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sábado, 26 de outubro de 2024

"Julia" de Sandra Newman

"Julia 1984" de Sandra Newman
Relógio D' Água, 2023,
392 Páginas

"Julia" de Sandra Newman foi uma desilusão. Tive poucos, muito poucos momentos em que a obra me conseguiu realmente prender a atenção e entusiasmar. 

Na verdade, encontrei quase nada de "1984" de Orwell aqui e muito daquilo que me pareceu ser uma tentativa de ir à boleia de um clássico para atingir o sucesso. 

Senti igualmente várias vezes a tentativa de "vitimizar" a mulher por ser mulher e procurar uma "masculinização" (e, às vezes até, uma "banalização") desta, quando todos têm o seu papel/a sua função e ambos (homens e mulheres) são necessários dentro das suas diferenças... que são, a meu ver, saudáveis e desejáveis. 

Isto tudo no que respeita ao contéudo da obra. Quanto à escrita, também não me cativou particularmente.

https://www.goodreads.com/review/show/6895157440

quinta-feira, 16 de abril de 2020

1984, de George Orwell


"1984" de George Orwell
Antígona, 2015
327 Páginas




Costuma dizer-se que à terceira é de vez e parece ter sido o caso. Foi a terceira vez que peguei em "1984" para o ler e desta li-o mesmo todo. Parece que estava na hora...

É um livro extremamente interessante. Porém, devo dizer que muito do que ali está escrito não é nem foi novo para mim... Houve um grande sentimento de "já vi isto", "isto é-me familiar", porventura motivado pelo facto de me terem falado vários vezes nele e/ou pelo facto de estar directamente relacionado com a minha área de formação. 

Num certo sentido, e mesmo que com outros contornos, "1984" é agora (no tempo), sim (e esta ideia não é minha, mas eu concordo com ela). Basta pensarmos por instantes em todo o controlo, e em certa medida falta de privacidade, que o uso das tecnologias de informação/comunicação de forma massiva nos pode proporcionar...

Discordo, todavia, da perspectiva que a dada altura Orwell parece sugerir quando, de alguma forma, defende a ideia de que nem o pensamento é livre. O pensamento é, no meu entender, composto por uma parte relativa àquilo que eu penso (na minha cabeça e que pode incluir aquilo que os outros pensam e aquilo que eu penso efectivamente) e aquilo que eu exprimo, sendo que aquilo que eu exprimo pode incluir ou não aquilo que penso. E havendo um auto-bloqueio em exprimir aquilo que se pensa, não há nem pode haver controlo total sobre o pensamento. Será que nessa circunstância se pode considerar que o pensamento é livre? Uma parte sim, outra não. Posso pensar o que quiser, mas não posso exprimir o que quiser. ["Nada nos pertencia, excepto os poucos centímetros cúbicos no interior do nosso crânio" (p.30).]

Sem me querer alongar mais, até porque considero que o melhor mesmo é lerem "1984" e tirarem as vossas próprias conclusões (vale a pena), saliento a repetição sucessiva desta ideia com a qual não poderei estar mais de acordo:
"Guerra é Paz. 
Liberdade é Escravidão.
Ignorância é Força."