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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Descascando a Cebola, de Günter Grass


"Descascando a cebola" de Günter Grass
Casadas Letras, 2007
378 Páginas


Não dou cinco estrelas, mas são quatro estrelas e qualquer coisa. E não dou* apesar de considerar que, de todos os livros lidos de Günter Grass até à data (contei seis com este incluido), este é, sem sombra para dúvidas, o melhor. É declaradamente auto-biográfico. 

Neste livro Grass confessa-se. Confessa aquilo que muitos alemães, que viveram a Guerra, procuraram ocultar dos outros e de si próprios no pós Segunda Guerra Mundial por vergonha: pertenceu às SS. O seu papel não foi relevante nas SS, mas ainda assim integrou-as e isso foi o bastante para se sentir culpado, envergonhado com isso, sentimentos que o acompanharam toda a vida. Até ao último dia. 

Neste "Descascando a Cebola" ficamos também a compreender a relação existente entre as obras de Grass e a sua vida. Cada uma delas quase que tem, ou tem mesmo, algo de auto-biográfico. É uma leitura interessante, sobretudo para aqueles que pretendam conhecer um pouco da "psique" alemã mais recente. 

* - Porque tive momentos em que achei que o autor se esgotou em alguns temas, como a imperiosa necessidade de satisfação de desejo sexual do autor, uma vez terminada a Guerra. O tema podia ser abordado, sim -somos humanos de carne e osso - , mas creio que o foi de forma excessiva e isso tornou-se, para mim, aborrecido... E essa foi uma das críticas feitas aquando da publicação na Alemanha e é, no meu entender, justificada. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón




"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón
Planeta, 2016
555 Páginas

Um livro dentro de outro livro, uma história dentro de outra história. Personagens que dão vida a outras... Mistério, muito mistério. A paixão por livros, verdadeira e autêntica que nos leva a ser, por vezes, um pouco loucos. O Amor e o Ódio a caminhar muito próximos. A amizade e a lealdade, genuinas e sem preço. A obstinada teimosia. E tudo tem uma razão de ser, um sentido, como convém não esquecer e é sempre bom lembrar!

Adorei este livro. Não tenho nada a apontar. Gostei da escrita. Tem tiradas brilhantes, comuns porque se referem a situações do dia-a-dia e nesse sentido são óbvias quando lidas, mas a verdade é que ninguém pára habitualmente para pensar nessas mesmas coisas daquela forma. É viciante, dando vontade de querer conhecer tudo, saber o que se passa, o que se passou e o que se passará e perceber em que sentido se desenrola e desenrolará a acção, mas, ao mesmo tempo, dá vontade de saboreá-lo lenta e vagarosamente, sem pressa de chegar demasiado rápido ao fim. 

Várias foram as vezes que dei por mim com sono a querer fechar os olhos, porque a morrer de cansaço e a não querer descansar, porque queria ler mais e mais e não me apetecia parar. Também várias foram as vezes que me custou largar a leitura, e pousar o livro, porque o dever me chamava. Fiquei presa a "A Sombra do Vento" sem me dar conta disso. Terminei de o ler ontem à noite e, preparando-me para ler "O Jogo do Anjo" que se segue, já me questionei o que será feito de Daniel Sampere? Vai voltar em alguns dos livros que seguem a colecção? E o seu fiel amigo Fermín também? Palavra que gostei imenso daqueles dois e da curiosa e estreita relação de amizade que se desenvolveu entre ambos. E o modo como Daniel sente os livros? É maravilhoso. 

"A Sombra do Vento" fez-me aquilo que nem todos os livros me conseguem provocar... Conseguiu fazer-me desligar do aqui e do agora totalmente. Deixe de ser a Marisa. E durante o tempo que li senti-me muitas vezes, Daniel Sampere, Beatriz, Penélope, Fermín, Julian Caráx, ... Viajei até Barcelona do pós Segunda Guerra Mundial e fui livre. Sonhei com outras vidas. Vivi outras vidas. Adorei.

E vou já começar "O Jogo do Anjo" daqui a pouco...!

https://www.goodreads.com/review/show/1912479458

segunda-feira, 28 de março de 2016

Bilhar às Nove e Meia, de Heinrich Böll

"Bilhar às Nove e Meia" de Heinrich Böll
Ulisseia, 2011
303 Páginas


Da leitura de "Bilhar às Nove e Meia", publicada pela primeira vez em 1959 e transformada no filme "Nicht versöhnt oder Es hilft nur Gewalt, wo Gewalt herrscht" (https://www.youtube.com/watch?v=CvC-J... ) em 1965, fiquei com uma sensação estranha de confusão e, num certo sentido, de incompreensão. Embora, a obra pertença a um autor que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1972, Heinrich Böll, e a temática seja complexa na medida certa para ser interessante, a verdade é que, ao contrário de "A Honra Perdida de Katharina Blum" tive dificuldade em encontrar o norte da história muito bem escrita, mas de estrutura "torcida"... 

A obra é constituida pelas perspectivas e relatos dos vários membros da família Faehmel, que inclui três gerações de arquitectos (uns constroem antes do Nacional-Socialismo estar no poder, outros destroem, já com o Nacional-Socialismo no poder, aquilo que os outros construiram), reportando-se ao período compreendido entre o início do século XIX e o ano de 1958 do século XX. Toda a narrativa decorre durante um único dia, em 1958, e passa-se fundamentalmente na cidade alemã de Köln, onde Robert, a personagem principal, se dedica ao jogo do bilhar numa base diária e sempre às nove e meia (na ânsia de construir uma rotina) - daí o título da obra -. 


A temática da história relaciona-se com o conflito existente na sociedade alemã do pós Segunda Guerra Mundial entre aqueles que se mantêm como livres pensadores/pacifistas e aqueles que se subjugaram ao Nacional-Socialismo e ao Totalitarismo/belicistas. É aqui que se centra a crítica do autor, nascido em Köln, capital cultural da Alemanha e cidade totalmente destruida pela Guerra em bens materiais e em vidas humanas. 


*
"Nessa altura, vivíamos todos no atelier do avô, porque a nossa casa estava inabitável, e na parede do atelier estava um enorme mapa da cidade pendurado; tudo o que havia sido destruído estava riscado com um grosso giz preto, e, muitas vezes, (...) ouvíamos o pai e o avô outros homens a conversar em frente ao mapa. Havia muitas vezes discussão, porque o pai dizia sempre: «Fora com isso - dinamitar.» - e desenhava um X junto a uma mancha negra e os outros diziam: «Por amor de Deus, não podemos fazer isso!» (...)" [Böll, 2011,pp.219-220]

https://www.goodreads.com/review/show/1590312825?book_show_action=false