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quarta-feira, 13 de março de 2024

"I, Claudius" de Robert Graves



"I, Claudius" de Robert Graves
Penguin, 2006
392 Páginas


Robert Graves oferece-nos em "I, Claudius" um relato vivido da intriga em Roma, imaginando um diário escrito pelo futuro imperador Claudius. A manipulação, a traição e as lutas verdadeiramente intestinas e mesquinhas pelo poder passa-nos todas aqui mesmo debaixo do nariz. 

Mordaz, sarcástico, acutilante e minucioso, este diário está muitissimo bem conseguido por Graves: na estrutura e na forma também algo espirituosa como está escrito. 

"I, Claudius" recupera os cenários da fabulosa série "Roma", muitos dos homens e mulheres que lá vemos, anda para a frente no tempo e acrescenta mais sobre estes e outros que até então podemos desconhecer. O resultado é absolutamente brilhante!

Dois momentos maravilhosos na leitura deste primeiro volume, que termina com Claudius a tornar-se imperador, foram para mim: o diálogo entre Claudius e a maquiavélica Lívia (mulher do imperador Octaviano) no fim da vida desta e o diálogo entre Claudius e Calígula aquando da enfermidade deste último. O cinismo presente aqui e a preocupação extrema da deificação após a morte são um traço essencial e comum a ambos.

https://www.goodreads.com/review/show/6293319015

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

"Messalina: A Story of Empire, Slander and Adultery" de Honor Cargill-Martin


"Messalina: A Story of Empire, Slander and Adultery" de Honor Cargill-Martin
Head of Zeus, 2023
402 Páginas


"Messalina: A Story of Empire, Slander and Adultery" de Honor Cargill-Martin é um livro interessante, mas podia ser mais... 

Cargill-Martin baseia-se nos escritos de Tacitus, Cassius Dio e Suetonis. Porém, em alguns momentos, parece que faz muito fumo com pouco fogo. E na parte final a tentativa que é feita para "limpar" a imagem de Messalina é desnecessária: é fácil condenar uma figura - seja homem ou mulher - quando a tiramos do seu contexto, mas tentar defendê-la/ desculpá-la apenas por ser mulher parece-me ilógico e colide com a apresentação/análise de todo o contexto  político-social da época.

Aliás, segundo os factos, Messalina atraiçou o marido, Claudius, várias vezes e ao que parece na última, quando se tentava casar com o amante, preparava-se também para o atraiçoar na qualidade de imperador. A traição não foi algo exclusivo de Messalina, sendo até algo comum na época, como podemos perceber da leitura de outros livros sobre Roma... sempre em busca de mais poder. Por isso, não faz sentido a tentativa de "santificar" Messalina e defendê-la. 

À parte disto, o livro levou-me a conhecer mais sobre Roma, sobre as disputas pelo poder e sobre o lugar e papel do feminino em tudo isto. Sobre Messalina propriamente dita, creio que mais poderia ter sido escrito... Pelo menos, eu fiquei com vontade de saber mais.


https://www.goodreads.com/review/show/6219701185