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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Praça de Itália, de Antonio Tabucchi

"Praça de Itália" de Antonio Tabucchi
Publicações Dom Quixote, 2017
165 Páginas


Este é o segundo livro que leio de Antonio Tabucchi e tanto quanto sei foi o primeiro que escreveu e é soberbo do ponto de vista da criação e até da forma como as palavras são articuladas... 

Dei comigo a ler a reler várias vezes a mesma passagem exactamente pela beleza da escrita, pela harmonia das palavras e pela mistura entre humor e melancolia que emana das personagens que nos são dadas a conhecer. 

Efectivamente, é uma anti-história de Itália da parte dos vencidos, focadada em Garibaldi (aqui Garibaldo) e na sua família, constituindo-se como uma oportunidade para conhecer - ainda que de forma literária e ficcionada (por isso, atenção!) - o modo como a unificação italiana se verificou e a própria cultura italiana.  

Gostei muito e fiquei com vontade de voltar a ler Tabucchi!

terça-feira, 14 de maio de 2019

O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

"O Leopardo" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa
Abril/Controljornal & Biblioteca Visão, 2000
224 Páginas


Normalmente não gosto da ideia, porque acho que as coisas não podem ser nem pretas nem brancas (também há o cinzento nas suas diferentes variações), mas a verdade é que se me pedissem para escolher uma palavra que traduzisse a minha experiência com a leitura de "O Leopardo" escolheria, sem qualquer dúvida, a palavra "elegância".  Mesmo quando há algum atrevimento e malícia em certos episódios, há elegância e distinção na forma como Lampedusa escreve. De tal forma, que dei comigo a reler mais do que uma vez esses mesmos episódios antes de prosseguir a leitura, demorando-me um pouco mais, e/ou a voltar para trás, nos momentos de "pausa", para tornar a ler aqueles mesmos episódios uma e outra vez.

Para além deste livro versar sobre o período do Risorgimento e da consequente unificação italiana (tardia, tal como a alemã) e, neste sentido, deixar a descoberto muitas das contradições e das mudanças operadas então na ordem social do país (e as típicas rivalidades existentes entre o Norte e o Sul)- o que enriquece em muito a obra, no meu entender -, este livro tem passagens belíssimas, das quais destaco, por exemplo, a descrição da "perseguição" amorosa entre Tancredi e Angelica. A personagem de Don Fabrizio em especial também permite passagens de bastante interesse, nomeadamente no que à mudança e à passagem do tempo diz respeito. 

Gostei muito. E não percebo como é que foi necessário passarem 16 anos, desde que me ofereceram este livro (com muito conhecimento de causa e visão de longo alcance, devo dizer), para pegar nele e conhecer esta maravilha, vencedora do Prémio Strega em 1959 (atribuido aos melhores trabalhos de ficção escritos em língua italiana, desde 1947)... No entanto, ainda bem que acabo de corrigir essa "minha falha" e talvez o momento certo tenha chegado apenas agora e não noutro tempo qualquer do passado (ou melhor, destes 16 anos)!