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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich

"Vozes de Chernobyl" de Svetlana Alexievich
Elsinore, 2016
328 Páginas


Não consegui ler este livro rápido e acho que também não dá para o ler rápido... 

O cansaço tantas vezes em demasia tomou conta de mim com frequência neste cerca de mês e meio, sendo que ler por ler é coisa que não me apraz de todo. Para isso é preferível ficar quieta! O tempo fugiu como areia entre os dedos e tive que fazer as minhas opções em função daquilo a que estava obrigada e o livro ficava para os dias menos agitados e com maior possibilidade de concentração. 

Imagino que estejam a pensar que "Vozes de Chernobyl" seja uma seca, um tédio daqueles dificeis de aguentar e que eu estou para aqui a inventar desculpas para dizer a verdade. Desenganem-se! 

Eu gostei muito do livro. De verdade. E comparando com tudo o que li desde Abril este foi um livro que me encheu as medidas, mas que não dá para ler de ânimo leve. 

O assunto é sério. Muito sério. Neste momento, diz-me muito por razões pessoais. Não pude deixar de chorar sufocada quando comecei a lê-lo e a pensar que ir para Chernobyl ou viver em Chernobyl é um atestado de morte certa e para breve; é a promessa de sofrimento garantido mesmo passados trinta e um anos do acidente nuclear. Posso dizer-vos que passei de não ter opinião formada sobre a energia nuclear a ser totalmente contra. O dinheiro pode justificar quase tudo, mas não pode ser tudo, sobretudo quando o que está em causa é a destruição, o sofrimento e a morte. 

"Vozes de Chernobyl" devia ser (e penso que já é) um livro de leitura obrigatória assim que se começa a saber pensar. Para que se possa compreender o poder destrutivo e descontrolado que a acção humana pode ter na sua capacidade para criar e transformar o meio envolvente de acordo com as suas necessidades. 

E tem de se ler devagar, mesmo que se tenha tempo e cabeça para o fazer mais rápido. Não é fácil digerir alguns dos testemunhos aqui presentes, nem tão pouco saber que já houve e há tanta gente a sofrer (e a morrer mesmo) por causa daquele maldito acidente nuclear! Até crianças nascidas muito depois de tudo... 


https://www.goodreads.com/review/show/2152780140

domingo, 22 de janeiro de 2017

A Guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Alexievich

"A Guerra não tem rosto de mulher" de Svetlana Alexievich
Elsinore, 2016
392 Páginas



Em "A guerra não tem rosto de mulher", Svetlana Alexievich aborda a guerra do ponto de vista das mulheres. Mulheres russas que, na Segunda Guerra Mundial, foram combater os alemães, aquando da invasão da União Soviética em 1941, deixando de lado os vestidos femininos, os sapatos de salto, as tranças que tiveram de cortar e a maquilhagem. Mulheres que, tantas vezes, nem maiores de idade eram e partiam para a guerra porque queriam a Vitória, queriam defender e ajudar a mãe, o pai e os irmãos e as irmãs. 

Este é um livro de vozes. Um livro de testemunhos. Pleno de emoções. Pleno de sensibilidade. Pleno de força. Pleno dos horrores de quem participou directamente na guerra, sem intermediários. Muitas destas vidas ficaram condicionadas para sempre depois da guerra: fisicamente, psicologicamente e até do ponto de vista familiar. Há quem nunca recupere das feridas deixadas por todo o sofrimento passado e lhe custe falar, testemunhar. Há quem tenha ultrapassado tudo isso. Há de tudo. 

Gostei muito de ler este livro. Além de estar extremamente bem escrito e justificar sem qualquer dúvida a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Svetlana Alexievich em 2015, este livro trouxe-me algo de novo: a leitura da guerra pelas mulheres. E note-se que eu leio bastante sobre a guerra (faz parte do meu trabalho), pelo que não tenho qualquer dúvida em dizer que quem quiser compreender o que foram as duas grandes guerras totais do século XX (a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais) tem de ler este livro, a par de "A Guerra como Experiência Interior" de Ernst Jünger e "Os Órgãos de Estaline" de Gert Ledig. 

https://www.goodreads.com/review/show/1865955098