisesse ficar a conhecer um pouco mais desta rainha. E valeu muitissimo a pena! 

Gostei bastante!


https://www.goodreads.com/review/show/7640453065

segunda-feira, 16 de junho de 2025

"The Bhagavad Gita"

 




"The Bhagavad Gita"
Penguin, 2010
288 Páginas



"The Bhagavad Gita" é um texto religioso hindu, parte do épico "The Mahabbarata" (sexto livro), podendo ser traduzido como "a canção do protegido" ou "a canção de Deus". 

Escrito sob a forma de poesia, "Gita" é acerca de uma decisão de ir para a guerra. Os seus conteúdos incluem filosofia, moral e descrições divinas. Sendo que o leitor se depara, no decorrer da obra, com alguns dos nossos mais básicos dilemas humanos. 

Actualmente, é uma obra tida como base para a acção ética do Hinduismo e não só. A sua leitura e conhecimento é recomendada a crianças à medida que crescem. Serviu de inspiração aos filósofos alemães Schopenhauer e Heidegger, mas também a M. K. Gandhi.

É um texto bonito, diria. Uma das principais mensagens várias vezes defendidas relaciona-se com a necessidade de desapego. E lê-se muito bem em paralelo com uma outra obra mais densa, por exemplo. Mas quem a quiser ler de forma focada e leve irá certamente apreciar!


https://www.goodreads.com/review/show/7640360050

domingo, 8 de junho de 2025

"Zauber der Stille" de Florian Illies



"Zauber der Stille. Caspar David Friedrichs durch die Zeiten" de Florian Illies
S. Fischer, 2023
256 Páginas

"Zauber der Stille. Caspar David Friedrichs durch die Zeiten" ou "A Magia do Silêncio. Caspar David Friedrich no tempo" de Florian Illes é um livro sobre o pintor alemão Caspar David Friedrich e foi publicado por ocasião do seu 250 aniversário. 

O livro encontra-se dividido em quatro grandes partes, cada qual correspondente a um elemento natural: o fogo, a água, a terra e o ar. Todos estes elementos estão relacionados com a vida de Caspar David Friedrich e com a sua forma de olhar o mundo e o representar nos seus quadros.

Friedrich era um admirador do crepúsculo, que considerava ser o momento mais belo do dia, quando o Sol toca no mar e se esconde no horizonte. Quando a Lua e as estrelas ficam mais visiveis, porque o céu era para si um lugar mágico. Foi também junto da água onde sempre gostou de viver (o Elba era o seu lugar), o que se intensificou após a perda da sua mãe. Um melancólico por natureza (pintava sempre a neblina e o Inverno), nem sempre bem compreendido (Goethe tinha dificuldade), era igualmente um nacionalista e patriota, defendendo o germânico, o luterano, o nórdico, a idade média e a idade do Bronze contra o anti-cristo francês. 

Nas suas pinturas estão sempre presentes a paisagem, a floresta, o porto, a montanha. Friedrich inspirava natureza para depois expirá-la como arte. E verdadeiramente o melhor lugar da Terra para ele seria sem pessoas... era um solitário. Ou melhor, um deus da solitude. 

Illies escreve um livro para ser lido tendo como fio condutor a relação entre Friedrich e os elementos. Não é o tempo... do inicio ao fim. É o fogo, a água, a terra e o ar que orientam a narrativa e a tornam diferente, viva e uma paisagem das várias e mais marcantes facetas do pintor e da sua obra. 

Para aqueles que quiserem ler noutro idioma que não o alemão, encontra-se traduzido como "The Magic of Silence: Caspar David Friedrich's Journey Through Time".

Gostei muito!


"Dann trägt Caspar David Friedrich die Schwalbe zum offenen Fenster - und lässt sie wieder fliegen. An ihren Flügelschlag durch die abendliche Luft wird er sich noch ewig erinnern, er war voll Dankbarkeit und voller Sehnsucht."


https://www.goodreads.com/review/show/7520505518