Mostrar mensagens com a etiqueta Autores checos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Autores checos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de abril de 2019

Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke


"Cartas a um Jovem Poeta" de Rainer Maria Rilke
Antígona, 2016
154 Páginas

Li "Cartas a um Jovem Poeta" de Rainer Maria Rilke rápido, é certo, mas é dificil ler mais devagar quando se está a gostar muito do que se está a ler e quando nos identificamos (!!!) com muitas das ideias que Rilke defende nas cartas que redige de resposta a Kappus. 

É profundo. É especial. É filosófico quanto ao modo como podemos viver a vida e a própria arte. E quando lemos este livro, diria que é fácil colocarmo-nos na posição de Kappus e ler os conselhos de Rilke como se fossem para nós leitores. A resposta às nossas dúvidas está em nós próprios, a solução para os nossos problemas deve ser procurada dentro de nós (e não no exterior), o artista é um criador que "tem de ser por si próprio um mundo", ... 

Rilke tece também algumas considerações interessantes acerca do amor, da doença (como libertação) e da solidão, nas quais vale a pena nos demorarmos porque resultam de um entendimento superior daquela que é (ou deveria ser ?) a existência humana. 

E fá-lo com humildade e amizade, sem qualquer espécie de arrogância ou prepotência. Pede-nos (ou melhor, pede a Kappus) que deixemos a vida acontecer, sem procurar demasiado... 

Vale a pena!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A Imortalidade, de Milan Kundera



"A Imortalidade " de Milan Kundera
Publicações Dom Quixote, 2012
387 Páginas


Embora ainda não tenha lido todas as obras de Milan Kundera, posso dizer que está entre os meus autores preferidos, desde que li "A Insustentável Leveza do Ser" que, por inevitabilidade (e ainda que eu tenha muita dificuldade em falar de livros preferidos), é um dos meus livros preferidos.  

No que respeita à "A Imortalidade", tive-a aqui arrumada durante cerca de dois anos e só lhe peguei agora porque também só agora é que senti que estaria na frequência certa de a ler. Só agora é que senti aquele impulso do "é este. 

O tema da imortalidade é demasiado profundo para se ler com superficialidade ou a correr, pelo que depois de terminar o livro constanto com satisfação que tomei a decisão certa, ou melhor, as decisões certas: quando comprei este livro; quando escolhi o momento para o ler. 

"A Imortalidade" leva-nos a pensar sobre a morte, sobre o persistir para além da morte, sobre o eterno, sobre o envelhecimento e a idade, sobre o amor, sobre as belas diferenças existentes entre o homem e a mulher. É um bocado filosófico e, portanto, creio que, neste sentido, é recomendado sobretudo a quem goste de pensar e reflectir sobre a existência humana. Daí também a necessidade de o ler mais devagar, com tempo, e sem pressas. Kundera fala de si, vai buscar Goethe e fala dele e recupera num e noutro momento outros autores (como Hemingway, só para dar um exemplo) para nos levar a debruçar sobre a imortalidade, tendo nesta sua história, a meu ver, original e singular (porque não consigo comparar este estilo de livro a nada do que tenha lido até à data) uma personagem principal, Agnés. No entanto, parece-me que mais do que Agnés, a própria imortalidade é em si mesma uma personagem principal, central, e creio que ela é igualmente o fio condutor da obra, como atesta o título do livro. 

Kundera consegue ser exemplar neste seu estilo intemporal que permanece. Quando li Kundera pela primeira vez, ficou-me marcado. De todas as vezes que volto a Kundera confirmo essa marca deixada pelo primeiro livro que li. Faz-me parar. Faz-me pensar. Faz-me analisar. Sempre. E, às vezes, pergunto-me se este autor não seria digno de um Prémio Nobel da Literatura...!


https://www.goodreads.com/review/show/2415393577